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sábado, 23 de junho de 2012

A opinião sincera de um ex-crente e atual ateu sobre a bíblia “sagrada”




Por: Marcio Alves


Chegou a hora de dar o último, o principal, porém, delicadíssimo passo, rumo à desconstrução total dos dogmas pétreos do Cristianismo ortodoxo.
Eu quero declarar em alto e bom som, minha mais sincera e transparente aversão a palavra dita de Deus.

Palavra esta que se for “literalmente literalizada”, muitos dos seus episódios “ocorridos”, torna Deus em um grande Ser desprovido de inteligência e amor.
Pois se não, vejamos:

Conto da desobediência humana, (Adão e Eva) sendo uma alternativa dada por Deus? Se for escolha, logo se segue que não deveria isto, levar o Senhor a amaldiçoar o homem, aja visto, Ele próprio ter decidido dar livre arbítrio para o mesmo. Como pode ser livre, se foi, é, e será punido?

Outro episodio que para mim é muito mais uma fabula do que realidade, embora o evento em si, seja factual, pois é constatado pela ciência que realmente houve um dilúvio, porém, as inúmeras estórias que são em diversas culturas contadas e recontadas, não passam de fabulas, ou será que imaginamos uma real possibilidade do “perfeito deus” ter de fato se arrependido de criar o homem, e, depois que o destrói, volta a se arrepender de novo, só que desta vez, por haver destruído o homem?

E a dramática e desumana estória (com “e”, e não com “h”) de Deus pedindo para Abraão sacrificar o seu único filho Isaque, como se fosse um animal, por causa de um estúpido teste, para saber se no final das contas, ele amava mesmo ou não Deus?

Oras, se isto for lido literalmente, nós temos um problema grave, pois isto revelaria um deus sádico, cruel e desumano, ou então, um Ser desprovido de inteligência e conhecimento prévio do futuro, pois não sabia Ele que é justamente “onisciente”, que Abraão o amava de verdade?
Então porque Ele precisava testar este amor?

E o caso lamentável de orgulho e exibicionismo da mais pura vaidade divina, que por causa de uma acusação inverídica do diabo, o soberano, déspota e arrogante “Deus”, resolve apostar com a vida de Jó, como se fosse um brinquedinho divino, que no final de tudo ainda, depois de delegar ao diabo poder total sobre Jó, que foi brutalmente destruído, tudo que tinha, não somente os bens materiais, mas também todos os seus filhos, ficando numa doença miserável, encontra-se com o criador, e vai simplesmente desabafar com Ele, e é, por isto, injustamente e duramente acusado pelo mesmo soberano, de disputar com Ele, quando nada sabe e nada entende?
Mas como haveria de entender, se nada viu e soube, e nem ainda se quer ficou sabendo, nem foi muito menos avisado?

E as dezenas de relatos das guerras e destruição, cometidos pelos Israelitas em nome de Deus?
Como explicar os genocídios e infanticídios que foram todos causados, por uma “motivação divina”, em que o povo Israelita se achou no direito, pois eram os escolhidos, em nome de Yavé, exterminar todos os outros povos em seu redor?

Percebe-se que é esta literalidade, glorificada e defendida com unhas e dentes pelos “guardiões da reta doutrina”, que precisamos jogar na lata do lixo, se ainda desejamos ler a bíblia sem repulsa e indignação, apenas contemplando com os olhos da alma, as suas belas e significativas metáforas, mitos e fabulas.

Mas não! A bíblia é colocada no mais alto pedestal, onde é idolatrada pelos evangélicos, tida como sagrada e reverenciada, igual ou até mesmo mais, do que o próprio Cristo ou/e Deus, podendo ser questionado tudo, menos a tal da “inspiração” e “inerrância” divina dos textos canônicos, tido como literais, daí a expressão ser mesmo o fundamentalismo xiita e talibanês dos crentes.

Mas não para por ai o meu ódio em relação à pretensa “palavra de deus”, tida como verdade absoluta do Cristianismo. Pois também no novo testamento, encontro mandamentos que são contrários a vida, como por exemplo, a demonização do corpo em favor da exaltação da alma, sendo tudo aquilo advindo e para o corpo, estigmatizado e considerado pecado, mas aquilo que for para alma é santo e puro!

Um deus avesso a vida, a alegria, a diversão e o mais delicioso prazer, com a promessa fantasiosa e alienante, de uma vida melhor no além, para o descanso da alma, mas em compensação em oposição ao corpo, que na linguagem cristã, para nada presta.

Sendo a liberdade humana restringida e limitada pelos cabrestos auto-impostos pelas inúmeras regras e mandamentos, como se a vida se resumisse a um mero comprimento de normas cinzentas e anti-alegres, onde o gozar o prazer na carne é o maior pecado, mas se esquecem que o que temos neste mundo é justamente o nosso corpo, e é com ele que podemos contar e devemos valorizar cada momento de nossa efêmera vida, não abrindo mão de nossa atual existência, por uma recompensa futura no céu que talvez não exista, e que seja apenas uma manobra política do império romano, para anestesiar o povo oprimido de sua época.

Falar em império romano, não é muito estranho ser justamente isto, que Jesus nos evangelhos, vai mais apoiar e incentivar, um total abandono por vingança, e um amor e perdão incondicional dado por aqueles que nos oprimem e nos tiranizam, ser direcionado a um povo pobre, injustiçado e indefeso pelo poder político do império?

Lembrando que o novo testamento como conhecemos hoje, foi justamente juntado e acabado pelo imperador Constantino, que talvez, pode ter adulterado muitas coisas nos mesmos, tentando levar vantagem sobre a massa oprimida por ele.

Pois sem duvida alguma, de todos os ensinamentos dados por Jesus, o mais estranho é o de amar incondicionalmente os inimigos, tiranos e assassinos, pois mesmo que se consiga tal atitude desumana, as pessoas seriam anestesiadas e impedidas de lutar, se preciso for, com suas próprias vidas, em pró de uma vida mais justa, e contra a opressora tirania.

É muito argucioso e pura esperteza mesmo, se de fato Constantino inventou e colocou na boca de Jesus, o sermão da montanha, pois tal ensinamento é uma apologia total em favor dos oprimidos, fracos e marginalizados, oferecendo aos mesmos, uma anestesia paralisante de revolta contra suas situações, sendo os mesmos levados a entender que aquilo justamente é o passaporte seguro para uma vida feliz no paraíso, mas lembrando, não é para aqui, sendo somente quando morrer, ou seja, domestica e inibi qualquer vontade de lutar contra a opressão.

Em fim, eu odeio este lado nefasto da bíblia, porém as suas profundas, significativas e ricas metáforas, fábulas, poesias, símbolos e estórias, minha mais verdadeira devoção!

Texto escrito e postado originalmente, por mim, no blog: http://cpfg.blogspot.com.br/2010/05/abominacao-sagrada-da-biblia.html    em 25/03/2010 

Com o titulo: A abominação “sagrada” da bíblia

Postagem esta que alcançou a incrível marca de 496 comentários, sendo até hoje a postagem mais comentada de todos os tempos daquele blog! Vale apena acessar e ler os comentários feitos nesta postagem!

domingo, 17 de junho de 2012

Filosofia suja e empoeirada na existência



 Por: Marcio Alves

Começo este meu texto com uma pergunta que será decisiva para compreensão e sustentação do mesmo, responda com sinceridade meu caro leitor, qual a pergunta mais importante para você: a) “Deus existe?” ou b) “Como tratar da doença do meu filho (por exemplo)?”

O que quero demonstra com isto é que na verdade a filosofia, principalmente a teologia, como filosofia abstrata da metafísica há muito perdeu sua relevância na vida diária das pessoas tidas como “comuns”, porque elas estão muito mais preocupadas com problemas “reais” e situações vivenciadas do que dilemas abstratos e/ou divagações filosóficas do tipo “o que é a verdade?” “existe liberdade?” “o que é real e/ou ilusão?” “o que é a vida?” “o que é o ser humano?” e etc.

Qual o peso de sabermos sobre questões como Deus, paraíso, vida após a morte, anjos e demônios e o sentido da vida? Estas questões irão ajudar você meu caro leitor a resolver seus problemas cotidianos? E o mais importante: por ventura você conseguirá responder a essas questões há centenas de anos debatidas pelos filósofos que não chegaram a um consenso?
Pois, mais importante do que sabermos o sentido da vida é sabermos qual o sentido que nós estamos dando para as nossas vidas!

Por isto é que a filosofia só não perderá sua relevância e importância se for aplicada aos dilemas circunstanciais da vida.
Neste sentido temos que fazer uma inversão milenar na filosofia, indo na contramão da própria filosofia, pois os assuntos tidos como mais importantes, valorizados, estudados e discutidos até então para a filosofia histórica, deixaria de ser o alvo principal para se tornar secundário, e passaríamos a valorizar muito mais dando total importância e atenção para os assuntos tidos até então como ordinários e corriqueiros, pois a vida é feita muito mais destes últimos.

É por isso que a filosofia cada vez mais tem que ser “filosofia de rua” e cada vez menos “filosofia de gabinete”, pois às vezes debatemos assuntos tão irrelevantes como: “Deus, céu, sentido da vida, vida após morte”, e esquecemo-nos do que realmente tem relevância para as pessoas mortais: “dinheiro, relacionamento, trabalho, a rotina do dia a dia”.

Sabe por que meu caro leitor? (aqui vai uma alfinetada no cristianismo histórico, pois como sempre não poderia faltar) porque há muito tempo as religiões vem enganando os seus seguidores, como sendo enganados por eles mesmos, pois no fundo por pior que seja a situação, e por mais “fé” (eu chamo de condicionamento) que o sujeito possa ter em um paraíso, em outro mundo eterno, perfeito e feliz, ninguém em sã consciência quer morrer e deixar essa existência, e sabe por quê? Por que no fundo no fundo elas mesmas não acreditam, só não se deram conta disto ainda.

É por isso que o cristianismo hoje tem sido mais do que nunca contextualizado no “chão desta terra”, sendo muito mais existencial do que espiritual, e, isto para não perder a relevância.
Já não faz mais sentido – e, muitos líderes religiosos tais como Ricardo Gondim, Caio Fabio, Ed. Rene Kivitz entre outros sabem disto – pregar mais sobre anjos, demônios, céu, inferno, apocalipse entre outras coisas que eram – e ainda são para algumas vertentes do cristianismo ortodoxo que ainda insiste em ficar paradas no tempo – tidas como mensagens principais no cultos.

Hoje, os pastores que procuram contextualizar os seus sermões, parecem mais psicólogos falando sobre relacionamentos.
É a nova roupagem da reformulação religiosa, que deixam de ser filosofia de gabinete para virarem literalmente filosofias de rua, pois é na e pela existência que é feito a vida.

Seria então o fim para sempre das religiões? Claro que não. Com esta urgente e necessária reformulação e roupagem existencial, “naturalizando” ao invés de “espiritualizar” o homem, mundo e vida, a religião dá um passo importante e decisivo para contribuição do amadurecimento e responsabilidade humana, ganhando apoio e simpatia inclusive de ateus – sendo eu, um deles.

segunda-feira, 30 de abril de 2012

O ateísmo nunca irá conseguir acabar com a religião!




Por Marcio Alves

Meus caros amigos “ateus-atoa”, “ateus-militantes”, “ateus-perdidos “, “ateus-agnósticos” e até “ateus-enrustidos” – o que tem de gente que no fundo é ateu, mas não sai do armário, não é brincadeira não! Sem contar os que são, mas não sabe ainda que são, ou não querem reconhecer isto –  vocês devem encarar a dura e “triste” (para os ateus) realidade de que a religião nunca irá acabar. (Porque será que a grande maioria dos ateus deseja ardentemente que os religiosos se tornem também ateus? Será que Freud explica? Risos)

Levanto, a partir de agora, nove (9) razões porque a religião nunca vai acabar:

1-Ela é a maior utopia das utopias
Promove uma visão futurista de esperança, gloria e otimismo, atribuindo ao “todo-poderoso” – aquele que nunca pode ser frustrado em seus planos – o poder de concretizar aquilo que seria impossível aos homens.
(Deus na visão do religioso é como o diretor que espera o momento certo, para intervir no filme que esta desenrolando, para por um ponto final, independente da atuação dos atores)

2-O religioso não corre o risco de um dia descobrir que sua crença não é real
Quando se aposta, geralmente se espera e se tem o resultado, seja o desejado ou não, mas no caso da religião é uma aposta que o religioso nunca descobrirá que era de fato um engano, pois se quando a pessoa morre se segue logo o nada da existência, o crente não terá do que se arrepender depois da morte. (famosa aposta do filosofo Pascal)

3-Ela torna a pessoa especial
Na visão religiosa o homem é a imagem de Deus, possui uma alma, e é alvo do cuidado de Deus, seja para ser abençoado por ele ou muitas vezes castigado como forma de repreensão.
Tire a concepção espiritual do homem, e ele se torna um mero animal sem alma que apenas racionaliza, mas que compartilha da mesma origem e o mesmo fim do animal.

4-Ela oferece respostas para a existência humana
Ela diz da onde você veio, porque você esta aqui e para onde você irá. Ou seja, ela enche o ser humano de propósito e significado. Pode até se argumenta que é falsa, que é inventada, que é ilusória, que é enganosa, mas no fundo, o que importa para o ser humano, que em geral prefere uma verdade inventada e cômoda, do que a angustiante duvida da não resposta, é a resposta em si.

5-Ela alivia a dor humana
Pois promete um paraíso eterno sem dor e sofrimento, ou seja, neste mundo você pode não ter nada, sofrer, ser injustiçado, mas lá no outro mundo, Deus irá reparar os seus danos sofridos.
Imagina uma pessoa que perdeu pessoas as quais ama, ela, se for religiosa, irá se consolar com a promessa da eternidade, onde poderá encontrar os seus parentes e amigos – mas desde que seja também da mesma religião, porque se não, se for um crente, por exemplo, irá ficar profundamente triste por crer que a pessoa a qual mais amou, mas que não era de sua religião foi parar no inferno por toda eternidade.

6-Porque os religiosos acreditam porque querem acreditar
Hoje, (sempre?) mais do que nunca, a grande busca do ser humano é pela tão sonhada e ilusória felicidade, tanto é que criamos varias ilusões, conscientes ou não, para tornar nosso mundo frio e cinzento, um pouco colorido e quente.
Portanto, a grande pergunta que a maior parte dos seres humanos fazem a si mesmo é: “isto vai trazer alegria, felicidade e/ou prazer para minha vida?” e não se é verdade ou real na existência, até porque, se ela verdadeiramente experimenta, para ela isto já se constitui uma verdade em si.
Sendo assim, os religiosos acreditam porque querem e desejam ardentemente acreditarem que é real sua experiência religiosa, e, contra isto, não há argumentos racionais que venham dissuadi-las desta vontade.

7-Porque ela é um sistema muito bem estruturado e organizado
Alguns ateus no afã de quererem “converter” (ou “desconverter”) os religiosos para sua “corrente de pensamento ateia”, distorcem os argumentos religiosos, por pura esperteza ou ignorância mesmo, limitando as mesmas em reducionismo classificatório e taxativo de somente “pura fé”, dizendo que os religiosos não utilizam à lógica e nem a razão.
Mas estão equivocados, porque toda religião possui em si mesma, isto é, em seus sistemas, lógica e razão interna, sendo coerente dentro da lógica proposta por cada religião.
Ou seja, quando um sujeito vai para alguma religião, ele não vai encontrar uma bagunça generalizada, onde cada adepto pensa ou diz de um jeito, mas sim, uma organização com sistema, doutrina, culto, hierarquia, e até uma concepção de deus própria.

8-Ela trabalha em cima do egoísmo e interesse humano
A religião, mais do que qualquer outra coisa, promove o interesse e egoísmo do ser humano, pois é um sistema de recompensa e punição que estão ligado e determinado pelos atos individuais de cada um – a famosa fala de Paulo “cada um dará conta de si mesma a Deus”.
Céu e bênçãos materiais, no caso do cristianismo, para quem for obediente, e, inferno e castigo para os desobedientes.
Ou seja, ela reforça e mantém ao mesmo tempo, o sujeito dentro do processo religioso, seja por medo da punição, ou interesse de ganhar recompensa.

9- A última e mais obvia das conclusões
Vou terminar esta postagem no nono ponto, sabendo que existem mais razões do porque “O ateísmo nunca irá conseguir acabar com a religião!” com a principal e mais simples conclusão:
Não é possível datar e nem dizer como a religião se iniciou de fato, apenas se especula, mas o que interessa mesmo é que nunca existiu (pelo menos nunca se descobriu) e não existe nenhuma sociedade sem religião, isto em milhares de anos, como os ateus pensam que agora vão conseguir acabar com a religião, e isto no mundo inteiro? (Desse jeito meus caros amigos ateus, vocês vão acabar sendo taxados de pessoas com muita mais fé do que os próprios religiosos, ou de serem pessoas ingênuas. Risos).

Texto originalmente publicado no blog http://omundodaanja.blogspot.com.br/2012/04/o-ateismo-nunca-ira-conseguir-acabar.htmlonde eu sou um dos colaboradores.


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