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quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Ainda há tempo


Por Edson Moura


Algo ainda me diz que posso ter esperança
Que no fundo somos todos crianças
O Problema é que meus olhos de adulto não me deixam ver

As estórias contadas por meu velho pai
Vez ou outra minha memória me trai
Mesmo meu cérebro adulto não me deixa esquecer

Algo me anestesie minha mente racional
Que me traga de volta o sentimento passional
Reflito e acho que já não é possível

Minha vida está passando e eu aqui...

Minha vida está passando e eu aqui...
Minha vida está passando e eu aqui... acreditando que vivi.

Como pude esquecer-me daquelas piadas?
Que animavam minhas tardes entediadas.
Meu sorriso reluta em se mostrar

Talvez tenha me tornado um velho triste
Esquecendo-me que o amor ainda existe
Nem sinto vontade de chorar.

Por que desisti da gente?
Por que me prender ao presente?
Quando foi que ergui este muro?

O Agora é real, agressivo e responsável
O que já passou é nostálgico, e irrecuperável
Só idiotas como eu não dão uma chance para o futuro.

Minha vida está passando e eu aqui...
Minha vida está passando e eu aqui...
Minha vida está passando e eu aqui... acreditando que vivi.

 Edson Moura






sexta-feira, 11 de março de 2011

Minha escolha


Não me tirem as lembranças, pois elas são o combustível que faz meu coração bater. Não me tirem a dor, pois ela é o parâmetro para que eu possa avaliar minha saúde. Não me tirem a tristeza, pois somente com ela eu consigo lembrar-me de como fui feliz. Não me tirem a escuridão, porque aos poucos meus olhos desprezarão a luz.

Não me tirem a fome, para que eu não reclame do pouco que ainda tenho. Não me tirem a pobreza, pois certamente eu desprezaria o miserável. Não me façam elogios, para que o orgulho não me domine. Não deixem de me abraçar, para que a frieza não tome o lugar do calor humano.

Não me falem sempre a verdade, porque algumas mentiras nos mantêm amigos. Não me mostrem tudo, para que eu não perca a vontade de descobrir coisas novas. Não me tirem a insônia, porque dormindo eu não vejo a vida passar. Não afastem a morte de mim, porque o temer a ela sustenta minha vida.

Não furtem meus livros, porque às vezes eles são meus únicos companheiros. Não esqueçam de mim, para que, uma vez morto, eu não deixe de existir. Não me amem demais, para que a insegurança não atormente tua alma. Não me amem de menos, para que eu não sinta-me tão rejeitado.

Não tirem meus filhos, porque eu os amo muitíssimo. Não se apeguem demais às pessoas, para que quando elas se forem, você também não se vá. Não deixem-me envelhecer além do necessário, para que eu não sinta-me um total inútil. Não mantenham-me vivo, se acaso tornar-me um peso em suas vidas.

E não sintam-se culpados por coisa alguma, porque todas essas escolhas foram minhas...não suas.

Edson Moura


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