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terça-feira, 15 de novembro de 2016

45 Dias de Pânico Total! - Márcio Alves Ferreira

Uma frase resume este belíssimo e envolvente livro:

"Quando a esperança abandona a alma que você nem sequer supunha que possuía, o que toma conta do que resta de você, é o desespero, eis a angústia em sua forma mais mortal, assombrosa, pois nesta situação onde nem conseguimos raciocinar, chegamos à falência de todos os bons sentimentos. A partir daí, muitas vezes a demência poderá ser nosso único alivio e a morte quem sabe a única saída" 

Edson Moura (amigo e testemunha do autor)


Um livro comovente, de muita luta e superação, contado sempre em primeira pessoa, de maneira reflexiva, filosófica, psicológica, às vezes bem-humorada, mas sempre mantendo o teor autobiográfico. Foram dias terríveis, de um pesadelo que parecia nunca ter fim, e isto, por 45 dias de ataques recorrentes do Transtorno de Pânico. Chegando ao limite máximo do sofrimento humano, onde o autor relata, ter cogitado, no auge do desespero, a hipótese real de suicídio.

Sobre o autor:

Nasceu em São Paulo, Capital, onde viveu até o ano de 2015. Atualmente reside em Montanha-ES. Casado, pai de dois filhos. Formado em Psicologia, cursando especialização em Saúde Mental. 

Trabalhou durante quase três anos numa instituição que atende pessoas com deficiência intelectual. Atualmente exerce a profissão de Psicólogo no CREAS de Mucurici-ES (Centro de Referência Especializado de Assistência Social).

É um estudioso do comportamento e da mente humana. Leitor voraz de literatura. Amante da Filosofia. Escritor em Blogs e Facebook. Este é seu primeiro livro, mas já avisa: o primeiro de muitos outros.



sábado, 28 de setembro de 2013

Deus, um delírio - Richard Dawkins


Por Edson Moura

Resumo do Livro:
 
Nesta Obra, já clássica, o mundialmente aclamado biólogo evolucionista Richard Dawkins, como um poderoso vento epistemológico purificador varre completamente as crenças infantis, irracionais por definição, professadas pela maioria dos adultos. A maioria dos quais, segundo o também racionalista Sam Harris, “capazes de perpetrar os mais cruéis e violentos atos de atrocidade contra seus semelhantes, supostamente para provar a superioridade ética de suas crenças irracionais, ilógicas e cruelmente nocivas.

          Dawkins apresentou – paralelamente ao desenvolvimento do livro em tela – uma série de programas na BBC, intitulados “A Raiz de Todo o Mal”: a religião.

          Neste Best Seller monumental, saudado pelos mais renomados intelectuais e cientistas do mundo contemporâneo, Dawkins desnuda completamente as fragilidades das crenças religiosas, assim como todas as atrocidades monstruosas cometidas em seu nome ao longo dos séculos.

          Deliberadamente, declara, optou por não frisar os pontos já mundialmente condenados das práticas cristãs – vale aqui ressaltar que se ateve principalmente às religiões cristãs e as que a precederam na mesma linhagem (nomeadamente o Judaísmo e o Islamismo) por serem aquelas com que tem maior familiaridade – não se encontrará em toda a Obra uma única observação acerca das Cruzadas, da Santa Inquisição e de outras monstruosidades monumentais praticadas pelos cristãos ao longo dos séculos.

          Atém-se principalmente às provas ou contraprovas da existência de Deus (entendido miseravelmente como a maioria dos crentes o entende: uma espécie de Macho-Alfa vivendo num lugar indeterminado, uma espécie de “céu espiritual”, que teria criado o mundo e tudo o que nele existe (incluindo os seres humanos) a pouco mais ou menos de 5.000 anos, mantendo-se particularmente atento ao que todos os cerca de 6 Bilhões de seres humanos do planeta Terra pensam e fazem durante as 24 horas do dia nos 7 dias da semana.

Confessa-se, com toda a seriedade e honra de um cientista dedicado que não é possível provar a inexistência de Deus da mesma forma que não é possível provar a inexistência de fadas, gnomos, unicórnios, Saci-Pererê, mulas-sem-cabeça, etc. A apresentação de argumentos e provas cabais de suas existências, cabe sim a quem acredita nestas coisas, não a quem não encontrou provas suficientes a corroborar a alegação da maioria.

A opinião da maioria é outra questão em aberto que merece reflexão. Não serve como prova de nada, evidentemente: durante milênios a maioria tinha certeza de que a Terra era achatada e fixa no Cosmos. Aproveito o ensejo para citar o magnífico poema do Álvaro de Lucca: “A Voz do Povo é a Voz de Deus/Que Povo?/Que Deus?/O que mandou soltar Barrabás?/O que delirou com Hitler?/O que aplaudiu Stálin?/O que pediu e aprovou a Ditadura Militar no Brasil?” – esclareço que esta inserção é minha: Dawkins toma o rigoroso cuidado científico de não se aventurar nas cearas política ou econômica. Este resenhista é que está convencido de estarem estas dimensões (religião, política e economia) intimamente relacionadas.



Arrolemos alguns dos argumentos do Autor:

_ O Boeing 747 definitivo; os criacionistas resumem sua fé numa assertiva mais ou menos assim: “a hipótese de a vida dos seres complexos haver surgido por acaso é tão absurda quanto imaginar que um furacão passando por um ferro-velho construa um Boeing 747 perfeito”.

          O grande problema dos criacionistas, neste caso, tem a ver com a confusão que fazem entre o fato da Evolução das Espécies no Planeta Terra e algo como o “Acaso”. Datando a existência do Cosmos em cerca de 5.000 anos (contrariamente às descobertas científicas dos Astrônomos com seus Telescópios a perscrutar o Universo Infinito que o dataram com precisão a, no mínimo, 15 Bilhões de Anos e o Planeta Terra em 4,5 Bilhões de anos), ignoram os desdobramentos derivados de todas as provas e evidências encontradas e precisamente datadas a comprovar como se formou e evoluiu, gradualmente, num processo lentíssimo, mas precisamente registrado nas profundezas da Terra onde se encontram camadas de materiais distintos e fósseis com traços somente explicáveis através de um processo evolutivo gradual (NÃO CASUAL).

_ O Abuso de Crianças pelas religiões; não, Dawkins não desce ao nível do que determinados religiosos vêm fazendo com crianças ao longo dos séculos e que se tornou escândalo nos últimos tempos. O problema é a doutrinação, este é o abuso infantil. Ninguém se refere a uma criança como “social-democrata”, “neoliberal”, “comunista”, “existencialista” ou o que o valha. São temas demasiado complexos para que a mente infantil tenha condições de formar uma opinião a respeito. Contudo, não há pudor algum em impregnar os infantes com preconceitos e imprecisões religiosas tornando-se comum chamar uma criança de “católica”, “protestante”, “muçulmana”, “judia”, etc. NÃO! A criança pode ser filha de pais católicos, ou protestantes ou o que o valha. Mas não dispõe ainda da sofisticação intelectual necessária a formar uma opinião abalizada a respeito. Que as crianças sejam poupadas desta forma monstruosa de abuso a tolher-lhes a liberdade de raciocínio escravizando-as aos pré-conceitos irracionais dos pais (que os receberam da mesma forma em sua infância, etc.)

_ Se Deus não existe, por que ser bom? – Humanos, somos naturalmente dotados de senso do certo e do errado, de uma profunda moralidade que subsiste apesar – não “por causa” – da religião. Leia-se o que os livros religiosos ensinam a fazer com “pecadores”, “infiéis” e “hereges” e se verá que nenhum livro religioso escrito durante o Neolítico traz balizamento moral a um comportamento civilizado.

Fica a leitura enfaticamente recomendada principalmente por seu rigor científico.

domingo, 1 de julho de 2012

As imagens do humano em Deus




Por: Marcio Alves

 "O homem encontra e desenha o “in-desenhado” e “in-contravel” Ser em seu próprio e limitado ser existencial, com sua mentalização e sentimentalização de aperceber e apreender o divino em si, pois deus só pode ser deus de cada individuo, sendo um espelho a refletir a imagem do homem que diz servir-lo, mas que na verdade é servido para si mesmo, para as suas projeções auto projetadas da sua psique inconsciente"

O Ser supremo nomeado pelo humano de “Deus” do alto de sua infinita e desconhecida imagem é não tendo uma imagem limitada que possa descrever e enquadrar seu ser, pois todas as imagens criadas foram e serão “in-criadas” a partir dele mesmo, não sendo e não podendo ser exata, mas si sendo real nos corações de quem sente e fabrica, pois é na verdade a realidade singular do sujeito que vai de si para si mesmo, não sendo o absoluto, por isso é relativizada pelos homens, não para a gloria do Ser, mas para a própria gloria terrestre do humano.

"(...) projeta sua autoimagem dele e para ele, declarando e sistematizando o divino de sua percepção nele mesmo, sendo posto no pedestal da adoração, adorando o Ser de sua imaginação"

O homem encontra e desenha o “in-desenhado” e “in-contravel” Ser em seu próprio e limitado ser existencial, com sua mentalização e sentimentalização de aperceber e apreender o divino em si, pois deus só pode ser deus de cada individuo, sendo um espelho a refletir a imagem do homem que diz servir-lo, mas que na verdade é servido para si mesmo, para as suas projeções auto projetadas da sua psique inconsciente.

"A figura das imagens esculpidas da não realidade visível, pintadas e moldadas pelo caráter e temperamento do próprio homem, tem sua gênese da não descoberta empírica do grande assombro, sendo desenvolvida a prematura necessidade de necessitar verbalizar o inefável, com os mais variados sons antropológicos das sociedades"

Pensando ter finalmente encontrado o supremo Ser do universo, mas sem saber que não achou Ele, projeta sua autoimagem dele e para ele, declarando e sistematizando o divino de sua percepção nele mesmo, sendo posto no pedestal da adoração, adorando o Ser de sua imaginação, embora seja Ele (Deus) mesmo não outro, para o individuo que revela o seu desejo de procurar pela busca de encontrar no encontro que se dá consigo mesmo, sendo real e verdadeiro para milhões que experimenta a experiência deste encontro que nomeia-se Deus.

"Mas a grande ilusão é iludir-se a si mesmo dizendo que este desenho pintado, esta musica tocada, esta linguagem decifrada, este sons ouvidos, “sentido sentido”, da não materialização, visibilidade e compreensão do divino no humano em formas do saber pensado, construído, intuído, sentido e finalmente crido pelo seres humanos, ser o mesmo Ser, sendo que nunca foi e nunca será, pois se algum dia for, então mesmo assim pode concluir o saber que não passou de não saber"

Pois o Ser sabendo que não poderia ser exaurido pelo conhecer das percepções do pensamento e sentimento da averiguação minuciosa da criatura, deixa sua própria marca de pegadas sutis na areia da vida subjetivada pela nitidez da percepção humanista, para que mesmo através das autoimagens criadas, possa ser revelado que Ele é e que existe existindo em cada realidade existente na criatura viva.

A figura das imagens esculpidas da não realidade visível, pintadas e moldadas pelo caráter e temperamento do próprio homem, tem sua gênese da não descoberta empírica do grande assombro, sendo desenvolvida a prematura necessidade de necessitar verbalizar o inefável, com os mais variados sons antropológicos das sociedades.

"O homem revela quem é mostrando no que crer e quem é o que ele crer, pois a sua crença é uma revelação de si mesmo e não do supremo Ser (...)"

Mas a grande ilusão é iludir-se a si mesmo dizendo que este desenho pintado, esta musica tocada, esta linguagem decifrada, este sons ouvidos, “sentido sentido”, da não materialização, visibilidade e compreensão do divino no humano em formas do saber pensado, construído, intuído, sentido e finalmente crido pelo seres humanos, ser o mesmo Ser, sendo que nunca foi e nunca será, pois se algum dia for, então mesmo assim pode concluir o saber que não passou de não saber.

"Com este texto o que eu proponho hoje, não é a questão “Se Deus existi ou não”, mas que mesmo existindo, se partimos desta premissa, todos os Deuses de todas as religiões e crenças não passam de criações humanas, e, que “Deus mesmo” é totalmente desconhecido por nós, o que equivale a dizer “Deus não existe!”, ou seja, para o homem não há um Deus existindo fora dele, perdido em  algum lugar no universo, mas antes, dentro dele"

O supremo Ser não sofre influencia das influencias humanas, sejam negativas ou positivas, pois não é processado no seu desenvolvimento como se fora uma criatura, pois não é sendo o criador, vê em si mesmo e não no reflexo dos homens, ser suficientemente suficiente com Ele e para Ele.

O homem revela quem é mostrando no que crer e quem é o que ele crer, pois a sua crença é uma revelação de si mesmo e não do supremo Ser, pois não passa de sua auto imagem e descoberta, se modelando em sua crença, formando e definido quem realmente ele é no que pensa ser o grande Ser, mas não sendo para ser quem realmente é o seu oculto ser revelado nas inúmeras imagens da psique humana.



P.S.: Texto escrito por mim em 08/03/2010 quando estava no final do processo de descrença, nesta época a ultima das crenças que ainda restava em mim era a crença em “Um Ser Superior”.

Com este texto o que eu proponho hoje, não é a questão “Se Deus existi ou não”, mas que mesmo existindo, se partimos desta premissa, todos os Deuses de todas as religiões e crenças não passam de criações humanas, e, que “Deus mesmo” é totalmente desconhecido por nós, o que equivale a dizer “Deus não existe!”, ou seja, para o homem não há um Deus existindo fora dele, perdido em  algum lugar no universo, mas antes, dentro dele.





sábado, 23 de junho de 2012

A opinião sincera de um ex-crente e atual ateu sobre a bíblia “sagrada”




Por: Marcio Alves


Chegou a hora de dar o último, o principal, porém, delicadíssimo passo, rumo à desconstrução total dos dogmas pétreos do Cristianismo ortodoxo.
Eu quero declarar em alto e bom som, minha mais sincera e transparente aversão a palavra dita de Deus.

Palavra esta que se for “literalmente literalizada”, muitos dos seus episódios “ocorridos”, torna Deus em um grande Ser desprovido de inteligência e amor.
Pois se não, vejamos:

Conto da desobediência humana, (Adão e Eva) sendo uma alternativa dada por Deus? Se for escolha, logo se segue que não deveria isto, levar o Senhor a amaldiçoar o homem, aja visto, Ele próprio ter decidido dar livre arbítrio para o mesmo. Como pode ser livre, se foi, é, e será punido?

Outro episodio que para mim é muito mais uma fabula do que realidade, embora o evento em si, seja factual, pois é constatado pela ciência que realmente houve um dilúvio, porém, as inúmeras estórias que são em diversas culturas contadas e recontadas, não passam de fabulas, ou será que imaginamos uma real possibilidade do “perfeito deus” ter de fato se arrependido de criar o homem, e, depois que o destrói, volta a se arrepender de novo, só que desta vez, por haver destruído o homem?

E a dramática e desumana estória (com “e”, e não com “h”) de Deus pedindo para Abraão sacrificar o seu único filho Isaque, como se fosse um animal, por causa de um estúpido teste, para saber se no final das contas, ele amava mesmo ou não Deus?

Oras, se isto for lido literalmente, nós temos um problema grave, pois isto revelaria um deus sádico, cruel e desumano, ou então, um Ser desprovido de inteligência e conhecimento prévio do futuro, pois não sabia Ele que é justamente “onisciente”, que Abraão o amava de verdade?
Então porque Ele precisava testar este amor?

E o caso lamentável de orgulho e exibicionismo da mais pura vaidade divina, que por causa de uma acusação inverídica do diabo, o soberano, déspota e arrogante “Deus”, resolve apostar com a vida de Jó, como se fosse um brinquedinho divino, que no final de tudo ainda, depois de delegar ao diabo poder total sobre Jó, que foi brutalmente destruído, tudo que tinha, não somente os bens materiais, mas também todos os seus filhos, ficando numa doença miserável, encontra-se com o criador, e vai simplesmente desabafar com Ele, e é, por isto, injustamente e duramente acusado pelo mesmo soberano, de disputar com Ele, quando nada sabe e nada entende?
Mas como haveria de entender, se nada viu e soube, e nem ainda se quer ficou sabendo, nem foi muito menos avisado?

E as dezenas de relatos das guerras e destruição, cometidos pelos Israelitas em nome de Deus?
Como explicar os genocídios e infanticídios que foram todos causados, por uma “motivação divina”, em que o povo Israelita se achou no direito, pois eram os escolhidos, em nome de Yavé, exterminar todos os outros povos em seu redor?

Percebe-se que é esta literalidade, glorificada e defendida com unhas e dentes pelos “guardiões da reta doutrina”, que precisamos jogar na lata do lixo, se ainda desejamos ler a bíblia sem repulsa e indignação, apenas contemplando com os olhos da alma, as suas belas e significativas metáforas, mitos e fabulas.

Mas não! A bíblia é colocada no mais alto pedestal, onde é idolatrada pelos evangélicos, tida como sagrada e reverenciada, igual ou até mesmo mais, do que o próprio Cristo ou/e Deus, podendo ser questionado tudo, menos a tal da “inspiração” e “inerrância” divina dos textos canônicos, tido como literais, daí a expressão ser mesmo o fundamentalismo xiita e talibanês dos crentes.

Mas não para por ai o meu ódio em relação à pretensa “palavra de deus”, tida como verdade absoluta do Cristianismo. Pois também no novo testamento, encontro mandamentos que são contrários a vida, como por exemplo, a demonização do corpo em favor da exaltação da alma, sendo tudo aquilo advindo e para o corpo, estigmatizado e considerado pecado, mas aquilo que for para alma é santo e puro!

Um deus avesso a vida, a alegria, a diversão e o mais delicioso prazer, com a promessa fantasiosa e alienante, de uma vida melhor no além, para o descanso da alma, mas em compensação em oposição ao corpo, que na linguagem cristã, para nada presta.

Sendo a liberdade humana restringida e limitada pelos cabrestos auto-impostos pelas inúmeras regras e mandamentos, como se a vida se resumisse a um mero comprimento de normas cinzentas e anti-alegres, onde o gozar o prazer na carne é o maior pecado, mas se esquecem que o que temos neste mundo é justamente o nosso corpo, e é com ele que podemos contar e devemos valorizar cada momento de nossa efêmera vida, não abrindo mão de nossa atual existência, por uma recompensa futura no céu que talvez não exista, e que seja apenas uma manobra política do império romano, para anestesiar o povo oprimido de sua época.

Falar em império romano, não é muito estranho ser justamente isto, que Jesus nos evangelhos, vai mais apoiar e incentivar, um total abandono por vingança, e um amor e perdão incondicional dado por aqueles que nos oprimem e nos tiranizam, ser direcionado a um povo pobre, injustiçado e indefeso pelo poder político do império?

Lembrando que o novo testamento como conhecemos hoje, foi justamente juntado e acabado pelo imperador Constantino, que talvez, pode ter adulterado muitas coisas nos mesmos, tentando levar vantagem sobre a massa oprimida por ele.

Pois sem duvida alguma, de todos os ensinamentos dados por Jesus, o mais estranho é o de amar incondicionalmente os inimigos, tiranos e assassinos, pois mesmo que se consiga tal atitude desumana, as pessoas seriam anestesiadas e impedidas de lutar, se preciso for, com suas próprias vidas, em pró de uma vida mais justa, e contra a opressora tirania.

É muito argucioso e pura esperteza mesmo, se de fato Constantino inventou e colocou na boca de Jesus, o sermão da montanha, pois tal ensinamento é uma apologia total em favor dos oprimidos, fracos e marginalizados, oferecendo aos mesmos, uma anestesia paralisante de revolta contra suas situações, sendo os mesmos levados a entender que aquilo justamente é o passaporte seguro para uma vida feliz no paraíso, mas lembrando, não é para aqui, sendo somente quando morrer, ou seja, domestica e inibi qualquer vontade de lutar contra a opressão.

Em fim, eu odeio este lado nefasto da bíblia, porém as suas profundas, significativas e ricas metáforas, fábulas, poesias, símbolos e estórias, minha mais verdadeira devoção!

Texto escrito e postado originalmente, por mim, no blog: http://cpfg.blogspot.com.br/2010/05/abominacao-sagrada-da-biblia.html    em 25/03/2010 

Com o titulo: A abominação “sagrada” da bíblia

Postagem esta que alcançou a incrível marca de 496 comentários, sendo até hoje a postagem mais comentada de todos os tempos daquele blog! Vale apena acessar e ler os comentários feitos nesta postagem!

domingo, 27 de maio de 2012

Coisas para dizer ao meu filho antes de morrer (parte 3): O amor


          Eu e meu filho Alexandre na foto acima

Por: Marcio Alves

Filho, não se iluda com o amor romântico idealizado e propagado por filmes e livros, pois o “amor” do dia a dia é totalmente diferente das aventuras amorosas vivida por personagens em filmes fictícios.
Se fores para um casamento pensando que será “mil e umas” maravilhas, que não haverá problemas, que todo dia irás acordar mais apaixonado que antes, estais correndo um grande perigo de lá na frente se frustrares. Mas o grande problema não é a frustração em si, antes, você ficar a vida toda procurando um amor idealizado e ilusório que nunca acontecerá.

Embora não vejo mal em você casar e depois separar, como também continuar casado, como nunca se casar, apenas quero que você tenha esta consciência madura e sabia de que todo relacionamento tem conflito, que toda mulher tem defeito, que todo casamento é problemático, mas, no final irás descobrir como é importante, talvez até necessário estar com alguém de quem você gosta muito e se identifica, pois ninguém vive completamente sozinho. Tenha sempre em mente que o “gostar de estar junto” é um dos principais pontos de um bom relacionamento.

Aliás, casar ou não casar, fica com a mesma pessoa para o resto da vida, ou trocar de relacionamentos como se troca de roupas, tudo isto cabe a você decidir, pois na vida sempre precisamos fazer escolhas que por si mesmo geram angustias por serem difíceis e também pela responsabilidade que assumimos quando tomamos decisões.
Lembrando filho que mesmo quando você não escolhe, porque acha que não tem escolha, isto já é em si mesmo uma escolha: a escolha de não escolher, de se deixar escolher pelas “rodas do destino”.

Penso que seria legal você ter vários relacionamentos antes de tomar a decisão de morar com uma pessoa, pois isto te daria mais estrutura, porque não importa o quanto eu te aconselhe, tem coisas na vida que você terá que vivenciar para saber, até porque, o mais importante é a experiência de vida do que o saber. Vale mais uma vida vivida do que pensada.

Fique esperto meu filho com sua futura mulher, pois saiba que a mulher mais fácil de ser cantada e conquistada pelos homens é justamente a mulher casada, sabe por quê? (claro que não né meu filho, (risos) você só tem cinco anos de idade, e quando estiver lendo este meu texto provavelmente ainda serás adolescente)
Geralmente quando casamos relaxamos no casamento; já não cortejamos mais quando na época éramos namorados, e cada dia vai ficando pior. O homem já não abre mais a porta do carro para a mulher descer ou subir, já não leva mais para jantar, já não dá mais flores, e, principalmente já não repara mais na mulher, muito menos faz elogios para ela, nem que seja para mentir, mas dizer mentiras quando se ama é a maior verdade e sinceridade, pois esta mentindo justamente para agradar quem se ama.

Por isso meu filho, não gostaria de vê-lho sofrer por mulher alguma, embora seja praticamente impossível, até porque sinônimo de amar e sofrer.
Mas sofrer quando se ama é bom, o que não quero é que você sofra por traição, embora, num relacionamento mesmo estável e de boa qualidade, quando um dos dois resolve chutar o “pau da barraca” não tem jeito.  Mesmo assim sua parte é de ser sempre carinhoso e atencioso com sua mulher ou mulheres. Faça sua parte para depois você conseguir dormir em paz com sua consciência. Mas saiba que mesmo assim, você pode ser traído, porque quando a mulher resolve trair seu marido porque quer trair, não precisa de motivos óbvios, ela trair e consegue disfarçar melhor do que o homem. Mas geralmente elas fazem isto muito mais por vingança e/ou por um “bom” motivo, do que pela simples vontade banal de fazer.

Portanto, todo casamento é um tiro num escuro, porque a pessoa com que você casa é uma, mas no decorrer do casamento todos nós vamos mudando e nos transformando, deve ser por isso que temos o costume de quando uma relação termina, falar que não deu certo, de que perdemos o tempo, ou acusamos a outra pessoa de nunca ter nos amado. Mais isto não é verdade meu filho, simplesmente é porque o amor terminou, mais isto não quer dizer que não foi verdadeiro e bom enquanto durou.

Então aproveite vivendo o máximo possível do momento bom que você estará vivendo com sua namorada, noiva ou mulher. Não se preocupe em se frustrar com os relacionamentos, em sofrer por amor, em perder quem você ama. Simplesmente se lance na vida, permita-se correr risco, pois se frustrar e sofrer faz parte da própria existência.

sábado, 12 de maio de 2012

O que vemos, como vemos e porque vemos?


Por: Marcio Alves

A percepção social se dá no encontro com o outro. Quando passamos a perceber o outro diferente ou igual a nós, e, isto ocorre através do processo de percepção, não somente da presença enquanto física, mas também do conjunto de características que o outro possui e nos apresenta.

Esta percepção se torna possível, mediante a interação e organização das informações que vamos colhendo do nosso meio, através de nossa cognição, que passa necessariamente pelo processo de recebimento dos estímulos, internos e externos, pelos órgãos dos sentidos como também pelo sentido e significado dado por nós a estes mesmos estímulos, conforme mencionado nos estudos de Bahia bock, Furtado e Teixeira. (1999 p.136)

Esta percepção também passa pela comunicação ativa ou passiva do sujeito com seu meio social. E esta comunicação pode ser verbal (através de palavras escritas ou faladas) como também corporal (expressões e gestos do corpo) e até por variados e muitos códigos visuais. 

Entendemos, através do estudo da psicologia social, que a interação do sujeito com seu meio, seja físico e/ou social, é fruto da relação percepção, organização das informações, mais afeto, positivo ou negativo, com este mesmo meio, resultando em atitude que leva ater um determinado comportamento (ação).

Vale salientar aqui, o significado que a psicologia social dá para o termo “atitude”, conforme bem nos explica Bahia bock, Furtado e Teixeira dizendo que “Portanto, para a Psicologia social, diferentemente do senso comum, nós não tomamos atitudes (comportamento, ação), nós desenvolvemos atitudes (crenças, valores, opiniões) em relação aos objetos do meio social”. (1999 p.137)

Ou seja, primeiro o individuo desenvolve uma atitude, que são suas crenças, valores, opiniões, preferências e predisposições, sejam favoráveis ou desfavoráveis, em relação a determinados tipos de objetos, pessoas e situações, para depois, consequentemente, tomar um comportamento (ação). 

Quer dizer então, que para a psicologia social, as nossas atitudes antecedem e provocam nosso comportamento, nos movendo e determinando nossa ação no meio social. Só que o mais interessante é que estas mesmas atitudes são modeladas através do meio social, a qual, este mesmo sujeito pertence e está diretamente inserido, pois o grupo é o lugar de referencia e preferência deste sujeito que passa a ter o mesmo como base e parâmetro de como se deve comportar, falar, ouvir, perceber, entender, identificar, aprovar ou reprovar e até se relacionar com o outro.

Podemos então nos perguntar “se conhecermos as atitudes de uma determinada pessoa, será possível então prevermos antecipadamente o comportamento dela?”. 

Os autores Bahia bock, Furtado e Teixeira respondem esta pergunta afirmando que “(...) não é com tanta facilidade que conseguimos prever o comportamento de alguém a partir do conhecimento de sua atitude, pois nosso comportamento é resultante também da situação dada e de várias atitudes mobilizadas em determinada situação” (1999 p.137)

Ou seja, não é porque “sicrano” tem uma atitude negativa (não gosta, não se identifica e até reprova) em relação ao “fulano” é que o seu comportamento será de ignorar, (não conversando) ou até brigar com esta mesma pessoa, porque em um determinado contexto e situação (exemplo: no serviço, escola ou família) ela pode vir “precisar” a se relacionar, suportando o outro.

Importante também destacar que nossas atitudes podem ser mudadas diante do aparecimento de novas informações, afetos, comportamentos e situações vivenciadas, como nos mostra novamente Bahia bock, Furtado e Teixeira ao dizer que “Existe uma forte tendência a manter os componentes das atitudes em consonância. Informações positivas (...) levarão a afeto positivo. Informação positiva e afeto positivo levam a um comportamento favorável na direção do objeto” (1999 p.138)

Isto quer dizer que se o “sicrano” tem uma atitude negativa em relação ao “fulano”, o “sicrano” pode ter a sua atitude que antes era negativa, mudada para positiva, mediante o contato (situação nova vivida) com o “fulano”, passando a admirar (afeto novo) qualidades antes não percebidas (informações novas), numa dada circunstancia de ter que trabalhar junto, numa mesma empresa, se comunicando com ele. (necessidade)

Nesta percepção do outro, os papeis sociais (papeis pré-estabelecidos e pré-determinados pelo meio social cultural) são importantes para nossa compreensão desta mesma percepção, porque são eles (papeis sociais) que vão dirigir nosso modo de ver o outro e nos ver também.

“Qual comportamento esperar do professor em uma sala de aula?” Que ensine, transmitindo os conteúdos de uma dada matéria, para seus alunos de uma maneira didática, ou seja, assim como os professores tem um papel social já pré-estabelecido, existem vários tipos de papeis sociais que são apreendidos pelo sujeito, que passa não somente a perceber e saber o que esperar do outro em seu papel, como também ele mesmo tem seus próprios papeis os quais devem ser incorporados e vivenciados em seu dia a dia, e, como os autores Bahia Bock, Furtado e Teixeira, brilhantemente, sintetizam o estudo levantados por eles afirmando que “Aprender os nossos papéis sociais é, na realidade, aprender o conjunto de rituais que nossa sociedade criou”. (1999 p.140)


Texto extraído de uma parte do trabalho cientifico e acadêmico que fiz, para faculdade, sobre o tema: “A Psicologia Social – percepção social”.

sábado, 5 de maio de 2012

Caça às Bruxas na Alemanha (depoimentos de um padre)


 Por Edson Moura

A verdade é que nós humanos não sabemos (e talvez nunca saberemos) do que somos realmente capazes, e acredito que cabe a nós, de forma bem particular, e com a mais pura honestidade, averiguar as medidas que às vezes tomamos (ou que tomam pela gente) para nos proteger de nós mesmos. Ultimamente tenho me interessado muito pela questão da “alucinação”, e fui buscar em artigos, livros, documentários de televisão, mais informações sobre o tema. Parti do princípio que todos nós sofremos (em maior ou menor grau) algum tipo de alucinação, no decorrer de nossa vida. Alguns falam em abdução extraterrestre, outros falam em ouvir vozes de comando claramente, já outros falam de perseguições, enfim, é uma gama de situações em que, o indivíduo acredita piamente que está, vendo ou ouvindo algo que ninguém mais (por mais que o outro se esforce), consegue ver.


Quero voltar um pouco no tempo, numa época em que não tínhamos a Psicanálise, a Tecnologia Espacial, a Medicina Psiquiatrica e nem os fármacos desenvolvidos pela Ciência. Vou  tomar como exemplo o caso do período da “Caça às Bruxas” que ocorreu na Europa em também do lado de cá do Oceano Atlântico. Proponho a você que está lendo, uma abertura no seu conhecimento, uma rejeição total ou parcial dos mitos e crenças em que acredita, ou aceita como inofensivos. A ideia deste texto não é mostrar o óbvio, não, a intenção é ir mais além, ou seja, questionarmo-nos se de fato já estamos preparados, (agora quase quatro séculos depois) para aceitarmos como verdade absoluta tudo que nos foi deixado, ou melhor, tudo que nos é proposto como atos voltados para a segurança e bem estar do cidadão.

Trago a todos, um recorte que achei muito interessante, de um Jesuíta que teve o azar de escutar as confissões dos acusados de bruxaria na cidade alemã de Würtzburg. Seu nome era Friedrich von Spee.  Em 1631 publicou Cautio Criminalis (precauções para os acusadores), onde explicitou a essência daquele terrorismo da Igreja-Estado contra os inocentes. Antes de Spee receber seu castigo, morreu vítima de uma epidemia de peste... atendendo aos afligidos como padre da paróquia. Aqui temos um resumo de seu livro: Prestem bem atenção, pois é a narrativa de testemunha ocular.

1. Por incrível que pareça, entre nós, alemães, e especialmente (envergonha-me dizê-lo) entre católicos, há superstições populares, inveja, calúnias, maledicências, insinuações e similares que, ao não serem castigadas nem refutadas, levantam a suspeita de bruxaria. Já não Deus ou a Natureza, a não ser as bruxas, são as responsáveis por tudo.

2. Assim, todo mundo clama para que os magistrados investiguem as bruxas... a quem só a intriga popular tem feito tão numerosas.

3. Os príncipes, em consequência, pedem a seus juízes e conselheiros que abram os processos contra as bruxas.

4. Os juízes logo que sabem por onde começar, já que não têm evidências nem provas.

5. Enquanto isso, a gente considera suspeito este atraso; e um informador ou outro convence aos príncipes a tal efeito.

6. Na Alemanha, ofender a estes príncipes é um sério delito; até os sacerdotes aprovam o que possa lhes agradar sem preocupar-se de quem instigou aos príncipes (por muito bem intencionados que sejam).

7. Ao final, portanto, os juízes cedem a seus desejos e conseguem dar inicio aos julgamentos.

8. Os juízes que se atrasam, temerosos de ver-se envoltos em assunto tão espinhoso, recebem um investigador especial. Neste campo de investigação, toda a inexperiência ou arrogância que se aplique à tarefa se considera zelo da justiça. Este zelo também se vê estimulado pela expectativa de benefício (grifo meu), especialmente para um agente pobre e avarento com uma família numerosa, quando recebe como estipêndio tantos dólares por cabeça de bruxa queimada, além das taxas incidentais e gratificações que os agentes instigadores têm licença para arrancar com prazer daqueles aos que convocam.

9. Se os desvarios de um demente ou algum rumor malicioso e ocioso (porque não se necessita nunca uma prova do escândalo) assinalam a uma pobre mulher inofensiva, ela é primeira em sofrer.

10. Entretanto, para evitar a aparência de que a acusa unicamente sobre a base de um rumor, sem outras provas, obtém-se uma certa presunção de culpabilidade ao expor o seguinte dilema: ou levou uma vida má e imprópria, ou levou uma vida boa e própria. Se for má, deve ser culpada. Por outro lado, se sua vida foi boa, é igual de imperdoável; porque as bruxas sempre simulam com o fim de aparecer especialmente virtuosas.

11. Em consequência, encarcera-se à velha. Encontra-se uma nova prova ediante um segundo dilema: Tem medo ou não o tem?. Se o tiver (quando escuta as horríveis tortura que se utilizam contra as bruxas), é uma prova segura; porque sua consciência a acusa. Se não mostrar temor (confiando em sua inocência), também é uma prova; porque é característico das bruxas simular inocência e levar até o final.

12. Em caso de que estas fossem as únicas provas, o investigador faz que seus detetives, frequentemente depravados e infames, vasculhem em sua vida anterior. Isto, certamente, não pode fazer-se sem que apareça alguma frase ou ato da mulher que homens tão bem dispostos possam torcer ou distorcer para convertê-lo em prova de bruxaria.

13. Todo aquele que lhe deseje mal tem agora grandes oportunidades de fazer contra ela as acusações que deseje; e todo mundo diz que as provas contra ela são consistentes.

14. E assim a conduz a tortura, a não ser, como acontece frequentemente, que a bruxa seja torturada o mesmo dia de sua detenção.

15. Nesses julgamentos não se permite a ninguém ter advogado nem qualquer meio de defesa justa porque a bruxaria é considerada um delito excepcional (de tal enormidade que se podem suspender todas as normas legais de procedimento), e quem se atreve a defender à prisioneira cai sob suspeita de bruxaria pessoalmente... assim como os que ousam expressar um protesto nestes casos e apressam aos juízes a exercitar a prudência, porque a partir de então recebem o qualificativo de defensores da bruxaria. Assim, todo mundo guarda silêncio por medo.

16. A fim de que possa parecer que a mulher tem uma oportunidade de defender-se a si mesmo, levam-na ante o tribunal e se procede a ler e examinar (se é que se pode chamar assim) os indícios de sua culpabilidade.

17. Até no caso que negue essas acusações e responda adequadamente a cada uma delas, não lhe empresta atenção e nem sequer se anotam suas respostas; todas as acusações retêm sua força e validez, por muito perfeitas que sejam as respostas. Ordenam-lhe retornar à  prisão para pensar mais atentamente se persistirá em sua obstinação... porque, como negou sua culpabilidade, é obstinada.

18. No dia seguinte  voltam a levá-la para fora e ela então escuta o decreto de tortura, como se nunca tivesse rechaçado as acusações.

19. Antes da tortura, entretanto, revistam-na em busca de amuletos; barbeiam-lhe todo o corpo e lhe examinam sem moderação até essas partes íntimas que indicam o sexo feminino.

20. O que tem isso de assombroso? Aos sacerdotes os trata do mesmo modo.

21. Quando a mulher foi barbeada e examinada, torturam-na para lhe fazer confessar a verdade, quer dizer, para que declare o que eles querem, porque naturalmente não há outra coisa que seja nem possa ser a verdade.

22. Começam com o primeiro grau, quer dizer, a tortura menos grave. Embora dura em excesso, é suave comparada com as que seguirão. Assim, se confessar, dizem que a mulher confessou sem tortura!

23. Agora vejam bem, que príncipe pode duvidar de sua culpabilidade quando lhe dizem que confessou voluntariamente sem tortura?

24. Condenam-na a morte sem escrúpulos. Mas a teriam executado embora não tivesse confessado; porque, assim que a tortura começou, a sorte já está lançada; não pode escapar, tem que morrer à força.

25. O resultado é o mesmo tanto se confessar como se não. Se confessar, sua culpa é clara: é executada. Qualquer retratação é em vão. Se não confessar, a tortura se repete: dois, três, quatro vezes. Em delitos excepcionais, a tortura não tem limite de duração, severidade ou frequência.

26. Se, durante a tortura, a velha contorcer suas feições com dor, dizem que ri; se perder o sentido, dizem que se dormiu ou está sob um feitiço demônio. E, se está entorpecida, merece ser queimada viva, como se tem feito com alguma que, embora torturada várias vezes, não dizia o que os investigadores queriam.

27. E inclusive confessores e padres afirmam que morreu obstinada e impenitente; que não se converteu nem abandonou seu íncubo, mas sim manteve sua fé nele.

28. Entretanto, se morrer sob tanta tortura, dizem que o diabo lhe quebrou o pescoço.

29. Depois do qual o cadáver é enterrado debaixo da forca.                   

30. Por outro lado, se não morrer sob tortura e se algum juiz excepcionalmente escrupuloso não torturá-la mais sem maiores provas, ou queimá-la sem confissão, mantêm-na no cárcere e a encadeiam com a máxima dureza para que se apodreça até que ceda, embora possa passar um ano inteiro.

31. A acusada não pode liberar-se nunca. O comitê investigador cairia em desgraça se absolvesse a uma mulher; uma vez presa e com cadeias, tem que ser culpado, por meios justos ou ilícitos.

32. Enquanto isso, sacerdotes ignorantes e teimosos perturbam à desgraçada criatura a fim de que, seja certo ou não, se declare culpada; Se não fazê-lo assim, dizem, não pode ser salva nem participar dos sacramentos.

33. Sacerdotes mais longânimos ou cultos não a podem visitar no cárcere para evitar que lhe deem conselho ou informem aos príncipes do que ocorre. O mais temível é que saia à luz algo que demonstre a inocência da acusada. As pessoas que tentam fazê-lo recebem o nome de perturbadores.

34. Enquanto a mantêm na prisão e sob tortura, os juízes inventam ardilosos mecanismos para reunir novas provas de culpabilidade com o fim de declará-la culpada de modo que, ao revisar o julgamento, algum facultativo universitário possa confirmar que devia ser queimada viva.

35. Há juízes que, para aparentar uma bondade suprema, fazem exorcizar  mulher, transferem-na a outra parte e a voltam a torturar para romper sua letargia; Se mantém silêncio, então ao menos podem queimá-la. Agora bem, em nome do Céu, eu gostaria de saber: se tanto a que confessa como a que não, perecem do mesmo modo, como pode escapar alguém por inocente que seja? Oh mulher infeliz, por que alimentaste esperança? Por que, ao entrar no cárcere, não admitiu em seguida o que eles queriam? Por que, mulher insensata e louca, desejou morrer tantas vezes quando poderia ter morrido só uma? Segue meu conselho e, antes de suportar todos estes maus, dissesse que é culpada e morre. Não escapará, porque seria uma desgraça catastrófica para o zelo da Alemanha.

36. Quando, sob a tensão da dor, a bruxa confessa “culpa”, sua situação é indescritível. Não só não pode escapar, mas também se vê obrigada a acusar a outras que não conhece, cujos nomes com frequência põem em sua boca os investigadores ou sugere o executor, ou são os que ouviu como suspeitas ou acusadas. Estas por sua vez se veem forçadas a acusar a outras, e essas,  a outras, e assim sucessivamente: quem pode deixar de ver isto?

37. Os juízes devem suspender esses julgamentos (e impugnar assim sua validez) ou queimar a sua família, a eles mesmos e a todos outros; porque todos, antes ou depois, são acusados falsamente; e, depois da tortura, sempre se demonstra que são culpados.   

38. Assim, finalmente, os que ao princípio clamavam com maior força para alimentar as chamas se veem eles mesmos implicados, porque não atinaram a ver que também lhes chegaria a vez. Assim o Céu castiga justamente aos que com suas línguas pestilentas; criaram-se tantas bruxas e enviaram à fogueira a tantas inocentes...
Von Spee não explícita os horríveis métodos de tortura que se empregavam. Transcrevo aqui um resumo de uma valiosa recopilação da enciclopédia de bruxaria e demonologia, do Rossell HopeRobbins(1959):

“Pode-se jogar uma olhada a alguns das torturas especiais do Bamberg, por exemplo, como alimentar pela força à acusada com arenques cozinhados com sal e logo lhe negar a água... um método sofisticado que ia unido à imersão da acusada em uma bacia de água fervendo a que se acrescentou cal. Outras formas de tortura para as bruxas eram o cavalo de madeira, vários tipos de potros, a cadeira de ferro quente, tornos de pernas (botas espanholas) e grandes botas de metal ou couro nas que (com os pés dentro, certamente) vertia-se água fervendo ou chumbo fundido. No tortura da touca, se fazia beber água à acusada com um tecido macio para lhe provocar asfixia. A seguir se retirava rapidamente a gaze para lhe rasgar as vísceras. “Os Anjinhos”, tinham o objetivo de comprimir o polegar da mão ou o dedo gordo do pé na raiz das unhas de modo que a dor ao apertar fosse insuportável”.

“Além disso, aplicavam-se rotineiramente a estrapada, o trampazo e torturas ainda mais desagradáveis que me absterei de descrever. Depois da tortura, e com os instrumentos da mesma ao alcance da visão da “bruxa”, pede-se à vítima que assine uma declaração, que a seguir se qualifica de “livre confissão” admitida voluntariamente”.

Com grande risco pessoal, Von Spee protestou contra a perseguição das bruxas. Também o fizeram outros, principalmente padres  católicos e protestantes que tinham sido testemunhas da pratica desses crimes: Gianfrancesco Ponzinibio na Itália, Cornelius Loos na Alemanha e Reginaid Scot em Grã-Bretanha no século XVI; assim como Johann Mayfurth (“Escutem, juízes famintos de dinheiro e perseguidores sedentos de sangue, as aparições do Diabo são pura mentira”, é o que ele bradava) na Alemanha e Alonso Salazar de Frite na Espanha no século XVII. junto com o Von Spee e os Quakers. (Criado em 1652, pelo inglês George Fox, o Movimento Quaker pretendeu ser a restauração da fé cristã original, após séculos de apostasia; eles se chamavam de "Santos", "Filhos da Luz" e "Amigos da Verdade" – donde surge, no século XVIII, o nome "Sociedade dos Amigos".

A Sociedade dos Amigos reagiu contra o que considerava abusos da Igreja Anglicana, colocando-se como "sob a inspiração direta do Espírito Santo". Os membros desta sociedade, ridicularizados no século XVII com o nome de quakers (inglês para "tremedores"), que a maioria adota até hoje, rejeitam qualquer organização clerical, para viver no recolhimento, na pureza moral e na prática ativa do pacifismo, da solidariedade e da filantropia. Perseguidos na Inglaterra por Carlos II, os quakers emigraram em massa para os Estados Unidos, onde, em 1681, criaram, sob a égide de William Penn, a colônia da Pensilvânia. Em 1947, os comitês ingleses e americanos do Auxílio Quaker Internacional receberam o Prêmio Nobel da Paz. 

Esses homens, em minha opinião e é quase um consenso, são heróis de nossa espécie. A pergunta que fica é: Por que não são mais conhecidos?

Até o século XVIII não se contemplou seriamente a possibilidade da alucinação como componente da perseguição das bruxas; o bispo Francis Hutchinson, em seu Ensaio histórico sobre bruxaria (1718), escreveu:

Muitos homens tinham acreditado ver de verdade um espírito externo ante eles, quando era só uma imagem interna que dançava em seu próprio cérebro.

Graças à valentia dos que se opuseram à perseguição das bruxas, a sua extensão até as classes privilegiadas, ao perigo que entranhava para a crescente instituição do capitalismo e, especialmente, à dispersão das ideias da Ilustração europeia, as queimas de bruxas virtualmente desapareceram. A última execução por bruxaria na Holanda, berço da Ilustração, foi em 1610; na Inglaterra, em 1684; na América, em 1692; na França, em 1745; na Alemanha, em 1775, e na Polônia, em 1793. Na Itália, a Inquisição condenou à morte bruxas até finais do século XVIII e a tortura inquisitorial não se aboliu na Igreja católica até 1816. O último bastião defensor da realidade da bruxaria e a necessidade de castigo foram as Igrejas cristãs.

A perseguição de bruxas foi estúpida e vergonhosa. Como pudemos fazer isso? Como podíamos ter tanta ignorância de nós mesmos e nossas debilidades? Como pôde ocorrer nas nações mais “avançadas”, mais “civilizadas” da Terra, um ato tão bárbaro? Por que a apoiavam resolutamente conservadores, monárquicos e fundamentalistas religiosos? Por que se opunham a isso, liberais quaisquer e seguidores do Iluminismo? Se estivermos absolutamente seguros de que nossas crenças são corretas e as de outros erradas, que nos motiva o bem e aos outros o mal, que o rei do universo nos fala e não aos fiéis de fés muito diferentes, que é mau desafiar as doutrinas convencionais ou fazer perguntas inquisitivas, que nosso trabalho principal é acreditar e obedecer... a perseguição de bruxas se repetirá (com outra roupagem) em suas infinitas variações até a época do último homem. 

Recorde o primeiro ponto do Friedrich Von Spee e o que implica: se o público tivesse compreendido melhor a superstição e o ceticismo, teria contribuído a provocar um corte na série de causas e efeitos. Se não conseguirmos entender como pode acontecer da última vez, não seremos capazes de reconhecê-lo da próxima vez que surgir.



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