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quarta-feira, 18 de julho de 2012

As quatro fases da vida humana



Por: Marcio Alves

Assim como o tempo é marcado por quatro estações, sendo elas primavera, verão, outono e inverno, e cada uma delas sendo diferentes umas das outras, tendo sua singularidade e importância, assim também o é o ser humano que vive quatro estações de vida distintas, e, todas elas com inicio e fim, com toda sua longa e efêmera trajetória de vida, que será marcada diferentemente em cada uma delas, sendo em todas, ele mesmo, mesmo que ele não seja o mesmo, pois assim como o tempo está a mudar constantemente, também somos “condenados” passar pela metamorfose do tempo e experiências, umas belas, outras trágicas, mas todas elas de fundamental importância para nos levar a ser que somos e quem não somos.

Primavera é quando nascemos e passamos a existir na existência do mundo, sendo esta estação o inicio do começo de tudo na nossa vida humana e de tudo que esta ainda por vir, aonde começa a brotar e florir as primeiras flores coloridas de nossa insignificante e bela existência. Nessa estação, tudo é novo, belo e mágico, onde tudo é marcado pelo tempo que parece ser eterno, aonde vamos vivendo as primeiras experiências da vida.
Parece que toda caminhada trilhada humana para frente, na verdade é um caminho de busca para trás, de volta para o inicio, para as primeiras recordações da primavera.

Na segunda estação da vida, chamada de verão é quando somos jovens, estamos no auge da vida com pleno vigor físico, intelectual e sexual, onde somos atraídos pela nossa exuberância de beleza e desejo de viver cada vez mais intensamente, onde não nos preocupamos com a vida, e muito menos com a morte. Alias é nesta fase que temos a sensação de onipotência, que parece que somos imortais e eternos, não conseguimos ainda imaginar que podemos a qualquer momento morrer, pois só queremos aproveitar e viver intensamente a vida. São raros os momentos de raríssimos lampejos do frio que ainda esta para chegar em nossas vidas.

Já na terceira estação da vida que é o outono, é o momento de maior crise e dor é quando nos vemos impotentes, seres finitos, condenados irremediavelmente a velhice para depois a morte e ao fim do ciclo da vida. É a fase das crises de valores, ideais, objetivos e motivações, onde paramos para analisar os caminhos trilhados, descaminhos jamais aventurados. Infelizmente é um momento de dor, da consciência de que muitas das coisas que sonhamos não se concretizaram e nem que vão se concretizar. É a hora da verdade conosco mesmo, do enfretamento da vida tal como ela é, e não como idealizavamos que fosse ser. Nessa fase da vida, não há mais tantas flores, vemos o nosso mundo muitas vezes em preto e branco, não sentimos mais o calor do verão, e a nossa vida como historia parece esvair pelos nossos dedos como areias assopradas e espelhadas pelo vento frio e indiferente do inverno inevitável que se aproxima.

Finalmente, chegamos ao nosso ultimo estagio que é o inverno, nele, não estamos mais em crise conosco, sabemos que o nosso fim é inevitável, que resta apenas poucos anos de vida.
Já não há mais crise, mas apenas o frio da noite escura que sombriamente se aproxima de nós.
Mas já não há mais medo e resistência, como luta contra a morte, mas apenas a aceitação do destino inexorável de nossas vidas. E o que fica é uma consciência madura, sábia, ainda cheia de vida, num corpo “morto” pela velhice sem esperança e sonho juvenis, já sem o vigor físico de outrora, marcado pelas inúmeras tragédias, tristezas, sofrimentos, mas também pelos amores e experiências nostálgicas vividas no tempo mágico da primavera e verão de nossas vidas.

E a pergunta que restará a todos nós respondermos através da experiência das quatro estações é: a vida que vivemos, todas as tristezas como alegrias, derrotas como vitorias, conquistas como frustrações, valeu apena mesmo ser vivida?
Tenho a sensação de que esta pergunta começa a ser respondida no primeiro momento em que nascemos, pois não são as palavras que irão responder esta pergunta, mas sim a nossa própria existência.

domingo, 8 de julho de 2012

O que um ateu pensa da morte




Por: Marcio Alves

Já escrevi alguns textos sobre a morte, dentre eles talvez o mais importante seja mesmo o profundo e filosófico “A morte em dois momentos”, mas sabendo que constantemente estamos sempre mudando e consequentemente atualizando nossa maneira de ver e viver a vida, resolvi então escrever o que penso hoje sobre a morte.

Um texto simples, sincero e objetivo sem o rigor do academicismo que muitas vezes atrapalha mais do que ajuda na compreensão dos leitores.

A morte, assim como o nascimento, são as duas únicas coisas que temos que passar sozinhos, embora muito mais a morte seja mesmo o momento mais angustiante e dramático de toda nossa existência, não o depois, mas aqueles momentos que a antecedem, que eu chamo de “pré-morte”, que é aquelas experiências de quase morte que muitos de nós experimentamos em algum momento de nossas vidas.

Nada mais profundo do que a experiência de ir ao velório de um amigo ou parente nosso, pois só nesses momentos, da “pré-morte” e da “morte do outro” é que são capazes de tirar o ser humano de sua anestesia diária, como trabalho, diversão, lazer, hobby e etc, levando a refletir seriamente sobre a sua própria morte.

Pois saiba meu amigo leitor, que uma coisa é você ler alguns livros e pensar sobre a morte de maneira geral, outra completamente diferente é pensar a sua própria morte. É como você ler sobre pessoas com câncer, e, um belo dia você ir ao medico para fazer exames de rotinas e sem “querer” descobrir que esta com um câncer. Consegue agora perceber a diferença?

Para aqueles que nunca enterraram seu próprio amigo, pai, mãe, filho ou irmão, ou não vivenciaram uma experiência real de “pré-morte”, vão apenas entender com o intelecto este texto, pois só aquele que já vivenciou uma das duas maneiras de estar “cara a cara” com a morte é que irá conseguir ir para além do intelecto “sentindo” de maneira visceral as palavras escritas.

Assim como o câncer que na verdade é uma morte lenta e progressiva, a própria iminência de uma possível morte por outras maneiras e experiências vem para por em xeque tudo que achávamos ser importante em nossas vidas, e para colocar uma pergunta crucial que constantemente tentamos esquivar dela: “Porque e para que viver?” “Faz sentido a vida que temos levado?” “Qual o sentido real de viver?” (As três perguntas na verdade é uma só, apenas feita de maneiras diferentes para você refletir melhor)

Não importa se você seja religioso ou ateu, pois na verdade, no fundo no fundo minha opinião é que não existe na pratica uma separação entre ateu e religioso quando falamos da morte, embora na teoria exista sim uma divisão. É que não acredito na transformação e mudança na natureza humana quando falamos da pessoa acreditar ou desacreditar na religião e/ou em Deus, pois se sendo ateu ou religioso, continuamos sendo humanos, demasiado humanos, e como os existencialistas já falavam, somos seres em angustia, sendo a angustia uma marca registrada da natureza humana.

A única diferença entre o religioso e ateu em relação à morte é no autoengano; pois o primeiro (religioso) se engana na certeza de acreditar que ao morrer vai estar no paraíso, já o ateu com seu pensamento “tranquilizador” de que “morreu acabou”, e que por isso não tem o que se preocupar e ter medo. Mas que falsa certeza esta do religioso e do ateu!

A partir do momento que o homem teve a sua consciência despertada, seja pela própria morte como a maior responsável por isto, ele já se vê mergulhado em angustia, e, por isso mesmo, nós precisamos tanto ocupar nossa mente com tudo que estiver disponível, seja trabalho, festas, e tudo o mais, é como pascal já dizia que o homem que vai caçar, ele caça um animal que ele mesmo não teria a coragem de comprar num mercado, mas ele caça para distrair sua mente, para fugir de estar só consigo mesmo, e com a realidade inevitável de sua própria morte – e este exemplo serve para tudo que fazemos na vida!

Por isto meu caro leitor que chegou até aqui, lendo “pacientemente” esta minha postagem para descobrir como um ateu encara a morte, eu lamento decepciona-lo, mas nós encaramos do mesmo jeito que qualquer outra pessoa encara: com grande angustia, medo, tristeza, dor e duvida em saber que a nossa morte não é uma possibilidade que pode ou não acontecer,  mas uma realidade e certeza absoluta de que nós que aqui estamos, vamos um dia não estar mais....para quem acha que a consciência é um dom, eu diria que tenho lá as minhas duvidas, pois acho mesmo que é uma maldição, e que se os deuses existem mesmo, são cruéis e estão se divertindo com nosso sofrimento.

terça-feira, 24 de abril de 2012

“Questões acerca da morte” (parte 3)



Por Edson Moura

Na Idade Média, nossos antepassados, com suas limitações de conhecimento e ainda com suas superstições, esta por sua vez, empapada do Cristianismo cada vez mais fortalecido, começaram a se preocupar, não mais  com o destino coletivo das pessoas de sua religião, e sim com o destino de cada indivíduo em particular. Foi então que se estruturou a crença de “julgamento após a morte”, podendo o morto sofrer punições pelos pecados cometidos durante toda a vida.

Segundo a crença anterior, Jesus voltaria, conduziria os que creram até o Paraíso. Modificado então, para um “Dia do Juízo Final”, onde seriam separados os nos dos maus, cabendo aos maus a “Punição Eterna”. “Então dirá aos que estiverem à sua direita:  ‘vinde benditos d meu pai, receberdes por herança o Reino preparado para vós desde a fundação do mundo...’ Em seguida, dirá aos que estiverem à sua esquerda: ‘apartai-vos de mim, malditos, para o fogo eterno preparado para o diabo e para os seus anjos...’ E estes irão para o castigo eterno, enquanto os justos irão para a vida eterna”.

É neste contexto que o conceito de purgatório se desenvolve dentro do catolicismo. Até então esta ideia não era estruturada como dogma, mas apenas como um elemento  procedente da crendice popular, muitas vezes associada à ideia de limbo (local onde as almas das crianças mortas sem batismo deveriam permanecer até a vinda definitiva de Cristo. O termo latino purgatorium (lugar de purificação) parece ter sido usado pela primeira vez no fim do século XIII, por Pierre Le Mangeur, em Paris.

No Concilio de Lyon, em 1274, o purgatório recebia uma primeira promulgação como dogma da Igreja católica, sendo definitivamente proclamado em 1439, no Concílio de Florença, que congregou Católicos romanos e ortodoxos Gregos.

Com o advento do purgatório, a ritualização da morte é modificada, no sentido de buscar o perdão para pecados cometidos em vida, procurando garantir um bom destino á alma que estivesse deixando o seu corpo mundano. Surge a possibilidade de interferir no “destino” do falecido, por meios das súplicas e indulgências dirigidas a Deus e aos santos, visando diminuir o tempo de expiação pelos pecados e facilitar a entrada do “morto” no Céu.

A morte vai tendo seus aspectos repulsivos mais explicados e valorizados. O corpo morto, frio e fedorento, passa a ser escondido. A imagem da morte vai se transformando, deixa de se “bela” e pública para ser feia e escondida, ou melhor dizendo, proibida. Os rituais que outrora acompanhavam a morte e o morrer, são agora esvaziados de sentido em uma maneira de evita o sofrimento pela própria morte. A morte antes aceita com naturalidade, ocorrendo em meio à tranquilidade dos familiares, passa a ser temida. A morte natural passa a ser a mote por velhice, enquanto todas as outras maneiras de morrer sinalizam a possibilidade de um castigo divino.

Feliz ou infelizmente, com o crescimento do pensamento filosófico e científico dos séculos XV e XVI, testemunhamos nova elaboração da vivência da morte. Com o advento do Iluminismo, a morte passa a ser dissociada de seus aspectos religiosos e sagrados, adotando a racionalidade como elemento norteador. A morte passa a ser vista principalmente como um evento biológico, sobre o qual deve-se buscar um maior controle por meio da Ciência e da Razão. Com isso, a estruturação de hospitais, o desenvolvimento da medicina e a busca pelo prolongamento da vida ganham mais atenção.

A relação entre morte e hospital foi se estreitando ao longo dos séculos. Os hospitais tiveram sua finalidade alterada de acordo com cada época e lugar. Antes do advento da medicina científica e tecnológica, o morrer em hospitais era destinado às pessoas pobres ou indigentes, que não possuíam condições financeiras de serem tratadas em suas próprias residências, portanto se dirigiam aos hospitais em busca de recuperação de sua saúde, ou mesmo para morrerem.

Antes do século XVIII o hospital era uma instituição de assistência aos pobres, que visava unicamente sua separação e exclusão. Na visão geral, o principal personagem do hospital não era o doente que poderia ser curado, mas sim, o pobre que estava morrendo e deveria ser assistido material e espiritualmente. O hospital seria portanto, um “morredouro”, um lugar para se morrer. O paradigma vigente nessa época era o paradigma do “cuidar”.

Cuidava-se dos doentes, mas sem a pretensão de reintegrá-los à sociedade, e enquanto estivessem vivos no aguardo da morte. O ato de cuidar estava inteiramente ligado à religiosidade, tendo o sagrado uma função asseguradora: “Cuidava-se do corpo e da alma, de maneira a facilitar à alma a sua entrada nos céus.

Com o tempo, a vivência da morte passou a ser restrita aos hospitais, transformados em locais de cura e recuperação de doentes, distanciando-os do convívio familiar durante sua recuperação ou mesmo no processo de morrer. Atualmente, século XXI, os cuidados médicos e hospitalares se pautam no paradigma de “curar”. Não basta cuidar do doente. É preciso curá-lo a todo custo e combater a morte. O paradigma do curar facilmente torna-se prisioneiro do domínio tecnológico da Medicina moderna. “Se algo pode ser feito, logo deve ser feito, essa é a missão”. Também idolatra a vida física a alimenta a tendência de usar o poder da Medicina para prolongar a vida, mesmo em condições inaceitáveis.

Esta idolatria da vida ganha forma na convicção de que, a inabilidade para curar ou evitar a morte, constitui-se uma falha na Medicina moderna. A falácia dessa lógica é pensar que a responsabilidade de curar termina quando os tratamentos estão esgotados.

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Apenas um sorriso

Por Edson Moura

Um piloto de caça, durante o período da Segunda Guerra Mundial, foi capturado pelo inimigo após seu avião ser abatido e milagrosamente sair sem um aranhão. Foi lançado numa cela de prisão. Todos os carcereiros o olhavam com desdém e era tratado de forma rude pelos mesmos. Sua execução estava marcada para o dia seguinte à sua captura e pretendo contar á vocês leitores o incrível desfecho desta tragédia.

Ele tinha certeza que seria morto. Ficou terrivelmente perturbado e nervoso. Remexeu nos bolsos em busca de um cigarro que, “Deus quisera”, tivesse escapado à revista. Encontrou apenas um, mas como as mãos estavam trêmulas de medo, mal podia levá-lo aos lábios. O pânico se abateu quando ele percebeu que não tinha fósforos, estes foram levados na revista.

Olhou através das grades para o carcereiro. Ele não correspondeu ao olhar do rapaz condenado, afinal, não se estabelece contato com uma “coisa”, um cadáver. Ele então gritou para o homem: “Tem fogo, por favor?!”. O carcereiro olhou para ele, deu de ombros e caminhou até a direção do rapaz. Ao se aproximar e sacar uma caixinha de fósforos, os olhares dos dois inadvertidamente se cruzaram. Naquele momento o rapaz sorriu.

Nem ele mesmo sabe por que fez aquilo. Talvez por nervosismo, talvez porque, quando se está realmente perto de alguém, é muito difícil não sorrir. Em todo caso, ele sorriu. Naquele instante, foi como se uma faísca saltasse no espaço entre os corações dos dois homens, entre suas almas. Não foi proposital, mas o sorriso do rapaz “saltou” por entre as grades e gerou um sorriso nos lábios do carcereiro também. Ele acendeu o cigarro do rapaz, mas permaneceu por perto, olhando-o diretamente nos olhos e continuando a sorrir.

O Jovem rapaz continuou a sorrir, agora consciente da pessoa e não apenas do carcereiro que o mantinha preso. O olhar do carcereiro parecia também ter uma nova dimensão. Você tem filhos? Perguntou o carcereiro.

Sim, aqui, aqui! Disse o rapaz tirando a carteira e procurando nervosamente a fotografia de seus filhos e sua esposa. O Homem também puxou a fotos de seus garotos e começou a falar sobre seus planos para eles. Os olhos do rapaz encheram-se de lágrimas. Confidenciou ao carcereiro que temia nunca mais vê-los novamente, nunca ter a chance de vê-los crescer. Algo parecido com Lágrimas também aflorou nos olhos do carcereiro.

De repente, sem qualquer palavra, o homem destrancou a cela do rapaz e silenciosamente o conduziu para fora. Passou por corredores escuros e deu de cara com um pátio. O Jovem pensou: Minha vida foi salva por um sorriso, apenas um sorriso. Seu coração batia acelerado ao passo em que caminhava em direção à sua liberdade.

Deu mais alguns passos e olhou para trás, o carcereiro havia parado. Podia ouvir os passos dos soldados marchando em sua direção. Uma venda lhe foi oferecida, e, ao colocá-la, ouviu a voz do carcereiro:

Perdeu playboy, sua execução foi antecipada!

sábado, 2 de abril de 2011

A angustia do Ser que é angustia



Por: Marcio Alves

Somos seres marcados pela angustia do viver pelo existir na existência da vida. Sofrimento não se é opcional, mas condição sine qua non da existência. Somos todos “doentes existenciais” visto que somos mortais que nunca escaparemos da finitude da vida. Nosso corpo é uma prova cabal da vida que se esvai enquanto mais se vive. Toda vez que nos olhamos no espelho, ele ta lá, nos mostrando sem misericórdia alguma que mais cedo ou mais tarde vamos morrer. A busca neurótica pela juventude enquanto se envelhece é uma demonstração patética e delirante de seres que se iludem na esperança de se tornarem eternos.

Sabemos demais ao mesmo tempo em que sabemos de menos; nunca saberemos ao ponto de esgotar todo o mistério da vida, mas por já sabermos que sabemos que não sabemos e que a vida é uma pergunta sem uma resposta ultima e final, que todo conhecimento adquirido serve para esfregar em nossa cara nossa pequenez e ignorância diante da complexidade da vida, vivemos no vazio das incertezas.

Queremos ser verdadeiramente livres, viver uma vida de total liberdade, mas quando a vivemos, sentimos o preço que a liberdade cobra; o da solidão. Ao sentirmos o preço alto que a liberdade cobra, buscamos alguém para estar junto de nós, mas com o passar do tempo, nos sentimos prisioneiros e sem liberdade, conclusão; quando estamos casados desejamos viver sozinhos, mas ao vivermos sozinhos queremos estar novamente casados, logo, não existe solução, pois não importa com quem ou como estaremos, a verdade é que sempre estaremos angustiados, pois somos seres desejantes e carentes, que sempre nos falta alguma coisa. E neste caso, ou se é angustiado casado ou se é angustiado solteiro, o que não podemos escolher e não ser angustiados.

A consciência de que na vida somos lembrados apenas duas vezes; uma no nascimento e a outra na morte, e que depois disto estamos condenados ao total esquecimento, de que nossos nomes virarão poeiras levadas pelo vento, onde seremos totalmente apagados da lembrança de que um dia existimos, de que nossas vidas não fazem falta ao mundo, de que o universo é indiferente a nós, de que não importa o que façamos ou deixemos de fazer, a totalidade da somatória de nossas vidas é sempre zero, isto produz em nós dor, que por sua vez gera mais angustia ainda.

Ficamos angustiados ao constatarmos que podemos colher e dar afeto a um cão, que este mesmo cão nunca irá nos trair e nos abandonar, mas que não podemos confiar nas pessoas, por mais legais e bonitas que elas pareçam ser, (pois o meio social sempre cobrou e irá cobrar que sejamos politicamente corretos, mesmo que só na aparência, como se é na maioria das vezes), podem e na maioria das vezes vão, nos trair, trocar e abandonar por uma melhor oportunidade, pessoa, dinheiro ou situação. Que não importa quais sejam as pessoas que se relacionam conosco, elas sempre o faz por algum interesse escondido e disfarçado de boas intenções.

Se sofremos na época em que não se tinha abertamente liberdade para praticar o sexo, hoje sofremos por justamente termos abertamente liberdade. Pois na primeira a angustia era de querer e ser reprimidos, mas na segunda, queremos e podemos, mas a questão é; o que faremos com a liberdade sexual?

Inveja, ciúme, taras, traições, conflitos, duvidas, incertezas, vícios, paixões, desejos, obsessões, egoísmo, ganância, medo, solidão e ódio são alguns dos ingredientes que compõem a nossa natureza que é transvestida e calada, superficialmente e temporariamente, mais ainda sim, coberta e mantida pela falsa moral social. E graças ao “bom Deus” que existe nestes componentes todos, a hipocrisia, pois o que seria da sociedade se ela não existisse? Talvez, muito provavelmente, nem haveria sociedade.


Em fim, muda-se o mundo, mudam-se as pessoas, muda-se o jeito de viver a vida, mas nunca muda a angustia de si ser um ser humano, pois a vida não se é uma conta matemática que sempre no final tem uma solução, mas o contrário; não existe solução, pois a vida esta para além de qualquer vã teoria ou filosofia, inclusive a minha.

Diante disso tudo tenho poucas ou quase nenhuma certeza, mas a única que eu tenho é de que o mal não como entidade, mas como concretude existe no mundo, o que ponho em cheque é a bondade...será que existe mesmo bondade altruísta, generosa e totalmente pura de interesses?

Ou na verdade há mais maldade na bondade do que na própria maldade mesmo? Pois como diria Nelson Rodrigues “o mineiro só é solidário no câncer”. Realmente somos lobos ferozes vestidos de ovelhas, achamos que somos muito morais, bondosos e honestos, quando na verdade se é testado, cai as mascaras da moral e valores, pois são aprendidas e não instintivas como o egoísmo humano.

domingo, 14 de fevereiro de 2010

Crise existencial



Por: Marcio Alves


A crise do homem começa no homem a propósito de o próprio homem ser quem ele é em meio a sua essência do existir em seu ser.
Quem sou eu? Nos auto questionamos.
Será que sou o que penso que sou? Será que sou o que sou?
Duvidas e mais duvidas perpassam do ser no que é o seu ser. Questionamentos que nos leva para mais questionamentos. Sendo o próprio questionar um cavar de poço muito fundo e escuro, quanto mais cavamos, mais fundo fica, e a medida que se vai mais fundo, mais escuro se torna o poço.

Olhamo-nos no espelho esperando encontrar repostas, mas o que vemos nos faz duvidar ainda mais de nós mesmos.
Será que sou o que vejo ser eu?
Ou seria eu além do que vejo ser eu?
A profundidade do nosso autoconhecimento, não abranda a crise do ser, pelo contrário, nos afunda mais ainda no ser que é ser, mas não sabe o que é ser o ser no ser.
É como se os deuses dissessem: “O premio do saber será uma grande maldição, quanto mais os homens buscarem respostas, mais ainda encontrarão duvidas sobre si mesmos”.

De onde viemos?
As religiões nos dizem ser o nosso ser vindo do Ser que é o Ser supremo dos seres.
Energia, natureza, pessoa, força e cosmo, ou ainda Javé, Alá, Brahma e Zambi, não importa quais os nomes ou distinções que cada uma das muitas religiões dá ao Ser supremo da suas crenças, mas o que todas concordam é que o homem emana de Deus.
Mas a ciência com a teoria da evolução, para nos colocar mais duvidas, vai nos dizer que tudo não passou de uma explosão cósmica que resultou na evolução da natureza, inclusive o ser humano.
Mas agora em que ou em quem eu devo acreditar?

Para onde iremos após a nossa morte?
As religiões nos garantem que continuaremos vivos depois que morrermos, mas o que esqueceram foi de combinar entre elas uma mesma resposta, pois cada uma tem uma resposta, sendo a resposta o calcanhar de Aquiles da crença da vida após a morte.
Ou será que nisto reside a sua força?
A força da crença na continuação da existência após morte se encontra na crença de todas as crenças, embora de maneiras díspares e até mesmo divergentes?
Mas como acreditar que depois que morrermos ainda iremos continuar vivos, se nunca ninguém morreu, e depois ressuscitou para nos contar essa história?

E Deus, será que existe mesmo? Ou será mera produção da fértil imaginação da mente humana? Quem é Deus se de fato ele existe?
Eu me vejo como Jesus que exclamou “Deus meu, Deus meu porque me desamparastes?”.

Mas é em meio a tantas dúvidas, nenhuma certeza, atormentado pelo pensar, mergulhado na mais visceral angustia da alma, na mais absoluta crise existencial, que o homem renasce das cinzas com coragem existencial, e apesar da não evidencia, da não certeza, das perguntas sem respostas que, o ser corajoso desafia os desafios da desafiante existência é como um soldado ferido, já quase morto e sem esperanças em uma sangrenta guerra que mesmo assim, resolve continuar batalhando, teimosa e maravilhosamente resolve continuar vivendo sem respostas prontas e seguras, apostando que a vida é maravilhosa em si mesma, vive e sobrevive tentando dar a vida sentidos além dos meros sentidos percebidos pelos sentidos.

Coragem existencial é olhar para dentro de si, encontrar motivações além da razão para continuar existindo, vivendo a vida sem medo da vida.
É somente depois de uma grande crise, que o homem está pronto para recomeçar a viver, mesmo sem Deus, sem crenças, e sem eternidade, valorizando o existir, vivendo a vida a partir da vida, enfrentando, mesmo ferido, a angustiante, aventureira e emocionante vida!

E se Deus existe, Ele deve ficar orgulhoso com o homem que faz a vida ter sentido e significado, mesmo que tal homem não creia nele, pois sabe que não pode culpar os mesmos, pois Ele decidiu sem pedir nossa opinião que, a melhor maneira para se viver é viver sem vê-lo, pois com a sua presença aqui de maneira a impor para nós uma autoridade, seria castradora da nossa liberdade de ser e não ser o que quiser ser, de modo a vir se tornar ser o que é para ser, sendo nós mesmos os construtores de nossa historia de viver.

Porque dele e por ele, e para ele, são todas as coisas; glória, pois, a ele eternamente. Amém.

sexta-feira, 25 de dezembro de 2009

Lembranças do passado



Por: Marcio Alves



(Comentário feito na postagem Reminiscências de uma noite de dezembro do blog do meu amigo Levi Bronzeado)

Mestre e amigo Levi

Sua belíssima e nostálgica crônica, me fez voltar ao passado, mergulhando no mais profundo Ser da minha interioridade, fui e voltei com velhas e antigas lembranças do meu passado não tão passado mas já passado, pois passou e já não é mais, e nunca voltará a ser, restando-me, lembrar e viajar pela minha alma àquele lugar, momento e tempo inesquecível que o tempo não vai apagar, pois está impregnada no mais profundo do abismal do meu Ser.

Estou neste momento, com meus sentimentos oscilando entre a melancolia e alegria, saudades dos tempos que não voltam mais.

Sinto saudades até do que ainda não passou, mas passará.

Os novos amigos, momentos, vidas, experiências, sentimentos, sonhos, prazeres e vontades, tudo vai passar.

Neste momento, não quero a consolação da esperança do amanhã em Cristo, salvação e continuação da vida em um paraíso.

Quero me deleitar nesta inexplicável e implacável dor da tristeza, e não ser consolado.

Quero lembrar-me, dos que já foram e não voltarão.

Dos momentos inesquecíveis, belos e profundos.

Mas também das tristezas, sofrimentos e dificuldades.

Pois minha vida é assim.....passado que não volta, presente que esta passando e futuro que passará.

Inclusive no momento em que escrevo estas palavras, elas vão passando, como assim também vai passando minha vida, pois a vida é feita de tempo.

A vida não poderia ser feita de outro jeito, que não fosse o tempo?

Pois o tempo passa, e com ela a nossa vida.

Queria uma vida sem tempo, pois desta maneira não haveria tempo para a vida.

Vida, vida, vida.......mas que vida!

Vida passada, vida presente e vida futura.

Viver a vida é viver passado e presente, pois o futuro não existe, pois quando ele chegar já é presente que será passado.

Termino este humilde texto com uma musica que vem a minha cabeça neste momento, e expressa melhor meus sentimentos:


Nada do que foi será
De novo do jeito que já foi um dia
Tudo passa, tudo sempre passará

A vida vem em ondas como o mar
Num indo e vindo infinito

Tudo que se vê não é
Igual ao que a gente viu há um segundo
Tudo muda o tempo todo no mundo

Não adianta fugir
Nem mentir pra si mesmo
Agora

Há tanta vida lá fora, aqui dentro
Sempre como uma onda no mar

Como uma onda no mar
Como uma onda no mar

Nada do que foi será
De novo do jeito que já foi um dia
Tudo passa, tudo sempre passará

A vida vem em ondas como o mar
Num indo e vindo infinito

Tudo que se vê não é
Igual ao que a gente viu há um segundo
Tudo muda o tempo todo no mundo

Não adianta fugir
Nem mentir pra si mesmo
Agora

Há tanta vida lá fora, aqui dentro
Sempre como uma onda no mar

Como uma onda no mar
Como uma onda no mar
Como uma onda no mar
Como uma onda no mar
Como uma onda no mar



Porque temos que morrer?

Eu não quero ir para o céu, eu quero ficar com minha família e amigos.

Não quero morrer.

Odeio a morte!

Amo a vida, e quero viver!



Porque dele e por ele, e para ele, são todas as coisas; glória, pois, a ele eternamente. Amém.


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