Mostrando postagens com marcador Cristianismo. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Cristianismo. Mostrar todas as postagens

sábado, 13 de outubro de 2012

A divina revelação do Inferno (Mary K. Baxter)


Resumo do Livro:

 I - Introdução

Uma caudalosa enxurrada de testemunhos de pessoas que supostamente estiveram no céu ou no inferno tem proliferado no meio dos cristãos evangélicos. São relatos surpreendentes, porém extremamente sensacionalistas e repletos de aberrações teológicas. Revelam ser, na verdade,  produto de uma mente brilhante, capaz de produzir filmes como Guerra nas Estrelas, E.T. e tantos outros, arrancando até mesmo aplausos do gênio da ficção científica hollywoodiana, Steven Spielberg.

A Divina Revelação do Inferno foi publicada originalmente em inglês com o título: A Divine Revelation of Hell, em 1993, nos Estados Unidos. A autora, Mary Baxter, é ministra da Igreja Nacional de Deus, em Washington, EUA. Nasceu em Chattanooga, Tennessee, EUA. Segundo relata, começou a ter "visões" de Deus na década de 60, em Michigan; mas foi em 1976, que Jesus teria aparecido para ela, na forma humana, em sonhos, visões e revelações, durante quarenta noites, e mandou-a transmitir as profundezas, degradações e tormentos das almas perdidas no inferno (pp. 183, 184). 


Entre as pessoas citadas, que indicam o referido livro, encontra-se a Sra. Marilyn Hickey, que num de seus livros ensina ter Noé, sob o efeito da embriaguez,  praticado atos homossexuais com seu neto Canaã, além de dizer que o homem possui a natureza de Deus, tornando-se participante de “todos os seus atributos” [i] . Percebe-se, pois, que a insensatez acompanha não apenas a obra indicada, mas também quem a indicou.

Outro nome de peso é o de David (Paul) Yonggi Cho, que declarou [ii]: "Eu li este livro, tremendo no meu coração. Eu realmente creio que Rev. Baxter teve um verdadeiro encontro com a realidade do inferno na sua experiência da revelação de Jesus Cristo nosso Senhor" (quarta capa). Apesar de ser notável no meio evangélico, o Sr. Cho pode cometer erros (ele não é infalível!); aliás, não seria a primeira vez que ele ensina algo inconsistente (teologicamente falando). Em uma de suas obras, Cho diz que pediu a Deus três coisas: uma escrivaninha, uma cadeira e uma bicicleta; contudo, Deus disse que não poderia atendê-lo pela seguinte razão: Cho não especificou o que queria. Deus lhe teria dito: "Será que você não sabe que há dezenas de tipos de escrivaninhas, cadeiras e bicicletas? Mas você simplesmente pediu-me uma escrivaninha, uma cadeira e uma bicicleta. Não pediu uma escrivaninha específica, nem uma cadeira nem uma bicicleta específicas". [iii] Sem perceber, o Sr. Cho atentou contra a onisciência de Deus que, segundo o próprio Jesus, sabe de tudo  que necessitamos, antes mesmo de pedir (Mateus 6:25-32).

Assim, devemos analisar as declarações da Sra. Baxter à luz da Bíblia, e não nos fiarmos em declarações de pessoas que, assim como nós, estão propensas a análises errôneas, não importa quão afamada seja tal pessoa no círculo cristão (Atos 17:10, 11).

III - Contradições
  
O caráter contraditório de algumas declarações desqualificam a "revelação" da Sra. Baxter. Por exemplo: na p. 16 encontramos a suposta declaração de Jesus para ela: “Minha filha, levarei você até o inferno (...). Quero que escreva um livro e conte todas as coisas que vou revelar a você” (grifo acrescentado). Desobedecendo à ordem de Jesus, porém, ela comenta na p. 20: “Algumas coisas, por serem horríveis demais, não consegui passar para o papel” (grifo acrescentado). Ora, por mais que a mensagem a ser transmitida fosse dura, os profetas de Deus declaravam o que ele ordenava, independentemente do que sentiam a esse respeito; tal foi o caso de Jonas, Jeremias, Oséias e outros. A Sra. Baxter revela não possuir características próprias de um profeta de Deus. Para terminar o festival de contradições, diz: "Como obreira de Deus, submeti-me ao comando de Nosso Senhor Jesus Cristo e registrei fervorosamente as coisas que me foram mostradas e reveladas por Ele" (p. 181) — grifo acrescentado.

IV - O Inferno

A Sra. Baxter relata sua "visita" ao inferno nos seguintes termos: "Jesus veio a mim em 1976 (...). Jesus levou-me ao inferno por um período de 40 dias [iv] . (...) No mesmo momento, minha alma foi retirada do meu corpo. Saí com Jesus do meu quarto em direção ao céu. (...) Meu corpo permanecia na cama, enquanto o meu espírito ia com Jesus através do telhado da casa. (...) Depois, começamos a subir cada vez mais e eu já podia ver a Terra embaixo. Saindo dela, de vários pontos, haviam tubos girando em direção a um ponto central, indo e vindo. Eles se moviam como gigantes, continuamente e envolviam a Terra toda. (...) "São os portões do inferno" (pp. 11, 16-18).
A imaginação da Sra. Baxter é fertilíssima. Ela retrata o inferno como se fora um corpo humano. O livro tem alguns capítulos interessantes, como, por exemplo: A perna esquerda do inferno (02), A perna direita do inferno (03), O ventre do inferno (07), O coração do inferno (10), O braço direito do inferno (13), O braço esquerdo do inferno (14), As mandíbulas do inferno (19) etc. Relata a Sra. Baxter (aparentemente citando as palavras de Jesus): "O inferno tem a forma de um corpo (semelhante à forma humana) deitado no centro da Terra. Ele tem a forma de um corpo humano - grande e com muitos compartimentos cheios de tormentos (...). O corpo está deitado de costas, com os braços e as pernas estendidas para fora" (pp. 31, 32, 52, 53). Nada há na Escrituras (nem mesmo na literatura apócrifa) que apóie essa versão da Sra. Baxter.

V - Curiosidades Infernais

O inferno da Sra. Baxter é sui generis. Nada há igual. Numa realidade totalmente espiritual, a Sra. Baxter usa e abusa de seu profuso talento artístico. Veja o que ela "viu" no inferno:
·      Ratos e serpentes (p. 53). Como foram parar ali?

·      Uma alma — com coração e sangue — dentro de um caixão (p. 57). De que era feito esse caixão, só a Sra. Baxter sabe.

·      Uma mulher presa numa cela, cujas paredes eram de "barro" e a porta de "um metal escuro com barras e uma fechadura", e sentada numa "cadeira de balanço, balançando e chorando copiosamente" (p. 70). Pelo que parece, o inferno anda contratando pedreiro, ferreiro e carpinteiro.

·      Há uma cena curiosa: Satanás está despachando com um grupo de mulheres, instruindo-as para enganar a muitas pessoas. De repente, "uma estante alta foi trazida para perto de Satanás e lá havia muitos papéis. Ele pegou alguns e começou a ler para as mulheres" (p. 63). De que eram feitos aqueles papéis que não queimavam nas profundezas ardentes do inferno da Sra. Baxter?

VI - Aberrações doutrinárias

Doutrinariamente, Baxter se revela herege ao ensinar um conceito errôneo sobre a Trindade. Ela afirma ouvir de Deus, o Pai, o seguinte: "O Pai, o Filho e o Espírito Santo são uma única pessoa" (p. 158) - grifo acrescentado. Essa heresia, que não faz distinção entre as "pessoas" da Trindade, chama-se patripassionismo (ou modalismo, também conhecida como sabelianismo). Para os patripassianos, foi o próprio Pai que assumiu a natureza humana, sofreu, morreu e ressuscitou. Diziam que a expressão "Filho" refere-se à carne de Jesus (= natureza humana), e que "Pai" é o elemento divino unido à carne (= Deus) [v] . Hoje, muitas seitas ensinam tal heresia, como por exemplo o Tabernáculo da Fé, Igreja Pentecostal Unida do Brasil, Igreja Voz da Verdade, Testemunhas de Ierrochua etc. 

No inferno da Sra. Baxter, Satanás jamais sofre; ao contrário, ele conta com um "Centro de Divertimento" (p. 80), onde ele e seus demônios deleitam-se com a desgraça alheia (p. 82). O apóstolo João, porém, diz que Satanás, ao invés de ter um "centro de divertimento", será atormentado pelos séculos dos séculos (Apocalipse 20:10).

VII - Torturada no Inferno

Ao visitar o "coração" do inferno (capítulo 10), juntamente com Jesus, ele a abandonou, entregando-a aos demônios. Ela conta que sofreu tormentos, foi aprisionada, ajoelhou-se diante de Satã. Diz Baxter: "espíritos na forma de morcegos me mordiam por toda parte" (p. 90). Ao indagar de Jesus a razão desse incidente, a resposta foi: "Minha filha, o inferno é real. Mas você jamais poderia ter certeza até que experimentasse por si mesma. Agora você sabe da verdade e o que é estar perdido para sempre lá. Você poderá relatar para os outros a sua experiência, sem sentir nenhuma dúvida" (p. 92). O "Jesus" que conduziu a Sra. Baxter ao inferno não era o Jesus da Bíblia (II Coríntios 11: 4). O que a Sra. Baxter conheceu não se deu por satisfeito e, após essa experiência traumática, enviou-a mais uma vez para os tormentos infernais, desta vez às mandíbulas do inferno (capítulo 20). Depois de entrar em colapso, ela declarou que queria "estar bem longe – longe de Jesus, da minha família e de qualquer pessoa" (p. 92). Certamente que o Jesus dos Evangelhos não submeteria nenhum de seus "irmãos" a horrendas atrocidades, como se ele fosse um carrasco nazista.

VIII - Sábios conselhos

Não há muito que aproveitar d' A divina revelação do inferno. A Sra. Baxter deveria levar a sério o que seu "Jesus" lhe disse: "Mantenham-se afastados dos falsos profetas que falam em Meu nome e espalham doutrinas falsas. Despertem! Despertem!" (p. 114). Para concluir, o "Jesus" da Sra. Baxter revelou medíocre conhecimento sobre o inferno, mas, em contrapartida, estava certo quando disse: "Minha filha, algumas pessoas ao lerem o livro que você vai escrever, acharão que tudo isso é uma obra de ficção" (p. 129). Dito e feito!

quinta-feira, 11 de outubro de 2012

Carta aos Romanos (Karl Barth)


Resenha do Livro:

Um clássico da teologia do século 20, este comentário de Barth da Carta aos Romanos é leitura indispensável para quem quer entender os rumos da teologia contemporânea. 

Muito Mais que um comentário da epístola paulina, de enorme importância para estudiosos do Novo Testamento, trata-se de um tratado teológico que ficou conhecido como responsável pelo golpe fatal contra o liberalismo neokantiano do Século19. 

Karl Barth tem sido avaliado por muito como o maior teólogo do século 20. Considerando-se um pensador cristão reformado e ortodoxo (daí o epíteto neo-ortodoxo que Barth não apreciava), Barth combateu as diferentes formas de liberalismo teológico, de Schleiermacher a Bultmann. 

Mesmo assim é considerado por muitos críticos conservadores como criptoliberal e um pensador heterodoxo. O exame das fontes primárias por cada estudioso parece ser o melhor caminho para entender melhor este controvertido autor. E nada melhor que começar pelo primeiro livro de destaque de Barth: Carta aos Romanos. 

Esta edição do texto completo da obra traduzido diretamente do original alemão com comentários pelo tradutor Lindolfo K.Anders, um dos maiores estudiosos do pensamento de Karl Barth no Brasil.

domingo, 29 de julho de 2012

A existência de Deus pode ser mais assustadora do que a sua inexistência




Por: Marcio Alves

Um Deus mal e perverso no controle absoluto do universo, jogando com nossas vidas, brincando e se divertindo com nosso destino, sem alguém superior a Ele para prestar conta do que faz conosco, rindo de nossas desgraças, provocando diversos tipos de catástrofes no mundo, não se importando com ninguém, atraído por sórdidas maldades, quem já imaginou um Deus assim? Ou, quanto um Deus assim pode ser temido?

Sempre quando se imagina um Deus, ou quando a religião cria, sistematizando uma crença em Deus, ela parte dos anseios mais profundos do porão do inconsciente humano, sendo assim, por mais que Deus seja punitivo com os outros que não compartilham da mesma crença e religião, com elas (seguidoras daquela religião), Deus sempre será aquele pai presente, que cuida, ama e preservar os seus filhos, mesmo quando os castiga, faz isto porque ama e se importa com eles. Nesta crença esta embutida, algumas vezes de maneira imperceptível, o “medo de Deus” que toda religião se utiliza para manter seus seguidores fieis. (No cristianismo é o inferno, no espiritismo é o carma, no budismo o samsara e assim por diante)

Esta crença propriamente dizendo é o lado mais infantilizado de todas as religiões, porque em meio a bilhões de seres humanos, com um universo “infinito” para controlar, Deus se importaria logo com este planeta tão pequeno e com seres humanos tão insignificantes (comparados a toda grandeza do universo)?

Pior do que a sua não existência (ateísmo) ou abandono total do nosso planeta (deismo) é a possibilidade de um Deus perverso, déspota, arrogante e malvado no controle do universo. Imagina se no final de tudo – de uma vida de sofrimento, porque o sofrimento esta ligado a existência, todo mundo sofre de alguma maneira e nível – após a morte, existir vida, e nós tivermos que pagar por toda eternidade, prestando conta (cristianismo) diante de um Ser maléfico, que criou uma camará de tortura com “fogo e enxofre” para atormentar nossa vida, e, isto sem fim?

Ou seja, a ideia da existência de Deus é mais apavorante do que a sua inexistência, porque se Ele não existe, não há o que temer, nem em vida e nem depois da morte, mas, e se Ele existir de verdade, quem é capaz de saber como Ele é, e, o que fará conosco?
E, todas as pistas no mundo indica que se há um Deus quem criou tudo, Ele deve ser muito perverso, porque criou um mundo de sofrimento, seres humanos sádicos, uma natureza muito violenta, ou seja, se Ele fosse realmente bondoso, porque não criou um mundo com menos sofrimento?

A questão do sofrimento que eu coloco aqui, e, que sempre foi uma “pedra” no “sapato” do teísmo (crença em Deus) não é o sofrimento moral, causado por outros seres humanos, ainda que Ele pudesse ter feito um ser humano com uma natureza melhor, mas antes, o sofrimento existencial, com milhares de doenças...imagina uma criança encefálica, (apenas um exemplo, para não citar todos) como pode um Deus bom e justo, permitir tamanha crueldade, ainda mais com um ser que não foi capaz de fazer nem bondade e nem maldade ainda?

Sem falar na natureza tão violenta e cruel, por que desde que o mundo é mundo, sempre houve catástrofes, a diferença é que não tinha tantos seres humanos vivendo de modo aglomerado, pois imagina um terremoto na cidade de São Paulo hoje, por exemplo, que catástrofe seria? Diferente se fosse um lugar deserto, há milhares de anos atrás, totalmente desabitado por pessoas...junta se a isto, o fato de termos acesso a todo tipo de informação mundial, isto significa, que temos mais informações hoje do que antes, o que dá a impressão de que o “mundo esta realmente acabando” – a questão principal aqui é: ou Deus existe e é mal, porque criou de propósito um mundo hostil ao ser humano, e aí meu amigo, se existir um Deus assim nós estamos literalmente “fudidos”, ou Deus não existe e a natureza é “cega” e podemos viver e morrer em paz, porque quando “acabar”, para nós realmente “acabou”, de qualquer jeito estamos todos nós (raça humana) no mesmo barco em meio ao mesmo oceano, a diferença é como enxergarmos e/ou como queremos enxergar este oceano....

Como a ciência em questão de Deus não pode provar que Ele existe ou não existe, cabe a você meu caro leitor decidir; acreditar em Deus de maneira religiosa, pessoal (teísmo) e viver a vida “pisando” em ovos, não sendo e não assumindo os riscos de uma vida sem Deus, com liberdade de ser e fazer o que se deseja, até porque na crença Deus é aquele eterno estraga prazer que sempre esta com o seu olhar onipresente de quem não se pode fugir, ou acreditar como os filósofos que Deus é impessoal, (deismo) que não interfere em nossas vidas, e/ou ainda como os ateus (ateísmo) que simplesmente ignoram não acreditando em deus ou deuses, e continuar vivendo a vida totalmente voltada para o “aqui e agora”, sem o peso de ter que prestar contas a Deus, mas apenas a sua consciência?

sábado, 23 de junho de 2012

A opinião sincera de um ex-crente e atual ateu sobre a bíblia “sagrada”




Por: Marcio Alves


Chegou a hora de dar o último, o principal, porém, delicadíssimo passo, rumo à desconstrução total dos dogmas pétreos do Cristianismo ortodoxo.
Eu quero declarar em alto e bom som, minha mais sincera e transparente aversão a palavra dita de Deus.

Palavra esta que se for “literalmente literalizada”, muitos dos seus episódios “ocorridos”, torna Deus em um grande Ser desprovido de inteligência e amor.
Pois se não, vejamos:

Conto da desobediência humana, (Adão e Eva) sendo uma alternativa dada por Deus? Se for escolha, logo se segue que não deveria isto, levar o Senhor a amaldiçoar o homem, aja visto, Ele próprio ter decidido dar livre arbítrio para o mesmo. Como pode ser livre, se foi, é, e será punido?

Outro episodio que para mim é muito mais uma fabula do que realidade, embora o evento em si, seja factual, pois é constatado pela ciência que realmente houve um dilúvio, porém, as inúmeras estórias que são em diversas culturas contadas e recontadas, não passam de fabulas, ou será que imaginamos uma real possibilidade do “perfeito deus” ter de fato se arrependido de criar o homem, e, depois que o destrói, volta a se arrepender de novo, só que desta vez, por haver destruído o homem?

E a dramática e desumana estória (com “e”, e não com “h”) de Deus pedindo para Abraão sacrificar o seu único filho Isaque, como se fosse um animal, por causa de um estúpido teste, para saber se no final das contas, ele amava mesmo ou não Deus?

Oras, se isto for lido literalmente, nós temos um problema grave, pois isto revelaria um deus sádico, cruel e desumano, ou então, um Ser desprovido de inteligência e conhecimento prévio do futuro, pois não sabia Ele que é justamente “onisciente”, que Abraão o amava de verdade?
Então porque Ele precisava testar este amor?

E o caso lamentável de orgulho e exibicionismo da mais pura vaidade divina, que por causa de uma acusação inverídica do diabo, o soberano, déspota e arrogante “Deus”, resolve apostar com a vida de Jó, como se fosse um brinquedinho divino, que no final de tudo ainda, depois de delegar ao diabo poder total sobre Jó, que foi brutalmente destruído, tudo que tinha, não somente os bens materiais, mas também todos os seus filhos, ficando numa doença miserável, encontra-se com o criador, e vai simplesmente desabafar com Ele, e é, por isto, injustamente e duramente acusado pelo mesmo soberano, de disputar com Ele, quando nada sabe e nada entende?
Mas como haveria de entender, se nada viu e soube, e nem ainda se quer ficou sabendo, nem foi muito menos avisado?

E as dezenas de relatos das guerras e destruição, cometidos pelos Israelitas em nome de Deus?
Como explicar os genocídios e infanticídios que foram todos causados, por uma “motivação divina”, em que o povo Israelita se achou no direito, pois eram os escolhidos, em nome de Yavé, exterminar todos os outros povos em seu redor?

Percebe-se que é esta literalidade, glorificada e defendida com unhas e dentes pelos “guardiões da reta doutrina”, que precisamos jogar na lata do lixo, se ainda desejamos ler a bíblia sem repulsa e indignação, apenas contemplando com os olhos da alma, as suas belas e significativas metáforas, mitos e fabulas.

Mas não! A bíblia é colocada no mais alto pedestal, onde é idolatrada pelos evangélicos, tida como sagrada e reverenciada, igual ou até mesmo mais, do que o próprio Cristo ou/e Deus, podendo ser questionado tudo, menos a tal da “inspiração” e “inerrância” divina dos textos canônicos, tido como literais, daí a expressão ser mesmo o fundamentalismo xiita e talibanês dos crentes.

Mas não para por ai o meu ódio em relação à pretensa “palavra de deus”, tida como verdade absoluta do Cristianismo. Pois também no novo testamento, encontro mandamentos que são contrários a vida, como por exemplo, a demonização do corpo em favor da exaltação da alma, sendo tudo aquilo advindo e para o corpo, estigmatizado e considerado pecado, mas aquilo que for para alma é santo e puro!

Um deus avesso a vida, a alegria, a diversão e o mais delicioso prazer, com a promessa fantasiosa e alienante, de uma vida melhor no além, para o descanso da alma, mas em compensação em oposição ao corpo, que na linguagem cristã, para nada presta.

Sendo a liberdade humana restringida e limitada pelos cabrestos auto-impostos pelas inúmeras regras e mandamentos, como se a vida se resumisse a um mero comprimento de normas cinzentas e anti-alegres, onde o gozar o prazer na carne é o maior pecado, mas se esquecem que o que temos neste mundo é justamente o nosso corpo, e é com ele que podemos contar e devemos valorizar cada momento de nossa efêmera vida, não abrindo mão de nossa atual existência, por uma recompensa futura no céu que talvez não exista, e que seja apenas uma manobra política do império romano, para anestesiar o povo oprimido de sua época.

Falar em império romano, não é muito estranho ser justamente isto, que Jesus nos evangelhos, vai mais apoiar e incentivar, um total abandono por vingança, e um amor e perdão incondicional dado por aqueles que nos oprimem e nos tiranizam, ser direcionado a um povo pobre, injustiçado e indefeso pelo poder político do império?

Lembrando que o novo testamento como conhecemos hoje, foi justamente juntado e acabado pelo imperador Constantino, que talvez, pode ter adulterado muitas coisas nos mesmos, tentando levar vantagem sobre a massa oprimida por ele.

Pois sem duvida alguma, de todos os ensinamentos dados por Jesus, o mais estranho é o de amar incondicionalmente os inimigos, tiranos e assassinos, pois mesmo que se consiga tal atitude desumana, as pessoas seriam anestesiadas e impedidas de lutar, se preciso for, com suas próprias vidas, em pró de uma vida mais justa, e contra a opressora tirania.

É muito argucioso e pura esperteza mesmo, se de fato Constantino inventou e colocou na boca de Jesus, o sermão da montanha, pois tal ensinamento é uma apologia total em favor dos oprimidos, fracos e marginalizados, oferecendo aos mesmos, uma anestesia paralisante de revolta contra suas situações, sendo os mesmos levados a entender que aquilo justamente é o passaporte seguro para uma vida feliz no paraíso, mas lembrando, não é para aqui, sendo somente quando morrer, ou seja, domestica e inibi qualquer vontade de lutar contra a opressão.

Em fim, eu odeio este lado nefasto da bíblia, porém as suas profundas, significativas e ricas metáforas, fábulas, poesias, símbolos e estórias, minha mais verdadeira devoção!

Texto escrito e postado originalmente, por mim, no blog: http://cpfg.blogspot.com.br/2010/05/abominacao-sagrada-da-biblia.html    em 25/03/2010 

Com o titulo: A abominação “sagrada” da bíblia

Postagem esta que alcançou a incrível marca de 496 comentários, sendo até hoje a postagem mais comentada de todos os tempos daquele blog! Vale apena acessar e ler os comentários feitos nesta postagem!

domingo, 10 de junho de 2012

Este pastor eu recomendo!



Por: Marcio Alves

O termo “existencialismo” surgiu só em 1940 através da mídia francesa da época, para designar aspectos sociais da vida francesa na qual os intelectuais estavam intimamente ligados, principalmente, Jean Paul Sartre.
Porém, muito tempo antes, a concepção filosófica do existencialismo já havia surgido através do grande filosofo e PASTOR PROTESTANTE dinamarquês Soren A. Kierkegaard. (Que pastor fantástico!)
.
A essência do existencialismo que todos “existenciais” concordam é:
Primeiramente a existência se entende como o modo ou maneira do homem ser e se colocar no mundo.
E, em segundo lugar, em como o mundo se coloca, apresenta e se dá em conhecer ao homem, isto é, a relação mundo-homem, homem-mundo é que o existencialismo vai se ocupar.

Para se entender o existencialismo, necessário é que venhamos entender o que é essência, pois o existencialismo parte da premissa contraria ao “essencialismo”.
Para o “essencialismo” o homem “é”, além, desta essência do “ser” é o que precede a existência humana. Nesta concepção, homem já nasce pronto e determinado a “ser o que virá e/ou tornará a ser o que na verdade já se é”. Com esta concepção de homem como essência, poderíamos mencionar teorias como a psicanálise e behaviorismo que são psicologias que enxergam o homem como uma estrutura já pronta.

Já para o existencialismo é a existência do ser que nasce sem essência no mundo de possibilidades e infinidades que construirá dia a dia a essência do ser no mundo.
Ou seja, é na relação do homem com o mundo, como sujeito da historia e na historia é que o homem se constrói, constrói o seu meio, e, é construído por ele.
A problemática do existir no mundo e para o mundo é que vai constituir o grande âmago de toda filosofia existencial e dos seus filósofos existencialistas. Inclusive é justamente o existencialismo que vai criar uma nova psicologia; uma psicologia humanista existencial.

A premissa de kierkegaard na verdade é uma critica aos pressupostos de Hegel que considerava a razão como centro de sua filosofia, que era reinante até então, pois para Kierkegaard, o existir humano não poderia ser reduzido e limitado pela razão “teorizante”, que enquadra e engessa o universo do existir da vida que é viva e dinâmica em uma caixa fria de idéias e conceitos.

Vale mais, para o filosofo dinamarquês, uma vida vivida em experiências, do que pensada e analisada pelo saber teórico, pois o que constitui a existência do “ser que esta sendo” e não “que é o que é” é a vivencia da pratica do existir no mundo enquanto experimentação.
Ou seja, a existência não somente precede a essência, como também a existência do existir humano está mergulhada na experimentação do ser no mundo antes mesmo de qualquer conhecimento teórico sobre o mesmo.

domingo, 9 de janeiro de 2011

Meu nome era Judas - C. K. Stead

Resumo do Livro:

O escritor C.K. Stead propõe uma polêmica alternativa ao Novo Testamento ao contar a história de Jesus pelo ponto de vista de Judas Iscariotes. Nesta versão não há traição, não há beijo, não há divindade, não há milagres, não há suicídio. A história de Judas é a de um homem que ousou ir contra a tradição de sua família para abraçar a causa que lhe parecia verdadeira. 

Depois, testemunha do suplício de Jesus, ele sente perder a esperança quando ouve seu desabafo na cruz; 'Senhor Deus do Céu, por que me abandonaste?'. Décadas mais tarde, tendo renunciado a seu nome, a seu povo e a sua fé, Judas acompanha as notícias sobre a nova religião cristã que então desponta, cujos seguidores insistem em chamá-lo de traidor.

Christian Karlson Stead, Onz , CBE (nasceu 17 out 1932) é uma Nova Zelândia escritor cuja obra inclui romances, poesia, contos e críticas literárias.

Um dos romances de Karl Stead , Smith's Dream, forneceu a base para o filme Sleeping Dogs , estrelado por Sam Neill , o que se tornou o primeiro novo filme Zelândia lançado nos Estados Unidos e. Mansfield: A Novel foi um dos finalistas para 2005 Tasmânia Pacífico Fiction Prize recebeu elogios em 2005 Commonwealth Writers Prize para o Sudeste da Ásia e Pacífico sul.

CK Stead nasceu em Auckland . Para a maior parte de sua carreira foi professor de Inglês na Universidade de Auckland , aposentando-se em 1986 para escrever em tempo integral. Ele recebeu um CBE em 1985 e foi admitido na mais alta honraria da Nova Zelândia pode oferecer, a Ordem da Nova Zelândia em 2007.

Obras do autor:

Se a vontade é livre: Poemas 1954-1962
A Nova Poética (1964)
Smith's Dream (1971)
Cruzando o Bar (1972)
Quesada: Poemas 1972-1974 (1975) 
Andando Westward (1979)
Cinco para o Symbol (1981)
Geografias (1982)
No caso de vidro: Ensaios sobre Literatura da Nova Zelândia (1982)
Paris: Um poema (1984)
Poemas de uma década (1983)
Todos os visitantes em terra (1984)
A Morte do Corpo (1986)
Pound, Yeats, Eliot e do Movimento Modernista (1986)
Between (1988) Entre (1988)
Respondendo ao Idioma: Ensaios sobre escritores modernos (1989)
Vozes (1990)
O Fim do Século no Fim do Mundo (1992)
O Whakapapa Canto (1994)
Villa Vittoria (1997)
 Palha em ouro: Novo e poemas selecionados (1997)
O Blonde Blind com velas em seu cabelo (1998)
Falar sobre O'Dwyer (1999)
A Coisa Certa (2000)
O Escritor no Trabalho: Ensaios (2000)
A História Secreta do Modernismo (2001)
Kin do Lugar: Ensaios sobre os escritores da Nova Zelândia, 20 (2002)
Mansfield: um romance (2004)
Meu nome era Judas (2006)
O Rio Preto (2007)

Autor: C. K. Stead
Editora: A R X
Categoria: Cristianismo
Ano Edição: 2007
ISBN:9788575812686
Nº da Páginas:239
Tipo de capa: Brochura


Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...