domingo, 9 de janeiro de 2011

Há um significado neste Texto? - (Interpretação Bíbliva: Os Enfoques Contemporâneos) Kevin Vanhoozer

Resumo do Livro

Há um significado na Bíblia?
Será que esse significado envolve o leitor ou a maneira de ler? A doutrina cristã tem alguma contribuição a dar aos debates acerca da interpretação, da teoria literária e da pós-modernidade? Essas perguntas são fundamentais para os estudos bíblicos contemporâneos e para a teologia.

Em resposta a elas, Kevin Vanhoozer argumenta que a crise pós-moderna na hermenêutica – "a incredulidade para com o sentido", um ceticismo arraigado que se relaciona à possibilidade de uma interpretação correta – é basicamente uma crise na teologia. Segundo o escritor, ela é provocada por uma perspectiva inadequada a respeito do Criador e pela chamada "morte" de Deus.

A Parte 1 desta obra examina os modos pelos quais a desconstrução e a crítica radical da resposta do leitor “desfazem” os conceitos tradicionais de autor, texto e leitura. Na Parte 2, Vanhoozer defende o conceito do autor e a possibilidade do conhecimento literário, valendo-se dos recursos da doutrina cristã e abordando o significado em termos de ação comunicativa. Uma contribuição importantíssima para a correta compreensão dos textos sagrados! VANHOOZER, Kevin J. Há um significado neste texto? Interpretação bíblica: os enfoques contemporâneos. São Paulo: Vida, 2005. 663 p.)
 
Sobre o Autor:
Quem é Vanhoozer? O autor é professor de teologia sistemática na Trinity Evangelical Divinity School, nos Estados Unidos, desde 1998, tendo também ensinado nessa instituição de 1986 a 1990. Obteve seu mestrado no Seminário Teológico Westminster e seu Ph.D. na Universidade de Cambridge, na Inglaterra.

Sua dissertação de doutorado nasceu de várias entrevistas que fez com o filósofo Paul Ricoeur, particularmente sobre a maneira como, em sua análise filosófica, a narrativa bíblica foi formulada. Ricoeur diria posteriormente numa entrevista que Vanhoozer entendeu sua filosofia melhor do que ele mesmo a entendia. 

Além de conferencista sênior na Universidade de Edimburgo, na Escócia, ele foi membro da comissão de doutrina da Igreja da Escócia, onde teve a oportunidade de aplicar e testar vários aspectos daquilo que veio a se tornar o livro Há um significado neste texto?

O que é esse livro? Em termos gerais, trata-se de um projeto que advoga uma hermenêutica que opere simultaneamente com os elementos autor-textoleitor (equivalentes aos três componentes da fala: locução-ilocução-perlocução). Na primeira etapa (as primeiras 200 páginas) o autor assume uma postura descritiva, permitindo que o leitor conheça as principais tentativas de formular uma hermenêutica que isola um elemento deste paradigma em detrimento dos demais.

Como exemplo da tentativa de “desfazer o autor”, Vanhoozer cita especialmente Jacques Derrida, Ferdinand de Saussure e até mesmo J. Severino Croatto! O que fica claro logo de início é que o autor dispensa caricaturas tradicionalmente feitas de teólogos e filósofos e baseia sua análise em fontes primárias. Para o contexto latino-americano, a inclusão de Croatto na análise é extremamente apropriada, já que sua hermenêutica permeou por décadas a teologia brasileira sem qualquer avaliação ou contestação.

Neste sentido, fiquei surpreso ao ler nas recomendações encontradas nas orelhas do livro a celebração de teólogos brasileiros pela chegada de um material de hermenêutica de indubitável qualidade. Segundo a leitura de Vanhoozer, Croatto acredita que a Bíblia, se ligada aos autores originais, torna-se um depósito fechado de significado, um relicário de épocas e pessoas distantes. Os autores [...] morrem no próprio ato de codificar a sua mensagem (p. 111-112).

Para Vanhoozer, esta postura em relação ao autor ilustra perfeitamente o aforismo de Dostoievski: Se não existe autor, tudo é permitido (p. 112). Em resposta a tal aforismo Vanhoozer pergunta: Todavia, seria essa declaração um motivo para dançar ou para se desesperar? Posso pensar em três razões para fazer ambas as coisas: dançar, sim, mas de uma maneira angustiada, consciente de que se está bailando à beira de um abismo.

Assim, vejo esta primeira parte do livro de Vanhoozer como uma voz de advertência aos teólogos que festejam a morte do autor à Croatto. Conforme diz o subtítulo original da obra (A Bíblia, o leitor e a moralidade do conhecimento literário), a decisão de distanciar o autor de seu texto é uma decisão moral. Para Vanhoozer esta decisão é simplesmente uma maneira de substituir aquele que fala no texto por aquele que lê.

Na segunda parte do livro (as próximas 300 páginas), Vanhoozer assume uma postura construtiva, propondo o que ele entende ser uma abordagem hermenêutica apropriada. Sua proposta é introduzida num contexto filosófico porque foram premissas filosóficas que acabaram informando a hermenêutica do tipo supramencionado. A terminologia utilizada é densa para os que não estão familiarizados
com teoria literária, mas acaba sendo de grande proveito no desenrolar do argumento. Nesta segunda parte do livro Vanhoozer “ressuscita” o autor que tinha sido morto, “redime” o texto que tinha sido desacreditado e “reforma” o leitor que havia perdido as virtudes peculiares a uma hermenêutica cristã. “Apresentarei uma alternativa construtiva à versão de Derrida de leitura responsável, uma alternativa que tira sua orientação básica da crença cristã de que Deus se comunica com os outros (“No princípio era o verbo...”) e que os humanos, criados à imagem de Deus, são igualmente agentes comunicativos” (p. 231).

Quais são as contribuições dessa obra? Definitivamente, o livro não visa instruir o membro de igreja na tarefa de interpretar a Bíblia. O propósito principal, como ele mesmo afirmou, é apresentar uma alternativa construtiva à versão hermenêutica que desfaz o autor, o texto e o leitor. Dentre as inúmeras contribuições oferecidas pelo autor, enumero aqui algumas que poderiam trazer grande auxílio para uma hermenêutica informada por princípios reformados:

1) a inclusão do conceito de ação comunicativa na leitura de textos bíblicos;
2) a redescoberta da distinção entre significado e significância, há muito popularizada por Hirsch em seu livro Validade na Interpretação; 3) a distinção entre leitura densa e tênue; 4) a distinção entre entender e sobreentender;
5) a distinção entre sentido literal, literário e literalista; 
6) a redefinição ou reafirmação do que é um texto, o que é significado, o que é intenção autorial,
o que é interpretação, etc. 

Enfim, todos estes conceitos, sejam eles novos ou redefinidos, prometem trazer grande contribuição para qualquer teólogo que tenha interesse em manter um canal de diálogo aberto com a próxima geração. Com respeito ao uso que o autor faz da Trindade em sua hermenêutica, é bastante encorajador para nós que cremos na inspiração das Escrituras ver a maneira como ele compara o
paradigma autor-texto-leitor com Deus Pai-Deus Filho-Deus Espírito. 

Deus é descrito como o autor/criador, Cristo como o verbo (a palavra/o texto) encarnado que comunica com exatidão a pessoa do Pai, e o Espírito Santo como aquele que atua de maneira crucial na interpretação e aplicação desta Palavra na vida do ser humano. Os que estão mais em sintonia com o a história do evangelicalismo perceberão na dedicatória do livro a Robert H. Gundry a
polêmica da qual o livro originalmente fez parte. 

Quais são as limitações do livro? D. A. Carson, que recomenda entusiasticamente a versão da obra em inglês como o tão esperado caminho de saída do “lamaçal hermenêutico contemporâneo”, identificou algumas limitações na obra da maneira como ela se encontra hoje. Segundo Carson, este tríplice paradigma parece encaixar muito bem em João 1.1-14, onde Cristo é descrito como a palavra de Deus encarnada. 

Fora do Evangelho de João, fica difícil manter essa estrutura com a mesma força. Com respeito à versão do livro em português, também é lamentável que o tom confessional de Vanhoozer tenha sido um pouco abafado em certos lugares nos quais se tinha em vista um paralelo com a linguagem das Escrituras. Um exemplo disto está na primeira frase do capítulo 5, na página 234: “O medo do autor está no começo do conhecimento literário”. 

Em inglês o autor, fazendo um jogo de palavras para lembrar o provérbio bíblico, escreveu: “O temor do autor é o princípio do conhecimento literário”. Mesmo assim, não posso deixar de parabenizar o excelente trabalho de tradução e publicação de uma obra tão pertinente à discussão hermenêutica latino-americana.

Ficha Técnica:
ISBN: 978-85-7367-917-5
Páginas: 664
Formato: 16x23cm
Categoria : Área bíblica/Hermenêutica contemporânea/Filosofia
Acabamento: Brochura
Autor: Kevin Vanhoozer
Editora: Vida

sábado, 8 de janeiro de 2011

A Sombra do Vento - Carlos Ruiz Zafón



Resumo do Livro:

Daniel Sempere é um menino de 10 anos em 1945 em Barcelona do pós segunda guerra. Ainda sobre o clima pesado do fim de guerra, é apresentado por seu pai, o dono de um sebo importante de Barcelona ao Cemitério dos Livros Esquecidos, lugar meio mágico, onde estão exemplares de livros abandonados e como diz o nome deste lugar, esquecidos. 

Este lugar tem um ritual: "a primeira vez que alguém visita aquele lugar, que escolha um livro, aquele que preferir, e que o adote, garantindo assim que nunca desapareça, que Se mantenha vivo para sempre." Nessa visita, um tanto quanto ritualista e apaixonante para amantes de livros, Daniel se vê escolhido por uma obra em especial: A Sombra do Vento de Julian Carax.

Este livro maldito e amaldiçoado, mudará o rumo de sua vida e o arrastará por um labirinto de mistérios, segredos, personagens enigmáticos e romance. Ao se ver, fascinado pelo escritor um tanto quanto desconhecido, Daniel começa uma busca inocente por maiores informações sobre o autor. E descobre que este promissor escritor teve uma vida cheia de desgraças, sendo dado como morto em circustancias um tanto quanto suspeitas. 

Com isso se envolve numa trama que tenta encontrar novos exemplares do autor e descobrir sua biografia. Conhece Clara, com quem vive seu primeiro romance inocente e pré-adolescente, mas que lhe causa grande decepção. Depois, conhece Fermin a quem tira da sarjeta e que se torna seu grande amigo. Enfrenta a fúria, o sadismo e o medo de Fumero e por fim se realiza através do amor de "Bea". 

O livro envolve a iniciação no amor e numa trama digna de tramas policiais, onde a vida do autor desconhecido e a sua parece se entrelaçar de forma mágica e paralela, coincidentemente num ambiente fascinante de Barcelona onde Daniel percorre as praças, cafés do mundo Gótico, as Ramblas e o Tibidabo, adentrando nos mistérios e segredos mais obscuros desta cidade .

Título: A sombra do vento
Autore: Carlos Ruiz Zafón
Editora: Objetiva
Número de Páginas: 399

Sobre o autor:
Carlos Ruiz Zafón (Barcelona, 1964) é um escritor espanhol.
Em 1993 ganhou o prêmio Ebedé de literatura com seu primeiro romance, O Príncipe da Névoa, que vendeu mais de 150 mil exemplares na Espanha e foi traduzido em vários idiomas. Desde então, publicou quatro romances, sendo que os três primeiros foram dirigidos para um público mais jovem, e intitulam-se de El Palacio de la Medinoche, Las Luces de Semptiembre e Marina. Nos últimos anos transformou-se numa das maiores revelações literárias dos últimos tempos com A Sombra do Vento,que foi traduzido em mais de 30 idiomas e publicado em cerca de 45 países, e foi finalista dos prêmios literários espanhóis Fernando Lara 2001 e Llibreter 2002. Em Portugal, essa obra foi premiada com as Correntes d'Escritas, do ano de 2006. Seu romance mais atual é O Jogo do Anjo,escrito em 2008,que teve mais de um milhão de exemplares vendidos na Espanha.

O autor vive atualmente em Los Angeles, onde escreve roteiros para o cinema e trabalha em um novo romance. Zafón colabora também nos jornais espanhóis La Vanguardia e El País. A Sombra do Vento já ultrapassou a marca dos 6.5 milhões de exemplares vendidos em todo o mundo desde o seu lançamento, em 2001.

Bíblia Apologética de Estudo - (versão Almeida revista e Corrigida)

Bíblia Apologética de Estudo Nova Edição Ampliada 
Editora ICP / Editora Geográfica

A Bíblia Apologética Nova Edição Ampliada do ICP usa como base a tradução de João Ferreira de Almeida, edição Corrigida e Revisada Fiel ao Texto Original, publicado pela SBTB Sociedade Bíblica Trinitariana Brasileira, a mais usada no Brasil, por mais de 60% dos evangélicos. Papel e recouro importados de primeira linha, a exemplo das melhores Bíblias de estudos do Brasil, a diferença de ser a única sobre o tema!!!

Trazemos nessa 2ª edição o dobro notas de rodapé de páginas, com estudo sobre religiões, seitas e heresias, respondendo as objeções de cada uma delas, e assim facilitando o seu diálogo com os adeptos de seitas e religiões não cristas.

O Apêndice da 2ª edição contém quase o triplo do conteúdo da primeira edição, com a atualização dos dados já publicados, novos mapas, tabelas e gráficos sobre assuntos teológicos, etc, além de Concordância Bíblica!

· Ícones simbolizando cada grupo religioso.

· O dobro das notas da primeira edição, com temas inéditos e atualizados. Totalizando 1.580 notas apologéticas e teológicas com foco em três abordagens:

· Refutação de seitas, heresias e religiões não cristas. Em todos os versículos que são utilizados distorcidamente por um grupo, reproduzimos uma síntese do que eles dizem e apresentamos uma refutação prática e objetiva.

· Respostas as aparentes contradições bíblicas. Aqueles textos bíblicos que (aparentemente) estão em choque com outras passagens, e por essa razão os céticos desacreditam a Bíblia, apresentamos uma explicação lógica, de fundo histórico e teológico.

· Comentários apologéticos. Nos versículos que servem de base para afirmação das doutrinas cristãs, fazemos um comentário enfatizando-as.


Introduções dos Livros

· Texto explicativo sobre o aspecto apologético de cada livro da Bíblia.

 Apêndice

· Concordância Bíblica.

· Novo apêndice atualizado e ampliado. Totalizando quase 200% do conteúdo apresentado na 1ª edição. Veja relação abaixo:

· Prefácio - Apresentação usual do projeto aos leitores.

· Como usar - Orientações aos irmãos de como explorar o máximo os recursos disponibilizados, bem como o significado de siglas, ícones etc.

· Apócrifos - Comentário colocado entre o AT e NT, explicando sobre esses livros que estão ausentes na Bíblia protestante.

· Índice remissivo - Recurso sistemático organizado por temas, possibilitando o leitor encontrar todas as notas referentes ao assunto do seu interesse;

· Glossário - Significado dos termos e expressões apologéticas e religiosas utilizadas nas notas e apêndice;

· Vocabulário grego - Dado à relevância da Septuaginta, julgamos ser importante compartilhar algumas noções sobre ela e um pequeno vocabulário bíblico da língua para qual a versão original hebraica fora traduzida;

· Como identificar uma seita - Regras básicas e práticas de como um cristão pode identificar um grupo sectário ou com desvios doutrinários referente à ortodoxia cristã;

· Hermenêutica - Comentário sobre as regras de interpretação de textos;

· Histórico das religiões - Esboço da história de todas as religiões mundiais e das seitas. Inclui ainda um apêndice histórico sobre praticamente todas as seitas brasileiras;

· A salvação em várias religiões - Esboço do entendimento que cada religião e as principais seitas possuem da salvação humana;

· Credos - Reprodução de todas confissões cristãs primitivas, incluindo o pouco conhecido "Credo primitivo";

· Diferença entre seitas e a Igreja - Gráfico sobre as diferenças entre a igreja cristã bíblica e os grupos sectários sobre aspectos sociológicos, teológicos, etc.

· Confronto doutrinário - Gráfico apontando o que algumas seitas pensam sobre pontos crucias bíblicos;

· 95 teses de Lutero - Reprodução na íntegra das famosas teses do reformador Lutero;

· Supremacia do Novo Testamento - Comentário sobre a inerrância e confiabilidade histórica e documental do NT frente a outras obras seculares históricas;

· Cronologia das principais confissões de fé protestantes - Planilha com as datas, nomes e um pequeno comentário das históricas confissões doutrinárias cristãs;

· Quadro resumido dos concílios trinitários e cristológicos - Planilha simplificada apontando: Local, Data, Assunto em discussão e o Resultado do fórum doutrinário;

· Bibliografia - Lista ampliada de todas as obras heterodoxas utilizadas nos comentários e ainda das principais obras ortodoxas cristãs utilizadas nos estudos;

· Mapas - Mapas das religiões e gráficos atualizadas incluindo alguns inéditos sobre a realidade brasileira.


Páginas: 1665

Formato: 17,5 x 24,5 cm.

Bíblia de estudo Aplicação Pessoal - (Versão Almeida Revista e Corrigida 2001)

Prefácio à segunda edição:

não há maior privilégio nem alegria do que estudar a Palavra de Deus. Quando nos damos conta de que Deus nos amou o bastante para não apenas enviar seu Filho como sacrifício expiatório pelos nossos pecados, mas também se importou tanto conosco, que nos revelou suas verdades para desafiar e orientar nossa vida, ficamos pasmos de ver como merecemos pouco diante do muito que ele fez por nós!

Há somente um conjunto de verdades absolutas neste mundo, e não é a matemática nem a ciência (pois nem todas as leis da física valem para um quasar ou para um buraco negro), mas apenas a Palavra de Deus. Nela se encontram de fato os princípios eternos que foram estabelecidos com o propósito de nos conduzir ao longo desta vida.

Portanto, estudar a Palavra de Deus com a máxima atenção é tanto um privilégio quanto uma responsabilidade. Como cristão, deixar de estudar a revelação inspirada equivale a recusar conhecer as leis do país em que vivemos e, assim, infringi-las de modo impune. É um ato que fatalmente trará consequências catastróficas, pois significa que não damos importância para as regras às quais prometemos obedecer por sermos cidadãos do nosso país — seja o Brasil, os Estados Unidos, a Grã-Bretanha, ou o céu (cf. Fp 3.21).

O propósito deste livro é proporcionar um panorama abrangente dos princípios hermenêuticos que regem a leitura de qualquer livro, mas em particular se destina ao estudo e à compreensão da Bíblia, a Palavra de Deus. Gosto de usar uma metáfora culinária: quero ensinar meus alunos a prepararem uma refeição de alta qualidade com a Palavra, de modo que possam fornecer alimento sólido para as pessoas que estiverem sob seus cuidados (cf. Hb 5.14). 

De uma coisa tenho certeza: os cristãos querem se alimentar, e meu alvo é capacitar pastores e professores nas igrejas, para que saibam descobrir essas verdades bíblicas preciosas e transformá-las em sermões e estudos bíblicos para o rebanho que Deus lhes confiou. Fiquei agradavelmente surpreso e gratifi cado diante da maneira como o Senhor usou a primeira edição deste livro nos últimos quinze anos. Chegou a hora de atualizá-lo a espiral Hermenêutica e acrescentar material que surgiu durante esse intervalo de tempo. Não há estudante que não fique admirado ao ver a quantidade de coisas impressas a cada ano. 

Estamos vivendo na época da maior explosão de conhecimentos de toda a história. Qualquer pessoa que tenha um computador sabe disso. Nossos conhecimentos nas áreas bíblica e teológica praticamente dobraram ou até triplicaram nas últimas décadas. Nunca foram publicados tantos comentários, dicionários, enciclopédias e artigos como nos últimos anos. Só para atualizar este livro, para que refletisse os últimos quinze anos (1991-2006) de estudos acadêmicos, tive de acrescentar mais de trezentos títulos à bibliografia.

Informo agora o que foi acrescentado a esta nova edição. Primeiro, há dois capítulos completamente novos que trazem informações que precisavam fazer parte do livro: (1) “A interpretação da Lei” (Cap. 6) mostra como interpretar as passagens da Torá do Pentateuco, incluindo os códigos legais, as regras acerca de coisas e pessoas puras e impuras, e o sistema sacrificial. (2) “O Antigo Testamento no Novo Testamento” (Cap. 14) procura auxiliar o estudioso que se dedica a entender os vários
contextos e aplicações das passagens do Antigo Testamento citadas pelos escritores do Novo. 

Isso inclui o uso que fazem de paradigmas, como os que podemos encontrar na Septuaginta, nos Targuns, nos Midrash e nos textos de Qumran. O capítulo mapeia técnicas como tipologia, alegoria e novos sentidos, apresentando um método para entender como os autores do Novo Testamento usavam a Antiga Aliança, e fornece exemplos extraídos das principais evidências, tais como Mateus, João, Atos, Paulo, Hebreus e Apocalipse.

Em segundo lugar, acrescentei novas seções dentro de capítulos que já existiam: Incluí na introdução duas subdivisões intituladas “A interpretação e o problema da distância” e “O papel do leitor na interpretação”. Incluí no capítulo dois (“Gramática”) informações importantes na seção “Análise gramatical do texto” e uma conclusão, além de uma nova seção sobre a teoria do aspecto. 

Acrescentei ao capítulo quatro (“Sintaxe”) uma seção sobre “Análise do discurso e linguística do texto” e um “Excurso sobre o debate acerca da linguagem inclusiva”. No capítulo cinco (“Contextos históricos e culturais”), atualizei quase todas as seções, incluindo dados importantes mais recentes. 

Acrescentei ao capítulo sete (“Narrativa”) uma subdivisão intitulada “Interpretando a narrativa bíblica”, sobre as críticas da fonte, da forma e da redação. 

Ao capítulo oito (“Poesia”) incorporei a subdivisão “A estrutura dos salmos”. 

Acrescentei ao capítulo nove (“Sabedoria”) informações fundamentais sobre a interpretação do Eclesiastes. 

Ao capítulo dez (“Profecia”) adicionei dados importantes sobre o desenvolvimento da tradição profética, além de breves seções sobre o “lamento profético” e a leitura canônica ou sincrônica.

Incorporei ao capítulo onze (“Apocalíptica”) dados sobre a “Recriação do cosmos”, a cosmovisão do livro de Apocalipse e a interpretação de símbolos. Incluí no capítulo doze (“Parábola”) informações essenciais sobre a “História da interpretação”.

Ao capítulo quinze (“Teologia bíblica”) acrescentei muita coisa à introdução sobre o desenvolvimento histórico da teologia bíblica, além de uma seção sobre o “Método narrativo”. 

Adicionei ao capítulo dezesseis (“Teologia sistemática”) seções importantes sobre “A virada pós-moderna” e “Método teológico”. Incluí no capítulo dezessete (“Homilética I: contextualização”) uma subdivisão intitulada “Desenvolvendo uma cultura eclesiástica transformada”. Ao capítulo dezoito
(“Homilética II: o sermão”) incorporei uma subdivisão chamada “Uma teologia bíblica da pregação”.

Por fim, ao longo de todo o livro atualizei e refiz seções sob a perspectiva de novos dados e descobertas nos diferentes campos de conhecimento. Por exemplo, não acrescentei novas seções a nenhum dos dois apêndices sobre questões filosóficas em torno do pensamento de que é possível descobrir o significado original de um texto, mas incorporei uma boa quantidade de dados extraídos de autores como Anthony Thiselton, Kevin Vanhoozer e Nicholas Wolterstorff.  

O volume de informações surgidas nessa área nos últimos quinze anos é de tirar o fôlego! Como consequência dessas revisões, atualizações e acréscimos, espero que a segunda edição se revele um importante passo na tarefa da hermenêutica e venha a servir à igreja com mais fidelidade do que a primeira edição.

Grant Osborne
19 de junho de 2006

Publicação: CPAD

Olhinhos de Gato - Cecilia Meireles


Olhinhos de gato, de Cecília Meireles

Publicado entre 1939 e1940, Olhinhos de Gato é, nas palavras da própria Cecília Meireles, em entrevista publicada pela revista Manchete, um pequeno livro de memórias em que predomina uma narrativa sobre sua infância.

Olhinhos de Gato é uma reflexão poética sobre a perda, a dor, a solidão, a morte, o luto, embalada pelas histórias encantadas da ama, as descrições suaves dos moradores da rua do bairro do Estácio, no Rio de Janeiro, as brincadeiras de roda tão ao gosto das crianças de antigamente.

Pleno de nostalgia, é um livro para ser saboreado devagar, lendo e relendo, apreciando toda a sua musicalidade e relembrando as emoções da própria infância, olhando um outro jeito de viver a vida. Cecília explora de maneira sofisticada a linguagem. 


Clique aqui para comprar  o livro


A repetição de sons cria um clima de abandono e solidão; a adjetivação abundante, escolhida com muita sensibilidade, ajuda a criar um clima subjetivo e poético; a repetição de palavras, em muitas passagens, intensifica a presença da morte; o emprego do diminutivo reconstrói o universo infantil; o emprego estilístico da pontuação: o uso abundante das reticências que abrem espaço
para a divagação e a memória, os parênteses que inserem um outro tempo no diálogo com o leitor; a presença das onomatopéias que ecoam os ruídos de outras épocas.

A narrativa, com seus treze capítulos, contempla dois momentos marcantes na vida de Olhinhos de Gato:

- o primeiro, com a morte da mãe, o beijo no rosto duro e frio;
- o segundo, com outro tipo de morte, o da infância, quando seus lindos cachos são cortados, e ela os traz para casa e os entrega à avó, recebendo de presente uma cadeirinha de vime.

Com linguagem sofisticada, a autora procura desvendar sua infância em momentos de contemplação intimista e aqui e ali algum fato concreto, como as músicas que a ama cantarolava, os carroceiros vendedores de mercadorias, as vizinhas que conversavam pelas varandas, as brincadeiras de roda tão ao gosto das crianças de antigamente. Mas o que fica mesmo são as observações reflexivas sobre vida, morte e sensações. Os personagens não são nomeados, mas simbolizados com outros nomes.

Sinopse

Criança, Olhinhos de Gato era tratada com mimos pela avó, Boquinha de Doce, que lhe fazia lindos vestidinhos com babados, fitas, renda e ponto russo. A ama, Dentinho de Arroz, era silenciosa, olhos negros, levemente vesgos, névoa tênue de buço, pelo sorriso; névoa menos tênue de mágoa, no olhar. Com ela, Olhinhos
de Gato subia a ladeira suspensa no ombro, num passeio por cima do vento, perto das nuvens e das estrelas.

Havia ainda a presença carinhosa da Maria Maruca e Có, agregados da família, de tia Totinha, que Olhinhos de Gato considerava sábia porque tocava piano e fazia pão-de-ló. Olhinhos de Gato tem alma feminina; cheiros, sons e sabores da infância. Uma infância povoada de lembranças, de solidão e do sentimento sempre presente da morte.

Editora: Moderna 
Ano:2003
Edição: 3
Páginas: 200
Autor: Cecília Meireles

Histórias da Vida Privada Vol. 5 - (da Primeira Guerra Mundial aos Nossos Dias) Philippe Ariès e Georges Duby

O artigo que aqui apresentamos é um estudo da obra "A História da Vida Privada", em 5 volumes, dos historiadores Paul Veyne (volume 1), Georges Duby (volumes 2 e 4), Philippe Ariès (volumes 3 e 4), Roger Charier (volume3), Gerard Vincent (volume 5) e Antoine Prost (volume 5). 

Cada livro refere-se a vários aspectos de uma época específica. Concentramo-nos acerca do debate sobre a nudez, em seus aspectos de privacidade, intimidade e sociabilidade. Durante a história houve distintas maneiras de tratar essa questão. Tentamos, assim, fundir a argumentação  sob este motivo de maneira simples e didática.

Da Primeira Guerra aos dias atuais

A rebelião do corpo certamente constitui um dos aspectos mais importantes da vida. Com efeito, ela modifica a relação do indivíduo consigo mesmo e com os outros. A novidade no final do século XX são as atividades físicas: surgiram para o culto ao corpo, pela aparência, bem-estar e realização. "Sentir-se bem na própria pele" se torna um ideal.
          
O espelho surge (e não é uma invenção novecentista, mas sua banalização e a forma de usá-lo são próprias desse século): a pessoa não se olha mais no espelho com o olhar de outro, ela se olha de uma maneira que, de modo geral, ninguém está autorizado a fazer: sem maquilagem, sem roupa, totalmente nua. Assim, as manifestações narcisistas do banheiro são percorridas por sonhos e lembranças. Cuidar do corpo é prepará-lo para ser mostrado.

A roupa se torna funcional, prática e confortável, mesmo contra os costumes, passa a valorizar o corpo e deixar adivinhar suas formas, realçando-as e, por vezes, revelando-as. Exibe o bronzeado, a pele lisa e firme, a flexibilidade. Aliás, mostra-se cada vez mais o corpo: cada etapa desse desnudamento parcial começa provocando certo escândalo, depois se difundi rapidamente e acaba se impondo, pelo menos entre os jovens, aumentando a distância entre gerações. 

É o caso da mini-saia nos meados dos anos 60 ou 70, depois do mono-biquíni nas praias, mostrar os seios e as coxas deixa de ser indecente. Nas cidades, durante o verão, vêem-se homens de bermuda, camisa aberta, mostrando o tronco nu. O corpo não é apenas assumido e reabilitado: é reinvindicado e exposto à visão de todos.

Para as normas do entreguerras, o avanço do nu é o avanço da indecência, no mínimo da provocação. Para a nova norma, é o contrário, uma coisa muito natural, uma nova maneira de habitar o próprio corpo. Prova disso é o fato que o nu avança não só nos lugares públicos, mas, também, no universo doméstico. 

As famílias no verão sentam a mesa em trajes de banho. Os pais vão e voltam do banheiro para o quarto nus, sem se esconder dos filhos. É difícil saber até que ponto essas práticas prevalecem, o que certamente depende dos meios e das gerações. Mas sua mera possibilidade mostra que não se trata de depravação, e sim de uma mudança de normas.

De fato, o corpo se tornou o lugar da identidade pessoal. Sentir vergonha do próprio corpo é sentir vergonha de si mesmo.

 Extensa e detalhada análise do cotidiano ao longo da História universal. Uma obra enciclopédica que, por sua abrangência, seriedade e funcionalidade, tornou-se um best-seller tanto junto ao público leigo como ao especializado.

Prefaciado pelo historiador francês Georges Duby, que dirige a coleção ao lado de Philippe Ariès, este primeiro volume cobre um período de cerca de oito séculos, do declínio do Império Romano à Alta Idade Média ocidental e à Bizâncio dos séculos X e XI.O livro reúne ensaios que examinam a vida cotidiana de cidadãos e escravos, senhores e servos – sua sexualidade, o casamento, a família, as diversas formas de moradia, as atitudes religiosas e as práticas funerárias -, compondo um quadro dos comportamentos individuais e sociais no período abordado.

Autor: Philippe Ariès e Georges Duby
Número de páginas: 3212
Acabamento: Brochura
Volumes: 5
Editora: Companhia das Letras

Histórias da Vida Privada Vol. 4 (da Revolução Francesa à Primeira Guerra) Philippe Ariès e Georges Duby

O artigo que aqui apresentamos é um estudo da obra "A História da Vida Privada", em 5 volumes, dos historiadores Paul Veyne (volume 1), Georges Duby (volumes 2 e 4), Philippe Ariès (volumes 3 e 4), Roger Charier (volume3), Gerard Vincent (volume 5) e Antoine Prost (volume 5).

Cada livro refere-se a vários aspectos de uma época específica. Concentramo-nos acerca do debate sobre a nudez, em seus aspectos de privacidade, intimidade e sociabilidade. Durante a história houve distintas maneiras de tratar essa questão. Tentamos, assim, fundir a argumentação  sob este motivo de maneira simples e didática.

Da Revolução Francesa à Primeira Guerra

Cento e cinqüenta anos depois, a sala de banho é transformada em santuário, fecha-se sobre a nudez dos senhores que já não toleravam ser vistos por seus criados, "madames se vestiam sozinhas e penteavam-se pessoalmente. Ela se tranca em sua toalete e é muito difícil que alguém tenha direito de entrar" (Diário de uma criada de quarto). Mostra-se que essa expulsão foi precedida por uma "relação mais exigente do indivíduo consigo mesmo". Essa exigência de mais intimidade não se manifesta apenas no banheiro, mas, também, no dormitório e em toda a casa.

Os ricos, principalmente, viviam sobre as vistas dos criados, comiam, dormiam sob os olhos deles. Acabaram por perderem as intimidades a dois (os casais). E a exigência de recusa aos criados o tranformou num intruso, no século XIX. Em 1830 começa a moda dos retratos, de famílias, de pessoas e parentes passados que morreram ou amigos. Mas esse processo favorece por fim a vulgarização e a contemplação da imagem da nudez.

Tende a modificar o equilíbrio dos modos de simulação erótica, a difundir um novo tempo de desejo, testemunha-o prestígio do nu. O legislador percebeu-o bem depressa e, desde 1850, uma lei proíbe a venda de fotos obscenas em vias públicas. Após 1880, a foto pública de amador suprime o intermediário profissional, alivia o ritual da pose, abre de par em par a vida privada para a objetiva, a partir de então ávida de imagens íntimas.

No início do século XIX, é no seio do espaço privado que o indivíduo se prepara para afrontar o olhar dos outros; ali configura-se sua apresentação em função das imagens sociais do corpo. Impõe-se nessa época a elaboração de uma estratégia de aparência, um sistema de comunhões e ritos que visam somente a esfera privada. Assim, ao cabo de décadas, a camisola de dormir deixa aos poucos de ser tolerada fora do quarto. 

Tornou-se símbolo de uma intimidade erótica e menor alusão a ela. Outro fato histórico renova então as condutas privadas: o inaudito sucesso da lingerie. A extrema sofistificação da vestimenta invisível valoriza a nudez, dando-lhe maior profundidade. Enquanto se multiplicavam os estágios do despir-se (no final do século), a acumulação erótica ainda era um tabu. As mulheres usavam corpetes para manter a silhueta esbelta e acentuar as curvas das ancas e dos seios.

No final do século XIX, o corpo já está mais livre. Os gestos e as posturas são permitidos e o corpo deixa de ser percebido como exterior à pessoa. Os prazeres do corpo nu em meio a fluidez de um banho de mar já não é tão julgado.

Autor: Philippe Ariès e Georges Duby
Origem: Nacional
Ano: 2009
Edição: 1
Número de páginas: 3212
Acabamento: Brochura
Volumes: 5
Editora: Companhia das Letras


Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...