sábado, 8 de janeiro de 2011

Bíblia de estudo Aplicação Pessoal - (Versão Almeida Revista e Corrigida 2001)

Prefácio à segunda edição:

não há maior privilégio nem alegria do que estudar a Palavra de Deus. Quando nos damos conta de que Deus nos amou o bastante para não apenas enviar seu Filho como sacrifício expiatório pelos nossos pecados, mas também se importou tanto conosco, que nos revelou suas verdades para desafiar e orientar nossa vida, ficamos pasmos de ver como merecemos pouco diante do muito que ele fez por nós!

Há somente um conjunto de verdades absolutas neste mundo, e não é a matemática nem a ciência (pois nem todas as leis da física valem para um quasar ou para um buraco negro), mas apenas a Palavra de Deus. Nela se encontram de fato os princípios eternos que foram estabelecidos com o propósito de nos conduzir ao longo desta vida.

Portanto, estudar a Palavra de Deus com a máxima atenção é tanto um privilégio quanto uma responsabilidade. Como cristão, deixar de estudar a revelação inspirada equivale a recusar conhecer as leis do país em que vivemos e, assim, infringi-las de modo impune. É um ato que fatalmente trará consequências catastróficas, pois significa que não damos importância para as regras às quais prometemos obedecer por sermos cidadãos do nosso país — seja o Brasil, os Estados Unidos, a Grã-Bretanha, ou o céu (cf. Fp 3.21).

O propósito deste livro é proporcionar um panorama abrangente dos princípios hermenêuticos que regem a leitura de qualquer livro, mas em particular se destina ao estudo e à compreensão da Bíblia, a Palavra de Deus. Gosto de usar uma metáfora culinária: quero ensinar meus alunos a prepararem uma refeição de alta qualidade com a Palavra, de modo que possam fornecer alimento sólido para as pessoas que estiverem sob seus cuidados (cf. Hb 5.14). 

De uma coisa tenho certeza: os cristãos querem se alimentar, e meu alvo é capacitar pastores e professores nas igrejas, para que saibam descobrir essas verdades bíblicas preciosas e transformá-las em sermões e estudos bíblicos para o rebanho que Deus lhes confiou. Fiquei agradavelmente surpreso e gratifi cado diante da maneira como o Senhor usou a primeira edição deste livro nos últimos quinze anos. Chegou a hora de atualizá-lo a espiral Hermenêutica e acrescentar material que surgiu durante esse intervalo de tempo. Não há estudante que não fique admirado ao ver a quantidade de coisas impressas a cada ano. 

Estamos vivendo na época da maior explosão de conhecimentos de toda a história. Qualquer pessoa que tenha um computador sabe disso. Nossos conhecimentos nas áreas bíblica e teológica praticamente dobraram ou até triplicaram nas últimas décadas. Nunca foram publicados tantos comentários, dicionários, enciclopédias e artigos como nos últimos anos. Só para atualizar este livro, para que refletisse os últimos quinze anos (1991-2006) de estudos acadêmicos, tive de acrescentar mais de trezentos títulos à bibliografia.

Informo agora o que foi acrescentado a esta nova edição. Primeiro, há dois capítulos completamente novos que trazem informações que precisavam fazer parte do livro: (1) “A interpretação da Lei” (Cap. 6) mostra como interpretar as passagens da Torá do Pentateuco, incluindo os códigos legais, as regras acerca de coisas e pessoas puras e impuras, e o sistema sacrificial. (2) “O Antigo Testamento no Novo Testamento” (Cap. 14) procura auxiliar o estudioso que se dedica a entender os vários
contextos e aplicações das passagens do Antigo Testamento citadas pelos escritores do Novo. 

Isso inclui o uso que fazem de paradigmas, como os que podemos encontrar na Septuaginta, nos Targuns, nos Midrash e nos textos de Qumran. O capítulo mapeia técnicas como tipologia, alegoria e novos sentidos, apresentando um método para entender como os autores do Novo Testamento usavam a Antiga Aliança, e fornece exemplos extraídos das principais evidências, tais como Mateus, João, Atos, Paulo, Hebreus e Apocalipse.

Em segundo lugar, acrescentei novas seções dentro de capítulos que já existiam: Incluí na introdução duas subdivisões intituladas “A interpretação e o problema da distância” e “O papel do leitor na interpretação”. Incluí no capítulo dois (“Gramática”) informações importantes na seção “Análise gramatical do texto” e uma conclusão, além de uma nova seção sobre a teoria do aspecto. 

Acrescentei ao capítulo quatro (“Sintaxe”) uma seção sobre “Análise do discurso e linguística do texto” e um “Excurso sobre o debate acerca da linguagem inclusiva”. No capítulo cinco (“Contextos históricos e culturais”), atualizei quase todas as seções, incluindo dados importantes mais recentes. 

Acrescentei ao capítulo sete (“Narrativa”) uma subdivisão intitulada “Interpretando a narrativa bíblica”, sobre as críticas da fonte, da forma e da redação. 

Ao capítulo oito (“Poesia”) incorporei a subdivisão “A estrutura dos salmos”. 

Acrescentei ao capítulo nove (“Sabedoria”) informações fundamentais sobre a interpretação do Eclesiastes. 

Ao capítulo dez (“Profecia”) adicionei dados importantes sobre o desenvolvimento da tradição profética, além de breves seções sobre o “lamento profético” e a leitura canônica ou sincrônica.

Incorporei ao capítulo onze (“Apocalíptica”) dados sobre a “Recriação do cosmos”, a cosmovisão do livro de Apocalipse e a interpretação de símbolos. Incluí no capítulo doze (“Parábola”) informações essenciais sobre a “História da interpretação”.

Ao capítulo quinze (“Teologia bíblica”) acrescentei muita coisa à introdução sobre o desenvolvimento histórico da teologia bíblica, além de uma seção sobre o “Método narrativo”. 

Adicionei ao capítulo dezesseis (“Teologia sistemática”) seções importantes sobre “A virada pós-moderna” e “Método teológico”. Incluí no capítulo dezessete (“Homilética I: contextualização”) uma subdivisão intitulada “Desenvolvendo uma cultura eclesiástica transformada”. Ao capítulo dezoito
(“Homilética II: o sermão”) incorporei uma subdivisão chamada “Uma teologia bíblica da pregação”.

Por fim, ao longo de todo o livro atualizei e refiz seções sob a perspectiva de novos dados e descobertas nos diferentes campos de conhecimento. Por exemplo, não acrescentei novas seções a nenhum dos dois apêndices sobre questões filosóficas em torno do pensamento de que é possível descobrir o significado original de um texto, mas incorporei uma boa quantidade de dados extraídos de autores como Anthony Thiselton, Kevin Vanhoozer e Nicholas Wolterstorff.  

O volume de informações surgidas nessa área nos últimos quinze anos é de tirar o fôlego! Como consequência dessas revisões, atualizações e acréscimos, espero que a segunda edição se revele um importante passo na tarefa da hermenêutica e venha a servir à igreja com mais fidelidade do que a primeira edição.

Grant Osborne
19 de junho de 2006

Publicação: CPAD

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