sábado, 3 de março de 2012

"Precisamos falar sobre o Kevin"

Por: Marcio Alves

Sempre achei que o ser humano não fosse totalmente bom, mas nunca pensei que chegaria ao extremo de enxergá-lo como “ovelha puramente negra”. E olha que eu combatia ferozmente o conceito tradicional cristã de “pecado original” e “queda” – tudo bem que essa estória (sem “h”) de que por causa de Adão e Eva, o mundo todo como o ser humano esta em treva, não passa de “historinhas infantis”, mas o conceito do ser humano mergulhado no “pecado” e que está irremediavelmente “perdido” é muito ilustrativo e valido, como metáforas para mostrar a natureza má e sem solução do ser humano.


Chama-me muita atenção o fato de estar em voga hoje em dia, no meio acadêmico das ciências sociais, a imagem do ser humano bondoso que é corrompido pela sociedade. Desta forma, a culpa sempre recairia sobre o meio, nunca sobre a “natureza” do individuo.

O filme “Precisamos falar com Kevin” é como um soco na boca do estomago desta mesma ciência social, que não percebe e/ou não quer ver, (claro, como ficaria o emprego dos psicólogos e sociólogos, se eles admitissem que o ser humano esta definitivamente perdido sem salvação? E olha que eu falo contra mim mesmo, pois estou me formando em psicologia. Risos) que para além do “simples” meio social – eu sei que o meio exerce uma função importante sobre o individuo – existe inclinações naturais em todo sujeito.

Não vou entrar em detalhes do filme, até porque não é este meu propósito com o texto – mentira! É que não sou bom em resenhas ou criticas de filmes (risos) – mas o cerne do filme é justamente o que vou aproveitar e colocar como discussão aqui, pois o ser humano já nasce mal ou será que é corrompido pela sociedade? Existe maldade gratuita? E a bondade...será que existe mesmo bondade altruísta neste mundo?
Ou toda bondade é realizada com “segundas” (às vezes até terceira, quarta...) intenções, mesmo que seja “inconsciente”?

Na minha visão “Rodriguiriana” não existe bondade altruísta, pois toda ação bondosa tem um ganho, mesmo secundário e inconsciente.
Nem que seja o prazer que a pessoa “bondoso” sente ao ajudar alguém necessitado, excluído ainda a tentação que dificilmente a pessoa “bondoso” escapa que é de se achar (vaidade) uma ótima pessoa (uma pessoa do “bem”) e de passar para os outros que ela é legal e sincera.

E a prova mais contundente disto é o amor.. (explico)
É o sentimento encarado pela sociedade como o mais puro e lindo. Inclusive, para os cristãos, é a principal e máxima virtude – lembra de Paulo que disse “permanecem a fé, esperança e o amor, dos três, o mais importante é o amor”. Pois então...o amor, aquele mesmo que você meu caro leitor, jura ter por seu filho, mãe, esposa ou esposo, amigo ou irmão, (e, eu acredito!) este mesmo amor é egoísta primeiramente, sempre.

Pois sempre amamos o que é nosso com a condição sine qua non de ser nosso. Por isso que o amor que seria aquele que talvez redimisse a humanidade de sua egocêntricidade e maldade, é o maior exemplo de egoísmo. Inclusive tudo que fazemos, seja do ator menor: dá presente, ao ato maior: dar a vida, fazemos por nós mesmos egoisticamente, centrado sempre em nós – pois nós dá prazer fazer quem nós amamos felizes.

Mas é claro que toda esta maldade não é “culpa” nossa, nem muito menos da nossa sociedade materialista, consumista e individualista – embora também o seja – mas principalmente porque somos assim, e se somos assim porque somos assim (ou porque fomos “feitos” assim para quem crer em criação) não temos culpa...isto faz parte de nosso instinto, e esta para alem da nossa vontade.

É por isto (e por outros motivos que não vem ao caso agora) que acho as ciências sócias uma piada, ou, um simples e insignificante doril para um câncer que é o ser humano.

Ainda realmente você quer me pergunta meu caro leitor, se acredito no ser humano ou em um mundo mais bonito e legal?

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

Vaidade das vaidades, tudo vaidade


Por Edson Moura
Dias desses recebi a visita de um grande amigo, aliás, dois grandes amigos, e por muitas vezes, no calor de nossos debates, refleti sobre temas que preferi não compartilhar com eles naquele momento. Agora, depois de passada a euforia de ter meus companheiros Marcio e Esdras dividindo o mesmo teto comigo, resolvi escrever sobre o que pensei naquele momento.  Ponderações sobre a velhice, a morte e o “ser feliz” num mundo já há tempos dominado pela indústria da beleza e sua falsa promessa de bem estar e eterna juventude me fizeram pensar sobre como estou conduzindo minha existência.
 
Ouvi dizer, ou talvez tenha lido em algum livro ou revista que certa feita Sócrates foi indagado ao observar atenciosamente e com profunda admiração sobre as coisas que punha os olhos. Sócrates teria respondido que, na verdade examinava quantas coisas supérfluas existiam, e que, portanto, eram prescindíveis à sua felicidade. Hoje certamente essas coisas são muito banais. De modo que não se precisa sair a cata dos encantos da sereia. Dentro desse universo do que é supérfluo estão inseridas as bugigangas mais variadas do não envelhecimento.

A Indústria da beleza vem ditando em ritmo frenético o que é necessário para ser aceito nos espaços em que ela é fundamental. Mas o que seria o “belo”? Será que o belo é o mesmo que está retratado nos outdoors e nos manequins de grifes famosas? Para nós ocidentais chafurdados no capitalismo, os encantos de um Shopping Center faz todo o sentido, todas aquelas vitrines bem montadas nos seduzem e acabam nos obrigando a viver numa espécie de comunhão religiosa com o frívolo. Parece-me que nossa felicidade vem embrulhada num papel colorido de presente. Às vezes, nem percebemos que somos indivíduos, seres “para si” existentes, pois nos equiparamos àquilo que nos gera uma provisória sensação de bem estar.

Em 1931 Giovanne Reale disse: “Dê-me televisão e hambúrguer e não me venha com sermões sobre liberdade responsabilidade. Com este mesmo sentido, e parafraseando Nietzsche, Reale afirma que “a raiz de todos os males que atinge ao homem de hoje se encontra no exatamente Niilismo. O niilismo nietzschiano reduz-se à fórmula emblemática da morte de Deus, ou seja, do esmagamento da transcendência e de todos os valores metafísicos. Ora, se isto constitui-se uma verdade, se Deus está morto e com Ele toda dimensão transcendental, prevalece então o Materialismo e com isso toda a transvaloração dos ideais supremos.

Nessa perspectiva, o bem-estar material é deve ser tratado como prioridade, e isso gera, ou pelo menos contribui muito, para o mal-estar da civilização. Chamamos esse tipo de bem –estar de “felicidade artificial”, produzido pelo consumo desregrado que chega a se tornar um hiperconsumo bulímico que se alterna com as dietas de privações na busca de um corpo perfeito, mesmo que isso gere um culto dispendioso às vitaminas e dos oligoelementos.

Todos nós conhecemos a história de Narciso, que foi um jovem de extrema beleza, mas intoleravelmente soberbo e desdenhoso. Agrado de si mesmo e a todos os mais desprezando, levava a vida no serrado dos bosques coutadas, em companhia de um grupo de amigos para quem ele era tudo. E onde Narciso ia o seguia uma ninfa chama Eco. Assim vivendo chegou certo dia, por mero acaso, à beira de uma fonte cristalina e debruçou-se. Ao enxergar nas águas sua própria imagem, perdeu-se numa contemplação e depois numa admiração tão extasiadas de si mesmo que não pode afastar-se do reflexo que mirava e ali ficou paralisado, até que a consciência o abandonou. Foi então transformado numa flor que traz seu nome, a qual desabrocha no começo da primavera. É a flor sagrada das divindades infernais: Plutão, Prosérpina e Eumênides.

 Pobre Narciso, o culto a si mesmo o fez perder sua condição de existência, consumido pelo inebriado delírio de sua imagem. Não devemos nunca esquecer também que isto é apenas um detalhe quase sem relevância frente ao seu sinistro fim, ser transformado numa flor sagrada para as divindades do inferno. Lembremo-nos então que homens deste tipo tornam-se inúteis e imprestáveis para tudo na sociedade.

A Atual conjuntura do mundo, notoriamente marcado pela evolução científica, vem cada vez mais descobrindo meios de proporcionar prazer com a “felicidade artificial”. Sabe-se que a ciência tem um papel importantíssimo no retardamento da velhice, das doenças e como era de se esperar, da morte. Claro que isso não é ruim! É maravilhoso, desde que este objetivo não nos torne escravos de tais progressos. O homem é um ser temporal, finito. E quando não aceitamos esta condição, ou seja, quando ele faz de todo seu tempo um eterno retocar de maquiagem de suas rugas e cabelos brancos, de uma busca infinita pela beleza externa ditada pelos outdoors, acabará como Narciso: Inútil e imprestável.

Devemos lembrar que essa busca incessante pela beleza e negação da velhice é evidente nos padrões sociais mais elevados, pois sabemos, ou deveríamos saber, que são os ricos que detêm o poder aquisitivo para valer-se de tais panaceias. “Nos ricos o consumo torna-se histérico, maníaco pela autenticidade, pela beleza, pela cor pura e pela saúde. São eles quem dominam as vitrines, os grandes magazines, os pequenos mercados de pulgas. A mania de frivolidade torna-se mania de ninharias. Como seria a imagem do grande Sócrates em um Shopping Center? Qual seria sua reação?

Nessa corrida desesperada o tempo acaba por tornar-se o grande vilão. Uma voz que não se cansa de nos sussurrar: “Os teus dias estão passando!”. Então corremos para o espelho, verificamos se a calvície está aumentando, se mais um fio de cabelo ficou branco, se mais uma ruga traçou nosso rosto como o leito de um rio já seco, se a barriga já nos impede de amarrar o cadarço de nossos sapatos e assim por diante.  Rapidamente corremos para academia na tentativa frustrada de reparar a flacidez de nossos músculos já cansados de tanto trabalho pesado, ou, quando ainda não estão flácidos, o que é o meu caso, tentar impedir que isto aconteça. Desesperamo-nos, pois os dias estão passando, e o inimigo cruel não tem a menor intenção de parar de correr.

 A ampulheta da consciência diz isso. Uma batalha épica é travada com nosso ego, que diz: “Eu não quero envelhecer!”. Moisés num de seus salmos disse: “...Pois todos os nossos dias vão passando na tua indignação; passamos os nossos dias como um conto que se conta. Os anos de nossa vida chegam a setenta, ou oitenta para os que tem mais vigor, entretanto, são anos difíceis e cheios de sofrimento, pois a vida passa depressa e nós voamos...". (Salmo 90.9-11). Ninguém experimentou isso melhor do que o poeta John Keats, que morreu aos 25 anos vitimado por uma tuberculose, lamentando resignadamente: “Se eu tivesse tido mais tempo!”.

Assim como a nossa morte, a velhice, por enquanto, é inevitável, aliás, podemos dizer que elas caminham lado a lado e de mãos dadas. Vez ou outra a morte chega de maneira paulatina, outras vezes o tempo a impulsiona, mesmo assim, por mais velho que estejamos, sempre acharemos que está cedo demais para abrirmos a porta e convidá-la para entrar. O segredo está no velho pensamento romano: “Lembra-te que és mortal!”. Não aceitar a velhice, e consequentemente a morte, é viver sobre o jugo de uma eterna angústia. A Angústia da luta contra o inevitável, isso gera desespero, pois em determinado momento percebemos que a luta é vã, então entramos em crise. Portanto, não adianta nos desesperarmos, velhice e morte, essas duas companheiras nos visitam todos os dias. Todos os dias a primeira nos bate à porta, enquanto a segunda fica na soleira esperando o dia em que, sorrateiramente invadirá nossa morada, com isso, quando ela entrar, nada mais podemos fazer a não ser, arrumar as malas e partir para o definitivo.

Só me resta recorrer a Salomão, o sábio: “Vaidade das vaidades, tudo vaidade”, e como disse o profeta Moisés no salmo bíblico: ...Nossa vida é um conto ligeiro.

domingo, 29 de janeiro de 2012

Crente x ateus



Por: Marcio Alves

Porque descrer num Deus que vela por você?
Que na hora que você mais precisa vem te socorrer?
Quantos são os milagres feitos, conte se puderes ver
Há um Deus que tudo pode, basta você nele crer!

Para que crer, se crentes e ateus vivem uma mesma vida de sofrer?
Há momentos que o crer como não crer não muda sua sorte em não sofrer
Ateus também vivem milagres mesmo sem crer
A diferença esta no acaso em que ele vê!


Porque descrer se você pode fora do inferno viver?
Se você crer, sua alma será salva, e com Deus irá viver
Basta a Cristo entregar sua vida, confiando nele seu viver
Para que um dia, tenha seguranças da vida eterna quando morrer!

Para que crer, se não existe outra vida alem desta para viver?
Se você não crer, poderá aproveitar esta vida com muito prazer
Basta descrer nas crenças, e não terás mais tormentos em sua vida para viver
Para que um dia, tenha consciência de que viveu sem as manipulações e ilusões da religião que só quer te prender

Porque descrer fechando os olhos para Deus?
Se ouvires sua voz e hoje obedeceres, terás muitas bênçãos para contar que de Deus recebeu
Não esqueça que só louco pergunta aonde esta Deus
Pois só crente pode afirmar que nele vive Deus

Para que crer se a realidade crua e nua não mostra Deus?
Precisa do psiquiatra procurar se hoje ouvires a voz de Deus
Só ingênuo acredita sem questionar aonde esta Deus
Pois só ateu pode negar que no mundo vive Deus

Porque descrer se o homem sofre é por não crer
Deus não tem culpa, pois deu ao homem o poder de escolher
O mundo foi criado por Deus é assim para quem crer
Já o caos pelo homem que descrer

Para que crer se o homem sofre é porque não pode escolher em não sofrer, pois o mundo não é contos de fadas para se viver
Deus não tem culpa, nisto concorda o ateu, que não vê como pode aquilo que não existe ser responsável pelo sofrer
O caos é conseqüência de um universo cego que temos para viver
Já Deus do cego homem que cria um ser imaginário para crer
Porque não crer se você ateu vai se fuder?
Quando Jesus no céu aparecer
Você vai pro inferno queimar, enquanto eu no céu vou viver
Assim termina minha oração, que os ateus sofram muito para um dia virem a crer

Para que crer se ateu e crente tem o mesmo ao fim ao morrer?
A diferença esta em não querer ver, que toda religião com sua crença não passa de ilusão do ser humano que um dia vai perecer
Se Deus salvar um crente como você, nós ateus não precisamos então temer
Como não tenho a quem orar, vou apenas te falar: este seu Deus parece muito com você, castiga quem não crer, premia quem lhe serve, um deus assim é a imagem e semelhança de quem crer!

Preciso mais alguma coisa então dizer?

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Ainda há tempo


Por Edson Moura


Algo ainda me diz que posso ter esperança
Que no fundo somos todos crianças
O Problema é que meus olhos de adulto não me deixam ver

As estórias contadas por meu velho pai
Vez ou outra minha memória me trai
Mesmo meu cérebro adulto não me deixa esquecer

Algo me anestesie minha mente racional
Que me traga de volta o sentimento passional
Reflito e acho que já não é possível

Minha vida está passando e eu aqui...

Minha vida está passando e eu aqui...
Minha vida está passando e eu aqui... acreditando que vivi.

Como pude esquecer-me daquelas piadas?
Que animavam minhas tardes entediadas.
Meu sorriso reluta em se mostrar

Talvez tenha me tornado um velho triste
Esquecendo-me que o amor ainda existe
Nem sinto vontade de chorar.

Por que desisti da gente?
Por que me prender ao presente?
Quando foi que ergui este muro?

O Agora é real, agressivo e responsável
O que já passou é nostálgico, e irrecuperável
Só idiotas como eu não dão uma chance para o futuro.

Minha vida está passando e eu aqui...
Minha vida está passando e eu aqui...
Minha vida está passando e eu aqui... acreditando que vivi.

 Edson Moura






sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

O Suicídio - Émile Durkheim

Sobre o Livro:

O Suicídio foi um dos pilares no campo da sociologia. Escrito pelo sociólogo francês Émile Durkheim e publicado em 1897, foi um estudo de caso de um suicídio, publicação única em sua época, que trouxe um exemplo de como uma monografia sociológica deveria ser escrita.

Inúmeros estudos contemporâneos sobre o suicídio focavam em características individuais. Durkheim estudou as conexões entre os indivíduos e a sociedade. Ele acreditava que se pudesse demonstrar o quanto um ato individual é o resultado do meio social que o cerca, teria uma prova da utilidade da sociologia. Neste livro, Durkheim desenvolveu o conceito de anomia. 

Ele explora as diferentes taxas de suicídio entre protestantes e católicos, explicando que o forte controle social entre os católicos resulta em menores índices de suicídio.
De acordo com Durkheim, os indivíduos têm um certo nível de integração com os seus grupos, o que ele chama de integração social. Níveis anormalmente baixos ou altos de integração social poderiam resultar num aumento das taxas de suicídio:

Níveis baixos porque baixa integração social resulta numa sociedade desorganizada, levando os indivíduos a se voltar para o suicídio como uma última alternativa;

 Níveis altos porque as pessoas preferem destruir a si próprias do que viver sob grande controle da sociedade.

O trabalho de Durkheim influenciou os proponentes da Teoria do Controle, e é frequentemente mencionado como um estudo sociológico clássico.

Pág: 445

domingo, 20 de novembro de 2011

Quem somos nós?

Por: Marcio Alves


Somos, desejando ou não, buscando ou não, o que já vamos sendo na construtividade do nosso eu em um contexto que é construído, vivido e absorvido pelo cultural, social e geográfico em um determinado e limitado espaço e tempo histórico.

Somos na medida em que vamos deixando de ser para nos tornar quem somos, onde cada porta aberta fecha outra, e, cada porta que fechamos atrás de nós, abre outras, nos levando sempre por caminhos e descaminhos, por possibilidades e não possibilidades, que no final desembocará num determinado futuro que se tornará presente.

Somos a somatória de experiências vividas, como subtrações de não acontecidas em meio a uma vida já determinada pela aleatoriedade e contingência do acaso da vida, mesmo negando, rejeitando ou se arrependendo do passado, pois o passado não nos nega, rejeita e se arrepende de nós, pois tal como é nosso passado assim é a nossa historia de vida, ainda que sejamos no presente já não sendo mais como éramos no passado que ficou para trás, mas que como sombras continuam nos acompanhando.

Mesmo lutando contra nosso eu formado pela identidade adquirida no tempo e experiência de vida, não vamos apagar quem fomos e quem somos, pois só somos porque fomos um dia, e fomos um dia porque estamos sendo não mais o que éramos antes.
Nosso passado foi como esta sendo e sempre será a ponte que nos trouxe até o presente momento.

Somos o que foi determinado pela genética do nosso eu biológico que constitui nossos genes, temperamento, vontades e desejos.
Para uns, mais agressividade, para outros, mais amabilidade, mas para todos nós, uma identidade impar, que faz nós sermos quem somos justamente por não sermos que não somos.

Somos um produto do meio em que vivemos.
Onde, com quem, quando, e como vivemos é o que tem também nos modelado a ser o que temos sido, na medida em que vamos vendo, ouvido, percebendo, tocando, experimentando, cheirando, saboreando, lembrando e pensando o mundo externo a nós, num mundo objetivado pela concretude da vida, vamos simultaneamente internalizado subjetivamente os seus valores, desejos, vícios, prazeres e idéias, formando assim paulatinamente nossa identidade na identificação de olharmos para o espelho do mundo e vermos a nós mesmos.

Somos uma singularidade de reações, emoções e pensamentos, ao mesmo tempo em que somos um universo infinito de caos que está para além do entender do próprio sujeito, que na vida pratica acaba por se limitar este mesmo universo subjetivo de liberdade, possibilidades e escolhas, para preservar mantendo-se no meio social em que foi escolhido para viver.

Somos no fim das contas, uma totalidade de fatores somados ao mesmo tempo esquecidos, inatos ao mesmo tempo adquiridos, negados ao mesmo tempo integrados a nossa identidade, que tal como uma historia para ser entendida precisar ser vista em seu todo, assim somos nós visto em partes pelas pessoas que por mais que nos ame e nos acompanhe, não consegue nos ver pelo nosso todo, por isso, cada um vê em nós o que querem ver e não o que somos realmente, e até porque, quem somos esta constantemente passando e mudando pelas intermináveis variações de ambiente-externo e ambiente-interno.


Somos o que deveríamos ser ou não somos porque não escolhemos ser?


Não sei, o que sei é que o mais importante de tudo na vida que se vai vivendo e sendo, seja por aleatoriedade ou escolhas, por pré-condições e determinações não escolhidas ou ausência de querer é o que estamos fazendo com o que a vida fez de nós sermos, pois só assim, será o triunfo do ser sobre tudo que fez ele ser quem é, mesmo que seja ilusório, pois no final das contas não seria o que fazemos da vida que fez de nós sermos só possível porque a vida á priori fez de nós?

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

A evolução da moral e da ética




Por Por Noreda Somu Tossan

Seria possível condensar os valores todos num só, ou num essencial? Seria a “decência” esse condensado de tudo que julgamos bom? Porque se pensarmos na grande referência moral de nossa tradição, “Os dez mandamentos bíblicos”, eles se caracterizam, antes demais nada, por serem vários, muitos. A versão judaica, aliás, não coincide exatamente com as diferentes versões cristãs. Os cristãos admitem imagens de Deus, ao contrário dos Judeus, e a igreja Ortodoxa chega mesmo a dar papel importantíssimo aos ícones. A Igreja Católica, além disso, acrescentou cinco mandamentos dela própria, diga-se de passagem, bem menos impactantes que os revelados à Moisés no Monte Sinai.

Hoje, se quisermos penar no que é bom e correto, os mandamentos de Deus não são suficientes (e também têm alguns excessos). Quer dizer que precisamos incluir o que lhes falta exemplo: o respeito às religiões diferentes e também ao ateísmo, a igualdade dos sexos, a não descriminação dos outros povos, o fim da escravatura, enfim, uma série de preceitos morais que nos textos sagrados passam em silêncio, mas que se tornou fundamental para nós no século XXI. e também precisamos retirar alguns pontos que, embora façam sentido do ponto de vista religioso, não garantem que uma pessoa seja ética (decente), exemplo:

Não tomar o nome de Deus em vão, não adorar outros deuses e santificar um dia por semana são prescrições em determinada religiões, algumas, mas não para todas, o que não faz do adepto da religião que não pratica tais costumes, um imoral ou indecente. Ateus e agnósticos por exemplo não estariam obrigados por elas. E nem por isso, essas pessoas que não vêem sentido em um terço dos mandamentos judaico-cristãos, são sujeitos maus.

Fica então a pergunta: a ética se constrói pela constante agregação de novos conceitos ou se pode derivar de um preceito essencial? A ética é um “catálogo” de virtudes ou tem um cerne, uma origem, uma essência? Cada vez que as Nações Unidas convocam uma nova conferência internacional, que anuncia mais uma declaração dos direitos (introduzindo o direito à moradia, proclamando os direitos das crianças e dos adolescentes, mandando que se respeitem os povos aborígenes), elas estão de fato acrescentando princípios novos a uma lista cada vez maior de obrigações, ou será que tudo isso poderia ser pensado a partir de um, ou alguns poucos princípios básicos?

A moral parece-se mais hoje em dia com uma lista de compras, que vamos ampliando cada vez que nos lembramos de uma coisa nova. É evidente que a sociedade atual declare quais são seus direitos, inclusive alguns nunca antes lembrados. Mas não podemos esquecer que, declarar não é promulgar. Declarar é reconhecer que eles valem, não é criar. Você declara a partir de algo que já existe, mesmo que muitos não tenham consciência dele. Daí então surge o maior dilema em minha opinião: jamais criamos preceitos morais? Ou criamos? Modificamos os anteriores? O que já foi descente se torna agora indecente e vice-versa?

Acredito que hoje, quase tudo o que diz respeito à ética pode derivar de dois grandes princípios, a igualdade (não com uma conotação comunista) e a liberdade (não com conotação anarquista). Se somos iguais não podemos desrespeitar o outro, sermos arrogantes, intolerantes ou corruptos. O voto de todos tem o mesmo peso nas eleições. Se somos livres, devemos responder por nossos atos e também reconhecer a liberdade dos outros. Para o século XXI acredito ser a resposta mais adequada, mas daí vem outros dilemas: Isso é retroativo? Vale para o passado? Machistas e escravagistas de uma época que tolerava essas condutas, como ficam no retrato ético atual? Ou devemos reconhecer que a moral muda com o tempo?

Edson Moura





Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...