domingo, 15 de abril de 2012

Debate de um filosofo ateu com 3 cristãos de diferentes pensamentos (parte 1)


Por: Marcio Alves
O filosofo ateu pergunta: - Porque afinal de contas vocês acreditam na existência de Deus?
O primeiro cristão que é fundamentalista responde: - Porque a bíblia diz que Deus existe, e como ela é a verdade absoluta, logo é verdade a existência de Deus. A bíblia para mim – continuou ele a dizer – e tudo....minha base, meu fundamento, meu chão, sem ela não existiria fé cristã.

O segundo cristão que é neopentecostal respondeu, dizendo: - Na verdade eu discordo do meu “irmão” fundamentalista, porque para mim o que conta mesmo como prova da existência de Deus é que ele me abençoou dando-me muitos bens materiais, além de curas, livramentos e proteção! O que adiantaria estar escrito, se não acontecesse na vida os milagres e curas descrito na bíblia? Se Deus fez milagres no passado, abençoando o seu povo, eu também quero e não aceito qualquer crença se esta não se cumprir em minha vida!

O terceiro cristão que é liberal, e, portanto, diferente dos outros dois, disse: - Meus irmãos, nem a bíblia e nem os bens materiais prova alguma coisa....eu não acredito porque a bíblia diz, até porque ela é uma escrita do homem para Deus, e não o contrário, sendo o homem imperfeito, ela também o é. Também não acredito que Deus seja “cristão”. Creio que Jesus é o maior símbolo do criador – daí eu ser “cristão”, porém universalista – que ama e abençoa a todos com seu sol e chuva, não interferindo diretamente em nossas vidas, pois nos deu liberdade. Não fazendo qualquer distinção por causa da crença. Eu acredito na existência de Deus, porque não consigo imaginar a existência do mundo sem um criador.

O filosofo ateu então passa a questionar as respostas dos 3 cristãos. Primeiro, ele questiona o fundamentalista: - Existem outros tantos livros igualmente religiosos e antigos como a bíblia, onde todos eles também re-vindicam a mesma autoridade e inspiração de Deus, porque eu deveria acreditar que logo o seu, que foi escrito por homens também, é verdadeiro e todos os outros são falsos e mentirosos?

Depois, o filosofo ateu questiona a resposta do neopentecostal, dizendo: - Como pode Deus dar carro, casa e te encher de bens e não fazer nada pelo resto do mundo? Quantos bilhões de seres humanos vivem na mais desprezível miséria. Quantas crianças morrem todos os dias sem ter o que comer. Como você pode ainda dizer que Deus esta olhando para você enquanto ele fecha os olhos para o restante da humanidade?

E por fim, ele questiona o liberal: - Se o universo precisa de um criador, o criador não precisaria também de um outro criador e assim, ad infinitum? Dizer que todo o universo veio de Deus é responder um mistério com outro mistério maior ainda.

Então os 3 cristãos responderam juntos em uma só voz: - Nós cremos porque cremos! Não há evidencias para nossa fé, apenas acreditamos porque queremos acreditar!

Ao que o filosofo ateu respondeu: - Vossas fé estão embasadas no desejo de se crer e não na realidade concreta da vida, com provas incontestáveis da existência! Até porque, dizer “eu creio porque creio” é dizer em outras palavras que aquele algo não existe, que é fruto da imaginação e desejo, pois se assim não fosse, não precisaria da fé, mas apenas seria uma constatação da própria existência, daí precisar da fé para que aquela crença permaneça e seja verdadeira!

Então todos eles foram para suas casas refletindo sobre o debate com o filosofo ateu, prometendo que na próxima semana eles estariam todos de volta para continuar o debate.

segunda-feira, 9 de abril de 2012

“Questões acerca da morte" (parte 2)


Por Edson Moura

Diante da questão da morte, os filósofos não poderiam simplesmente ignorar sua importância. Muitos filósofos, no decorrer da história da Filosofia, dedicaram profundas reflexões sobre o assunto na tentativa de apaziguar suas próprias consciências, e dar sentido àquilo que parece uma fatalidade, um absurdo, um castigo. A seguir veremos alguns dos principais filósofos nessas reflexões.

Segundo a tradição, um dos maiores filósofos foi Sócrates, embora nada tenha escrito e quase tudo que conhecemos acerca de seu trabalho fora escrito por seu discípulo Platão. Os últimos momentos da vida de seu mestre encontra-se narrado no diálogo de “Fédon” ou “Da Imortalidade da Alma”. Sócrates corajosamente aceita a sentença que seu pares lhes impuseram , negando-se a fugir como propunha seus discípulos, pois para Sócrates, obedecer as leis da cidade era uma questão de honra. Devemos nos lembrar que Sócrates também era político, uma espécie de deputado ou senador de Atenas.

Aceitando sua sentença de morte, Sócrates dá sua última “aula” aos discípulos, revelando o caráter moral de sua decisão, de coerência com o que havia dito e vivido como cidadão ateniense. Fala das virtudes (temperança, coragem, justiça) e convida seus discípulos a serem fiéis aos apelos de suas consciências, mesmo enfrentando tamanha injustiça. Diz Sócrates: “Se morrer é encontrar-se com os grandes da história de Atenas, como Péricles, pai da democracia, a morte então seria um prêmio para ele”. Impressionado com a vida e também com a morte de seu mestre, Platão revelará em praticamente todos os diálogos que escreveu, como  no “A defesa de Sócrates”, o quanto seus ensinamentos e coerência de vida eram fundamentais para construção de uma sociedade justa e de uma vida feliz.

Podemos também falar de Epicuro, nascido na cidade de Samos, tornou-se discípulo de Demócrito com apenas quatorze anos de idade. Depois de muitas idas e vindas, instala-se em Atenas onde funda sua escola filosófica para homens e mulheres, que, como não podia deixar de ser, foi alvo de fofocas escandalosas. Epicurismo ou Hedonismo, tem como princípio de sua doutrina, pregar que a felicidade humana deve se basear na vivência do prazer, o que não significa desregramento ou, imoralidade. Para ele, o prazer devia ser regido pela razão, pelo equilíbrio, ou seja, a justa medida de Aristóteles.

Epicuro ensina seus discípulos a não temer a morte, pois pior seria viver para sempre e pior, viver em desgraça, miséria ou dor. Antecipar o pensamento de morte não vale à pena, pois o morrer, em si, não faz parte da vida. Será apenas um momento que, de repente nos conduzirá para outros horizontes ou para o nada. Assim como dormimos todas as noites e não percebemos como isso acontece, assim será a morte. Portanto, o que vale na vida de verdade, é procurar viver bem, desfrutar o que há de bom, viver intensamente cada instante, e estar com os amigos.

Também Martin Heidegger, filósofo alemão, e um dos principais pensadores do século vinte, que escreveu obras como “O ser e o Tempo”, é tido como um pensador Existencialista (embora não tenha aceitado o adjetivo). Mas, ao se preocupar com um sentido mais profundo para a existência humana, ou com a questão metafísica do “ser aí”, e ao afirmar que “o homem é um ser para a morte”, Heidegger certamente se inscreve entre aqueles que tiveram um preocupação comum aos filósofos denominados existencialista, como Sartre.

O ser humano vive sua existência como projeto, com suas infinitas possibilidades de realização no futuro, mas somente uma poderá ser sua escolha, que nunca é definitiva. A todo momento a liberdade humana é chamada a se posicionar, a se ajustar, mas sabendo que a própria liberdade não é um dado pronto e acabado. A liberdade se faz a cada momento que se coloca, a cada ato, livre ou não. Todavia o homem sabe que há uma “situação limite” colocada pela morte. E este é um fato do qual homem algum poderá escapar, fazendo surgir assim a angustia existencial e as tantas perguntas sobre o sentido de nossa existência.

“Por que, e para que viver, se tudo acabará com a morte?” Quem nunca se fez esta pergunta? Devemos nos lembrar que para Heidegger, não podemos contar com a saída da crença em vida eterna, ou seja, imortalidade da alma, possibilidade dado pelos filósofos metafísicos tradicionais como Platão, Descartes, ou Leibniz.

Diante da angústia perante a desagradabilíssima e inevitável experiência da morte, o que não significa medo psicológico, depressão ou pensamento mórbido sobre a morte, temos duas saídas apenas: Uma existência autêntica dos que assumem essa angústia e aceitam sua finitude, voltando-se para um viver crítico, responsável e quem sabe livre. Se esta é a única vida que tenho, cabe somente a mim vivê-la em plenitude, a construí-la com os outros no mundo, sem medo, sem amarras, sem escravidão e mesquinharias.

A outra posição que um ser humano pode tomar diante dos pensamentos aterradores acerca de sua morte é o do homem inautêntico, que foge da angustia da morte, que nega a sua realidade por meio de mil subterfúgios, refugiando-se na impessoalidade, alienação religiosa e massificação. E por negar a angústia da morte, acaba por negar-se a si mesmo e a autenticidade de sua vida.
Edson Moura

Leia a primeira parte em: "Questões acerca da morte"

sexta-feira, 6 de abril de 2012

Ramsés - Christian Jacq (Cinco Volumes)

Sobre os Livros:
Quando se evoca a grandeza do antigo Egito, um nome vem imediatamente á memória: Ramsés, que reinou durante mais de sessenta anos.

Ao recriar a grandiosidade e o mistério dos tempos antigos, retrata, como nunca se fez antes, o magnífico faraó Ramsés, cujo reinado se encontra talhado em esculturas colossais. Pertencente à XIX dinastia do Egito Antigo, Ramsés soube cultivar a sabedoria, a justiça e a prosperidade. Abençoado por Sethi e amado pelo povo, ele reinou por mais de 60 anos às margens do Nilo, a terra do misticismo e do encantamento.

Minha opinião: Indico fortemente essa saga, ainda mais pra quem gosta do Egito. Tem um alto conteúdo histórico, amizades, traições, guerras, sexo… o nível do diálogo é extremamente simples, poderiam ser lidos até por crianças se não fosse por algumas coisinhas mencionadas acima. O trabalho editorial é incrível, dando nota 10 para as capas.
1º Livro da Série Ramsés – “O Filho da Luz”
Ano de Lançamento: 2000
Número de Páginas: 389 páginas
Editora: Bertrand Brasil
Tradutor: Maria D. Alexandre

Sinopse: Primeiro volume da saga em cinco partes sobre a vida do faraó Ramsés. Ele é um jovem que anseia secretamente substituir o pai no trono do Egito, mas o direito à sucessão pertence a seu irmão, Chenar. Mas quem realmente sucederá o faraó Sethi?


2º Livro da Série Ramsés – “O Templo de Milhões de Anos”
Ano de Lançamento: 2000
Número de Páginas: 369 páginas
Editora: Bertrand Brasil
Tradutor: Maria D. Alexandre
Sinopse: Ao recriar a grandiosidade do Egito Antigo, o autor retrata como nunca o magnífico faraó Ramsés, cujo reinado se encontra talhado em esculturas colossais. Exclusivo, entre os brasileiros, como o mais conhecido dos pecados capitais – a inveja.
3º Livro da Série Ramsés – “A Batalha de Kadesh”
Ano de Lançamento: 2000
Número de Páginas: 369 páginas
Editora: Bertrand Brasil
Tradutor: Maria D. Alexandre
Sinopse: Neste volume, Ramsés tem de enfrentar um exército inimigo com poder bélico maior do que o seu enquanto busca salvar a vida de sua esposa que está gravemente doente. Comunidade no Orkut: Sem comunidade por enquanto…
4º Livro da Série Ramsés – “A Dama de Abu-Simbel”
Ano de Lançamento: 2000
Número de Páginas: 370 páginas
Editora: Bertrand Brasil
Tradutor: Maria D. Alexandre
Sinopse: No penúltimo volume da série, o egiptólogo Christian Jacq dá continuidade à saga romanceada do faraó egípcio Ramsés. Neste volume, além enfrentar a ira de Moisés, que virá libertar os hebreus, o faraó terá que livrar-se da magia negra de um mago líbio.
 5º Livro da Série Ramsés – “Sob a Acácia do Ocidente”
Ano de Lançamento: 2000
Número de Páginas: 364 páginas
Editora: Bertrand Brasil
Tradutor: Maria D. Alexandre
Sinopse: No último volume da série, o egiptólogo Christian Jacq dá continuidade à saga romanceada do faraó egípcio Ramsés. Neste volume, Ramsés se vê acossado pelo seu maior inimigo: o tempo, pior que todos os magos e hebreus. O tempo roubou-lhe o amor e os amigos, e agora castiga o próprio faraó.

Por Edson Moura

domingo, 1 de abril de 2012

Afinal, porque somos todos assim?


Por: Marcio Alves

Será mesmo que agimos só pela vontade e/ou razão? (“fiz porque gosto ou porque quero”) Quando uma pessoa diz que gosta mais de um tipo de comida do que de outra, de um lugar do que de outro, ou de uma pessoa mais, ou menos, que de outra, ou qualquer outra coisa é “porque gosta” e ponto final? E no caso de ter aversão, de não fazer ou ter determinado comportamento, é porque simplesmente decidiu?

O que esta realmente por trás de todo comportamento humano? Será que somos livres para fazer/ter o comportamento que desejarmos?


Primeiramente, antes de respondermos estas perguntas e todas as outras que derivam delas, temos que buscar compreender o que é o comportamento propriamente dito, aqui nesta postagem.

Segundo a visão da analise experimental do comportamento, “a relação entre atividades do organismo com os eventos ambientais, são chamadas de comportamento” (Skinner).

Portanto, todo comportamento é invariavelmente uma determinada resposta a posteriori a um determinado estimulo ambiental a priori, podendo ser reforçado, positiva ou negativamente, pelas conseqüências do decorrer de um comportamento, que possibilitará sua ocorrência (ou não) futura.

Trocando em miúdos, não há ninguém que nasça com a “síndrome de Gabriela” – eu nasci assim, sou assim e vou morrer assim – pois nosso comportamento é mutável, e, está constantemente transformando o mundo a nossa volta, como sendo transformado pela transformação do nosso comportamento, numa interação viva de organismo com o ambiente, a onde o sujeito não é um ser passivo e a parte de sua transformação, mas participante e ativo na construção de sua realidade, ainda que “inconscientemente” ou “desconhecidamente”.

O que significa dizer, que podemos tanto reforçar um comportamento, para que ele em situações semelhantes, vivenciando estímulos semelhantes, tenha respostas generalizadas, como também, extinguir comportamentos, fazendo com que as respostas venham diminuir futuramente.

Por isto é que o comportamento humano é condicionado por n fatores e estímulos sociais, psicológicos e fisiológicos, onde devemos descobrir o que esta reforçando a ocorrência de um determinado comportamento, para que assim possamos trabalhar em nós, a mudança, caso necessário, do comportamento, chegando assim num processo de extinção da resposta, começando com a diminuição até o cessar da resposta.

Agora, respondendo a pergunta que fizemos no começo do texto, não escolhemos ou decidimos ter ou/e fazer um determinado comportamento porque simplesmente escolhemos ou queremos, porque afinal somos “livres”, mas sim, pela “determinação” dos estímulos tanto antecedentes – que antecede a resposta – como, pelos estímulos conseqüentes – que são as conseqüências da resposta.

Exemplificando: “O crente “A” tradicional, porque quer escapar do inferno (estimulo antecedente) vai para a igreja (resposta), e também, porque com isto, ele consegue manter seu lugarzinho reservado no céu (estimulo conseqüente).

Já o crente “B” neo-pentecostal, ao querer ser bem de vida e ter uma ajudinha do “todo poderoso” (estimulo antecedente), não se contenta em ir somente para a igreja, ele tem que sempre dar dízimos e ofertas (resposta) para conseguir comprar o “todo poderoso”, e no menor sinal de uma situação de melhora, considerado “normal” pelo cético, é visto como prova da benção de deus sobre sua vida (estimulo conseqüente)”

Tanto nos dois casos acima, o que ambos crentes tiveram (estimulo) para ir á igreja, ou “ser” (melhor é o termo “estar”) crente (resposta ou comportamento) foi o interesse, mas o grande reforçador foi justamente a conseqüência de “estar” crente naquele momento.

Caso ambos crentes conversassem com um cético, que através de argumentos conseguisse “provar” que o inferno e céu não existem para o crente “A”, e que, conseguir melhoras na vida são para todos, inclusive ateus, para o crente “B”, possivelmente ambos os crentes não teriam mais o comportamento de estarem sendo crentes.

“O que aconteceu, para a resposta ser extinta?” Simples. Os estímulos antecedentes e conseqüentes que aliciam e reforçam todo comportamento humano, foi suspenso, e com isto também o comportamento.

O que quer dizer é que por mais subjetividade singular (ontogenetica) tenha cada ser humano, nós todos somos muito mais parecidos (filogenética e sócio-cultural) do que diferentes, e, por isto mesmo, somos tão previsíveis.

Por isto que para se conhecer e/ou controlar um determinado comportamento, o primeiro grande passo é conhecer os estímulos que estão aliciando aquele comportamento.

Diante disto tudo então, a grande pergunta não é “Qual é ou tem sido o seu comportamento?”, mas, antes “Quais são os estímulos antecedentes e conseqüentes do seu comportamento?”.

sábado, 3 de março de 2012

"Precisamos falar sobre o Kevin"

Por: Marcio Alves

Sempre achei que o ser humano não fosse totalmente bom, mas nunca pensei que chegaria ao extremo de enxergá-lo como “ovelha puramente negra”. E olha que eu combatia ferozmente o conceito tradicional cristã de “pecado original” e “queda” – tudo bem que essa estória (sem “h”) de que por causa de Adão e Eva, o mundo todo como o ser humano esta em treva, não passa de “historinhas infantis”, mas o conceito do ser humano mergulhado no “pecado” e que está irremediavelmente “perdido” é muito ilustrativo e valido, como metáforas para mostrar a natureza má e sem solução do ser humano.


Chama-me muita atenção o fato de estar em voga hoje em dia, no meio acadêmico das ciências sociais, a imagem do ser humano bondoso que é corrompido pela sociedade. Desta forma, a culpa sempre recairia sobre o meio, nunca sobre a “natureza” do individuo.

O filme “Precisamos falar com Kevin” é como um soco na boca do estomago desta mesma ciência social, que não percebe e/ou não quer ver, (claro, como ficaria o emprego dos psicólogos e sociólogos, se eles admitissem que o ser humano esta definitivamente perdido sem salvação? E olha que eu falo contra mim mesmo, pois estou me formando em psicologia. Risos) que para além do “simples” meio social – eu sei que o meio exerce uma função importante sobre o individuo – existe inclinações naturais em todo sujeito.

Não vou entrar em detalhes do filme, até porque não é este meu propósito com o texto – mentira! É que não sou bom em resenhas ou criticas de filmes (risos) – mas o cerne do filme é justamente o que vou aproveitar e colocar como discussão aqui, pois o ser humano já nasce mal ou será que é corrompido pela sociedade? Existe maldade gratuita? E a bondade...será que existe mesmo bondade altruísta neste mundo?
Ou toda bondade é realizada com “segundas” (às vezes até terceira, quarta...) intenções, mesmo que seja “inconsciente”?

Na minha visão “Rodriguiriana” não existe bondade altruísta, pois toda ação bondosa tem um ganho, mesmo secundário e inconsciente.
Nem que seja o prazer que a pessoa “bondoso” sente ao ajudar alguém necessitado, excluído ainda a tentação que dificilmente a pessoa “bondoso” escapa que é de se achar (vaidade) uma ótima pessoa (uma pessoa do “bem”) e de passar para os outros que ela é legal e sincera.

E a prova mais contundente disto é o amor.. (explico)
É o sentimento encarado pela sociedade como o mais puro e lindo. Inclusive, para os cristãos, é a principal e máxima virtude – lembra de Paulo que disse “permanecem a fé, esperança e o amor, dos três, o mais importante é o amor”. Pois então...o amor, aquele mesmo que você meu caro leitor, jura ter por seu filho, mãe, esposa ou esposo, amigo ou irmão, (e, eu acredito!) este mesmo amor é egoísta primeiramente, sempre.

Pois sempre amamos o que é nosso com a condição sine qua non de ser nosso. Por isso que o amor que seria aquele que talvez redimisse a humanidade de sua egocêntricidade e maldade, é o maior exemplo de egoísmo. Inclusive tudo que fazemos, seja do ator menor: dá presente, ao ato maior: dar a vida, fazemos por nós mesmos egoisticamente, centrado sempre em nós – pois nós dá prazer fazer quem nós amamos felizes.

Mas é claro que toda esta maldade não é “culpa” nossa, nem muito menos da nossa sociedade materialista, consumista e individualista – embora também o seja – mas principalmente porque somos assim, e se somos assim porque somos assim (ou porque fomos “feitos” assim para quem crer em criação) não temos culpa...isto faz parte de nosso instinto, e esta para alem da nossa vontade.

É por isto (e por outros motivos que não vem ao caso agora) que acho as ciências sócias uma piada, ou, um simples e insignificante doril para um câncer que é o ser humano.

Ainda realmente você quer me pergunta meu caro leitor, se acredito no ser humano ou em um mundo mais bonito e legal?

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

Vaidade das vaidades, tudo vaidade


Por Edson Moura
Dias desses recebi a visita de um grande amigo, aliás, dois grandes amigos, e por muitas vezes, no calor de nossos debates, refleti sobre temas que preferi não compartilhar com eles naquele momento. Agora, depois de passada a euforia de ter meus companheiros Marcio e Esdras dividindo o mesmo teto comigo, resolvi escrever sobre o que pensei naquele momento.  Ponderações sobre a velhice, a morte e o “ser feliz” num mundo já há tempos dominado pela indústria da beleza e sua falsa promessa de bem estar e eterna juventude me fizeram pensar sobre como estou conduzindo minha existência.
 
Ouvi dizer, ou talvez tenha lido em algum livro ou revista que certa feita Sócrates foi indagado ao observar atenciosamente e com profunda admiração sobre as coisas que punha os olhos. Sócrates teria respondido que, na verdade examinava quantas coisas supérfluas existiam, e que, portanto, eram prescindíveis à sua felicidade. Hoje certamente essas coisas são muito banais. De modo que não se precisa sair a cata dos encantos da sereia. Dentro desse universo do que é supérfluo estão inseridas as bugigangas mais variadas do não envelhecimento.

A Indústria da beleza vem ditando em ritmo frenético o que é necessário para ser aceito nos espaços em que ela é fundamental. Mas o que seria o “belo”? Será que o belo é o mesmo que está retratado nos outdoors e nos manequins de grifes famosas? Para nós ocidentais chafurdados no capitalismo, os encantos de um Shopping Center faz todo o sentido, todas aquelas vitrines bem montadas nos seduzem e acabam nos obrigando a viver numa espécie de comunhão religiosa com o frívolo. Parece-me que nossa felicidade vem embrulhada num papel colorido de presente. Às vezes, nem percebemos que somos indivíduos, seres “para si” existentes, pois nos equiparamos àquilo que nos gera uma provisória sensação de bem estar.

Em 1931 Giovanne Reale disse: “Dê-me televisão e hambúrguer e não me venha com sermões sobre liberdade responsabilidade. Com este mesmo sentido, e parafraseando Nietzsche, Reale afirma que “a raiz de todos os males que atinge ao homem de hoje se encontra no exatamente Niilismo. O niilismo nietzschiano reduz-se à fórmula emblemática da morte de Deus, ou seja, do esmagamento da transcendência e de todos os valores metafísicos. Ora, se isto constitui-se uma verdade, se Deus está morto e com Ele toda dimensão transcendental, prevalece então o Materialismo e com isso toda a transvaloração dos ideais supremos.

Nessa perspectiva, o bem-estar material é deve ser tratado como prioridade, e isso gera, ou pelo menos contribui muito, para o mal-estar da civilização. Chamamos esse tipo de bem –estar de “felicidade artificial”, produzido pelo consumo desregrado que chega a se tornar um hiperconsumo bulímico que se alterna com as dietas de privações na busca de um corpo perfeito, mesmo que isso gere um culto dispendioso às vitaminas e dos oligoelementos.

Todos nós conhecemos a história de Narciso, que foi um jovem de extrema beleza, mas intoleravelmente soberbo e desdenhoso. Agrado de si mesmo e a todos os mais desprezando, levava a vida no serrado dos bosques coutadas, em companhia de um grupo de amigos para quem ele era tudo. E onde Narciso ia o seguia uma ninfa chama Eco. Assim vivendo chegou certo dia, por mero acaso, à beira de uma fonte cristalina e debruçou-se. Ao enxergar nas águas sua própria imagem, perdeu-se numa contemplação e depois numa admiração tão extasiadas de si mesmo que não pode afastar-se do reflexo que mirava e ali ficou paralisado, até que a consciência o abandonou. Foi então transformado numa flor que traz seu nome, a qual desabrocha no começo da primavera. É a flor sagrada das divindades infernais: Plutão, Prosérpina e Eumênides.

 Pobre Narciso, o culto a si mesmo o fez perder sua condição de existência, consumido pelo inebriado delírio de sua imagem. Não devemos nunca esquecer também que isto é apenas um detalhe quase sem relevância frente ao seu sinistro fim, ser transformado numa flor sagrada para as divindades do inferno. Lembremo-nos então que homens deste tipo tornam-se inúteis e imprestáveis para tudo na sociedade.

A Atual conjuntura do mundo, notoriamente marcado pela evolução científica, vem cada vez mais descobrindo meios de proporcionar prazer com a “felicidade artificial”. Sabe-se que a ciência tem um papel importantíssimo no retardamento da velhice, das doenças e como era de se esperar, da morte. Claro que isso não é ruim! É maravilhoso, desde que este objetivo não nos torne escravos de tais progressos. O homem é um ser temporal, finito. E quando não aceitamos esta condição, ou seja, quando ele faz de todo seu tempo um eterno retocar de maquiagem de suas rugas e cabelos brancos, de uma busca infinita pela beleza externa ditada pelos outdoors, acabará como Narciso: Inútil e imprestável.

Devemos lembrar que essa busca incessante pela beleza e negação da velhice é evidente nos padrões sociais mais elevados, pois sabemos, ou deveríamos saber, que são os ricos que detêm o poder aquisitivo para valer-se de tais panaceias. “Nos ricos o consumo torna-se histérico, maníaco pela autenticidade, pela beleza, pela cor pura e pela saúde. São eles quem dominam as vitrines, os grandes magazines, os pequenos mercados de pulgas. A mania de frivolidade torna-se mania de ninharias. Como seria a imagem do grande Sócrates em um Shopping Center? Qual seria sua reação?

Nessa corrida desesperada o tempo acaba por tornar-se o grande vilão. Uma voz que não se cansa de nos sussurrar: “Os teus dias estão passando!”. Então corremos para o espelho, verificamos se a calvície está aumentando, se mais um fio de cabelo ficou branco, se mais uma ruga traçou nosso rosto como o leito de um rio já seco, se a barriga já nos impede de amarrar o cadarço de nossos sapatos e assim por diante.  Rapidamente corremos para academia na tentativa frustrada de reparar a flacidez de nossos músculos já cansados de tanto trabalho pesado, ou, quando ainda não estão flácidos, o que é o meu caso, tentar impedir que isto aconteça. Desesperamo-nos, pois os dias estão passando, e o inimigo cruel não tem a menor intenção de parar de correr.

 A ampulheta da consciência diz isso. Uma batalha épica é travada com nosso ego, que diz: “Eu não quero envelhecer!”. Moisés num de seus salmos disse: “...Pois todos os nossos dias vão passando na tua indignação; passamos os nossos dias como um conto que se conta. Os anos de nossa vida chegam a setenta, ou oitenta para os que tem mais vigor, entretanto, são anos difíceis e cheios de sofrimento, pois a vida passa depressa e nós voamos...". (Salmo 90.9-11). Ninguém experimentou isso melhor do que o poeta John Keats, que morreu aos 25 anos vitimado por uma tuberculose, lamentando resignadamente: “Se eu tivesse tido mais tempo!”.

Assim como a nossa morte, a velhice, por enquanto, é inevitável, aliás, podemos dizer que elas caminham lado a lado e de mãos dadas. Vez ou outra a morte chega de maneira paulatina, outras vezes o tempo a impulsiona, mesmo assim, por mais velho que estejamos, sempre acharemos que está cedo demais para abrirmos a porta e convidá-la para entrar. O segredo está no velho pensamento romano: “Lembra-te que és mortal!”. Não aceitar a velhice, e consequentemente a morte, é viver sobre o jugo de uma eterna angústia. A Angústia da luta contra o inevitável, isso gera desespero, pois em determinado momento percebemos que a luta é vã, então entramos em crise. Portanto, não adianta nos desesperarmos, velhice e morte, essas duas companheiras nos visitam todos os dias. Todos os dias a primeira nos bate à porta, enquanto a segunda fica na soleira esperando o dia em que, sorrateiramente invadirá nossa morada, com isso, quando ela entrar, nada mais podemos fazer a não ser, arrumar as malas e partir para o definitivo.

Só me resta recorrer a Salomão, o sábio: “Vaidade das vaidades, tudo vaidade”, e como disse o profeta Moisés no salmo bíblico: ...Nossa vida é um conto ligeiro.

domingo, 29 de janeiro de 2012

Crente x ateus



Por: Marcio Alves

Porque descrer num Deus que vela por você?
Que na hora que você mais precisa vem te socorrer?
Quantos são os milagres feitos, conte se puderes ver
Há um Deus que tudo pode, basta você nele crer!

Para que crer, se crentes e ateus vivem uma mesma vida de sofrer?
Há momentos que o crer como não crer não muda sua sorte em não sofrer
Ateus também vivem milagres mesmo sem crer
A diferença esta no acaso em que ele vê!


Porque descrer se você pode fora do inferno viver?
Se você crer, sua alma será salva, e com Deus irá viver
Basta a Cristo entregar sua vida, confiando nele seu viver
Para que um dia, tenha seguranças da vida eterna quando morrer!

Para que crer, se não existe outra vida alem desta para viver?
Se você não crer, poderá aproveitar esta vida com muito prazer
Basta descrer nas crenças, e não terás mais tormentos em sua vida para viver
Para que um dia, tenha consciência de que viveu sem as manipulações e ilusões da religião que só quer te prender

Porque descrer fechando os olhos para Deus?
Se ouvires sua voz e hoje obedeceres, terás muitas bênçãos para contar que de Deus recebeu
Não esqueça que só louco pergunta aonde esta Deus
Pois só crente pode afirmar que nele vive Deus

Para que crer se a realidade crua e nua não mostra Deus?
Precisa do psiquiatra procurar se hoje ouvires a voz de Deus
Só ingênuo acredita sem questionar aonde esta Deus
Pois só ateu pode negar que no mundo vive Deus

Porque descrer se o homem sofre é por não crer
Deus não tem culpa, pois deu ao homem o poder de escolher
O mundo foi criado por Deus é assim para quem crer
Já o caos pelo homem que descrer

Para que crer se o homem sofre é porque não pode escolher em não sofrer, pois o mundo não é contos de fadas para se viver
Deus não tem culpa, nisto concorda o ateu, que não vê como pode aquilo que não existe ser responsável pelo sofrer
O caos é conseqüência de um universo cego que temos para viver
Já Deus do cego homem que cria um ser imaginário para crer
Porque não crer se você ateu vai se fuder?
Quando Jesus no céu aparecer
Você vai pro inferno queimar, enquanto eu no céu vou viver
Assim termina minha oração, que os ateus sofram muito para um dia virem a crer

Para que crer se ateu e crente tem o mesmo ao fim ao morrer?
A diferença esta em não querer ver, que toda religião com sua crença não passa de ilusão do ser humano que um dia vai perecer
Se Deus salvar um crente como você, nós ateus não precisamos então temer
Como não tenho a quem orar, vou apenas te falar: este seu Deus parece muito com você, castiga quem não crer, premia quem lhe serve, um deus assim é a imagem e semelhança de quem crer!

Preciso mais alguma coisa então dizer?


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