domingo, 22 de setembro de 2013

O Azarão - Markus Zusak



Resumo do Livro:

Cameron Wolfe tem 15 anos e três irmãos mais velhos. São eles: Steve, que na visão de Cameron, é um vencedor; Sarah, que está sempre de amasso com um novo namorado, e Ruben, que é o seu companheiro de peripécias, com quem ele se junta para planejar as próximas armações, das quais só os perdedores são capazes. Eles são gente comum, trabalhadores sem muito recursos, mas como diz a própria sinopse, eles são isso, sim, e muito mais.

Então temos pela frente um livro narrado unicamente por um menino e, de cara, fica claro que, muito mais do que um adolescente típico, temos um cara infeliz com sua vida e suas atitudes. Ele não concorda com o que faz e percebemos que são conflitos de uma maturidade em formação, com as inseguranças e inconsequências dos jovens. A diferença de Cameron é que, mesmo sabendo que é um azarão, ele tenta de todas as formas ser alguém melhor.

Como todo adolescente que luta, ele resolve trabalhar de ajudante do pai e assim acaba conhecendo Rebecca Conlon, a garota de seus sonhos. Ela é tudo e muito mais do que pode querer e ele sabe que, para tentar consegui-la, terá de deixar de ser um perdedor para virar um vencedor.

O autor declara que esse livro tem algo de autobiográfico. Chego a ter certeza que sim, pois o livro é introspectivo e ao mesmo tempo tem algo inquietante, com uma narrativa leve e sem tanta profundidade, com momentos engraçados, com tiradas bem legais, que só quem viveu aquilo é capaz de descrever.

Posso dizer que não chega a ser introspectivo e arrebatador estilo John Green, também não sei se é essa a intenção do autor, mas chega perto, bem perto. A única coisa que acho que não faz o livro ser um grande sucesso é o final, que achei um tanto vago, inacabado. Durante a leitura, achei que o Cameron pudesse ser digno de um encaminhamento melhor de sua vida, mas como o livro é uma trilogia, lerei o próximo para saber como as coisas se desencadearão.

Bom, como citei acima, Azarão é o primeiro livro de uma trilogia chamada Irmãos Wolfe. O próximo livro é Bom de Briga, que já tenho em mãos e em breve trarei a resenha dele para que vocês possam conferir. O livro é fininho, tem 175 páginas e a cada trecho narrado temos o relato de um sonho do Cameron; isso faz com que a narrativa fique mais intimista e real.

Bom, posso dizer que recomendo a leitura desse livro muito legal, onde a narrativa é o diferencial, com trechos em que o narrador conversa com o leitor, deixando tudo ainda mais inspirador e interessante. Indico em especial aos jovens rapazes, que com certeza terão muitas identificações com o personagem principal e seus irmãos e amigos.

Boa leitura, até mais!

A Magia da Realidade - Richard Dawkins



Resumo do Livro:

Em um dos ensaios de seu volume Pluto’s Republic, o biólogo britânico e ganhador do Nobel de Medicina de 1960 Peter Medawar repreende o antropólogo francês Claude Levi-Strauss por ter escrito, em seu clássico La Penseé Sauvage, que explicações miticas são “tão válidas” quanto às científicas.

Medawar, famoso pela pena afiada – sua devastadora dissecação de Teilhard de Chardin é um clássico da manipulação virtuosa do frio aço do fino humor britânico –, ironiza o tom de embevecida aprovação com que Levi-Strauss descreve a crença de certos povos siberianos, de que o bico do pica-pau é um amuleto contra a dor de dente. “Será que alguém que esteja realmente sofrendo de dor de dente não preferiria uma linha de pensamento mais pragmática?”, pergunta, inocentemente, o inglês.

Peter Medawar morreu em 1987, aos 72 anos. Sob muitos aspectos, Richard Dawkins é seu principal herdeiro intelectual no mundo do ensaio e da polêmica. Em seu mais recente livro lançado no Brasil, A Magia da Realidade, Dawkins retoma o tema da alfinetada do velho mestre biólogo no velho mestre antropólogo e o leva além: seu objetivo não é apenas apontar o fato de que as explicações científicas são mais úteis, do ponto de vista pragmático, que as míticas, mas também mais fascinantes. Há mágica e poesia na ciência, eis seu argumento, desde que saibamos enxergar. Ou, como ele escreve:

Quero mostrar a você que o mundo real, como é entendido cientificamente, tem sua própria magia. Eu a chamo de magia poética, uma beleza inspiradora que é ainda mais mágica porque é real e podemos compreender como funciona (…) É absolutamente fascinante. Fascinante e real. Fascinante porque é real.

A Magia da Realidade é um livro infantil ou, talvez melhor dizendo, um livro para pais e filhos lerem juntos. Está dividido em capítulos que representam o tipo de pergunta que cedo ou tarde toda criança faz, e que tradicionalmente são respondidas com contos de fadas ou paráfrases bíblicas – Quem foram os primeiros seres humanos? De onde vem o arco-íris? Como tudo começou? – e oferece versões simples, poéticas e objetivas das respostas encontradas pela ciência.

Mesmo os detratores de Dawkins reconhecem seu enorme talento para a exposição e a explicação – “Dawkins é ótimo para tratar de ciência, é uma pena que se meta a dizer bobagens sobre religião” é uma queixa-clichê – e A Magia da Realidade está bem à altura de sua obra de divulgador. Talvez até mais, pois o livro, escrito com o propósito de ser acessível ao leitor infantil, simplifica ao máximo, sem idiotizar. E cada explicação funciona como um trampolim para que Dawkins se lance numa verdadeira cornucópia de temas científicos: espectrografia, efeito Doppler, seleção natural, o conceito de “modelo científico”, epistemologia (o subtítulo do livro, afinal, é “Como sabemos o que é verdade”)… Há até uma citação de Wittgenstein. Escrevi que se trata de um livro para crianças? Bem, também serve para adultos: se você é um cara “de humanas” que só vai ler um livro de “hard science” na vida, leia A Magia da Realidade.

Para tudo isso funcionar, claro, as ilustrações de Dave McKean são um apoio precioso. Conhecido dos fãs de quadrinhos (ao menos, dos mais antigos) como o ilustrador de Asilo Arkham (a infame graphic novel em que o Coringa passa a mão na bunda do Batman) e, especialmente, como o capista da série Sandman de Neil Gaiman, McKean cria uma mistura de ilustração e infografia que é uma festa para os olhos e uma sustentação firme para o texto. A sequência de reconstituições de ancestrais humanos que percorre o capítulo sobre a origem do homem é de tirar o fôlego: tão surpreendente quanto comovente. O poder dos desenhos de McKean fica ainda mais claro na edição interativa do livro (sobre a qual, mais a respeito adiante).

Cada capítulo também traz um mito a respeito do mesmo assunto, e Dawkins coteja a versão mítica com a científica, sempre em detrimento da primeira: mesmo reconhecendo a beleza criativa dos mitos, o autor é firme em manter, a todo tempo, a distinção entre ficção agradável e explicação real. Entre os mitos, inclui narrativas de povos indígenas de várias partes do mundo, lendas nórdicas e, no que provavelmente irritou e irritará multidões, episódios bíblicos.

Dawkins tem ainda a rara humildade de admitir que não sabe algumas coisas, que certos assuntos estão além de sua área de especialização. Essas admissões aparecem principalmente no capítulo sobre a origem do universo. “Não entendeu?”, pergunta ele, a respeito do conceito de que não teria existido um tempo antes do Big Bang. “Nem eu”.

Os dois últimos capítulos são os mais filosóficos e, para certas pessoas, polêmicos, intitulados “Por que coisas ruins acontecem?” e “O que é um milagre?”. Neles, Dawkins apela para a teoria da evolução, psicologia, teoria das probabilidades e simples bom-senso para tirar o gás metafísico dessas questões que, normalmente, são tidas como coisas que estão fora do escopo da ciência.

A versão brasileira do livro é um volume em capa-dura, da Companhia das Letras, traduzido por Laura Teixeira Motta. Tradutora que, aliás, merece cumprimentos por algumas boas soluções que encontrou: no original britânico, Dawkins compara o inglês contemporâneo ao de Chaucer, para traçar um paralelo entre a evolução das espécies e a da língua. A tradutora troca inglês por português e Chaucer por Pero Vaz de Caminha, o que faz muito mais sentido para o leitor brasileiro. (Agora, sendo chato, implico só um pouquinho: por que não Camões?)

Mas também existe uma edição internacional, em inglês, interativa, vendida como “app” para iPad, que inclui áudios narrados pelo próprio Dawkins e versões jogáveis de várias ilustrações. Por exemplo, é possível “brincar” de seleção natural, escolhendo quais sapos de uma população vão viver para compor a geração seguinte, ou ajustar o ângulo e a força de um canhão que, posicionado no polo norte, precisa pôr uma bala em órbita da Terra.

Se o livro impresso é fascinante, a versão interativa é imersiva – você some lá dentro, e só volta aqui para fora quando forçado. Do ponto de vista didático, o livro interativo é uma ferramenta muito mais poderosa, já que, a partir dos jogos, é possível realmente assistir aos princípios científicos em ação. A Companhia das Letras, que curte bem um hype, poderia contratar um ator global para dublar as narrações de Dawkins e fazer sua versão. Seria um serviço à educação nacional.
Tenho um sobrinho que, em breve, completará três anos. Se fossem 13 (ou mesmo 10), ele ganharia de presente A Magia da Realidade.

A magia da realidade ::: Richard Dawkins (trad. Laura Teixeira Motta) :::
Companhia das Letras, 2012, 272 páginas :::


O Semeador de ideias - Augusto Cury



Resumo do livro:

Um poderoso homem sofre perdas irreparáveis e torna-se um colecionador de lágrimas. Despedaçado, sai em busca dos porões da sua mente e da sociedade dos seus sonhos. “Não é possível”, pensei. Em vez de se prostrar diante de Deus, ele O chamou para um debate. E ninguém previa o que seria discutido. Depois desse episódio, ele deixou de ser um vendedor de sonhos e passou a ser um ousado semeador de ideias. E nós, após presenciar seu “debate”, nunca mais seríamos os mesmos. Não apenas os que o seguíamos ficamos perplexos, como também uma multidão que se aglomerou ao redor dele, emudecida.

Nesse livro o Mestre deixa de ser um vendedor de sonhos para ser um Semeador de Ideias. Novos personagens são apresentados e alguns discípulos ganham mais destaque. Os dois baderneiros, Bartolomeu e Barnabé, tem uma grande surpresa, muito impressionante.

O Mestre finalmente revela sua história em detalhes. Esclarecendo muitas coisas dos outros livros.

Como toda boa leitura, foi triste chegar a ultima linha e ler a palavra “fim”. A jornada do vendedor de sonhos é tão interessante e cheia de aventuras, que dá vontade de nunca parar de ler. Foi triste quando a historia acabou, eu estava quase “vivendo” o livro.
“Quero entender pelo menos as camadas mais superficiais de Tua mente, ‘Oh Desconhecido’! O que fazias em todos os infinitos estágios que antecederam os 14 bilhões de anos da existência do universo? (...)”.

Esse trecho foi tirado do debate com Deus. A parte que eu gostei mais. Nunca tinha pensado da maneira como ele falou. E não só os personagens ficaram perplexos, como eu também fiquei.

Como os outros livros da serie, o Semeador de Ideias também é excelente, suas ideias e pensamentos ficam presos na mente do leitor, Augusto Cury sabe como prender a atenção do leitor.

Título: O semeador de ideias
Autor: Augusto Cury
ISBN: 9788560096930
Editora: Academia de Inteligência
Páginas: 272

Armadilhas da Mente - Augusto Cury

Resumo do Livro:

Conta a história de Camille, uma jovem-senhora bem sucedida financeiramente, mas que vê sua vida ruir – em todos os aspectos – por um único motivo: está presa emocionalmente.

Confesso que sou um leitor preconceituoso e por isso relutei muito em ler a nova obra de Augusto Cury. Queimei a língua. Como comentei com alguns amigos, achava que este era “apenas mais um livro de dona de casa desesperada” e que “nem valia a pena ler”. Me arrependi profundamente. “Armadilhas da mente” não é mais um livro de autoajuda cheio de máximas motivacionais, mas um romance muito bem narrado, com diálogos densos e reviravoltas inimagináveis.  A história de Camille é intrigante, envolvente e surpreendente. Uma verdadeira viagem pela psicologia, psiquiatria e filosofia. Em suma, um livro que nos faz refletir (o que somos, como agimos e pensamos)  e deve ser lido por todos.

“Quem é rico? Quem tem a escritura de uma propriedade ou quem contempla suas imagens?”

A protagonista desta história é uma personagem fascinante: escreve e devora livros, professora e coordenadora de um curso acadêmico, pós-doutorada, conversa sobre qualquer assunto e tem um vocabulário muito extenso. Mas, como todo ser humano, tem muitas falhas: crítica, exigente (principalmente consigo mesma), egocêntrica, não gostava de ser confrontada, obsessiva, pessimista, cheia de manias e  não se curvava diante de ninguém. Isso fora os transtornos mentais: fobia, depressão, estresse, transtorno obsessivo-compulsivo e por aí vai.

“O tempo da escravidão não cessou. No passado, algemava-se o corpo, hoje, algema-se a mente.”

Camille era prisioneira de suas próprias emoções, mas não conseguia se tratar com especialista (Você irá se sentir tão aflita quanto ela durante a leitura): ela visualiza flashs dela e do marido, Marco Túlio se acidentando em alguma avenida de São Paulo; Em sua mente doentia, achava que  seu esposo estava sempre a traindo e, ao mudar para a nova residência, a fazenda Monte Belo, começou a sonhar que, na pele de um ex-morador escravo, estava sendo atacada. Ela não conseguia administrar seus pensamentos. Eram como demônios dentro dela.  Não conseguia ver a beleza das coisas simples e isso já estava afetando a vida de todos ao redor. Até que ela conhece Zenão do Riso, um jardineiro que dizia “NÂO” a tudo.

“Nós nos tornamos uma história: ganhos inesquecíveis, perdas irreparáveis. A história engravida as tempestades mentais. As frustrações escrevem parágrafos; as perdas, capítulos; as mágoas, textos. Tênues gotas tornam-se torrentes, diminutas poças geram oceanos. Sofremos pelo futuro.”

Zenão do Riso, ou ZÉ do Não, é o jardineiro residente da fazenda Monte Belo. Eita personagem! Apesar da simplicidade e do pouco estudo, tinha uma inteligência fora do comum. Ele até citava grandes pensadores, heróis de Camille, como Voltaire e Schopenhauer. Conviver com Zenão foi uma experiência muito edificante para Camille, apesar de relutar em reconhecer isso no inicio. Pelo que diz, tinha os mesmos problemas de sua patroa, mas só se curou após passar com o doutor  Marco Polo,  o “psiquiatra dos pobres”.

“Eu tenho dinheiro, mas ele é que é feliz. Não preciso trabalhar, mas é ele que descansa. Tenho meios para voar, mas é ele que se aventura. Tenho cama, mas é ele que dorme. Quem é rico? Se chove, ele se alegra; se faz sol, o suor o anima. Diga-me, quem é rico?”

Em suma, Marco Polo é um profissional muito diferente de todos. Ele trata seus clientes de forma humana, com muita cumplicidade, paciência e muita importância. Ele ajuda Camille a compreender seus problemas, superar seus medos e a vencer seus conflitos interiores (ah, ele é o único que consegue debater e argumentar com Camille).

“A mente mente. A mente é uma das maiores pregadoras de peças.”

Belíssimo e profundo, o autor consegue penetrar em nossas mentes com a história de Camille. Armadilhas da mente é um mergulho na mente brilhante de uma mulher singular. Profundo e emocionante, Augusto Cury nos mostra que os labirintos de nossas mentes são bem mais complexos e entrincheirados do que qualquer um de nós é capaz de imaginar. Ele definitivamente nos faz repensar sobre o apreço que damos as coisas materiais, relacionamentos interpessoais e amor próprio.


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